Gênesis 47:27–31

 

“Os israelitas estabeleceram-se no Egito, na região de Gósen. Ali adquiriram propriedades, foram fecundos e multiplicaram-se muito. Jacó viveu dezessete anos no Egito, e os anos da sua vida foram cento e quarenta e sete. Aproximando-se a hora da sua morte, Israel chamou seu filho José e lhe disse: "Se mereço seu favor, ponha a mão debaixo da minha coxa e prometa que será bondoso e fiel comigo: Não me enterre no Egito. Quando eu descansar com os meus antepassados, leve-me daqui do Egito e enterre-me junto a eles". José respondeu: "Farei como o senhor deseja". Mas Jacó insistiu: "Jure-me". E José lhe jurou. Israel curvou-se em adoração à cabeceira da sua cama.” Amém.

 

Emanuel: Eu Estarei Contigo

Hoje é o Domingo de Natal, um dia em que celebramos e relembramos a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo a esta terra. Normalmente, compartilharíamos o relato do nascimento de Jesus nos Evangelhos, mas hoje desejo dar continuidade à nossa meditação em Gênesis 47, seguindo a mensagem da semana passada, para refletirmos sobre a essência do Natal. Embora falar sobre a história de Jacó no Domingo de Natal possa parecer incomum para alguns, considere o título do sermão de hoje: "Emanuel". Dentro deste texto e de seu contexto, flui profundamente a graça de Emanuel — a mensagem central do Natal.

 

O texto de hoje está intimamente ligado a eventos de dezessete anos atrás. Quando Jacó estava deixando Canaã rumo ao Egito, seu coração estava repleto de uma preocupação e um temor indescritíveis. Ao chegar em Berseba, no extremo sul da terra prometida de Canaã, Jacó interrompeu sua jornada e ofereceu um sacrifício a Deus. Naquela noite de hesitação, sem saber para onde ir, Deus apareceu a Jacó em uma visão e lhe deu uma preciosa promessa. Daquela palavra registrada em Gênesis 46 até o momento do texto de hoje, dezessete anos se passaram rapidamente.

 

Naquela ocasião, Deus falou ao ansioso Jacó: “Eu sou Deus, o Deus de seu pai. Não tenha medo de descer ao Egito, porque ali farei de você uma grande nação”. Ele prometeu ainda: “Eu descerei ao Egito com você e certamente o trarei de volta; e a própria mão de José fechará os seus olhos”. Esta aliança fiel tornou-se a âncora de esperança que sustentou o restante da vida de Jacó.

 

O texto de hoje testifica como essa promessa se cumpriu. Os descendentes de Jacó já haviam começado a ser fecundos e a se multiplicar na terra do Egito. A promessa de Deus de "fazer de você uma grande nação ali" tornou-se uma realidade histórica. Além disso, a cena em que o Jacó moribundo chama José para jurar que o enterraria na terra de Canaã demonstra que as palavras "José fechará os seus olhos" e "Eu o trarei de volta" estavam sendo realizadas exatamente como foram ditas.

 

Há apenas uma razão pela qual a família de Jacó pôde prosperar e desfrutar de tal paz: porque Deus declarou: “Eu irei com você”. Esta declaração, “Eu estarei com você”, é o que chamamos em hebraico de "Emanuel". Este mistério maravilhoso — de que Deus está conosco — atravessou toda a vida de Jacó. Em última análise, a fonte de cada bênção que Jacó desfrutou foi o Deus Emanuel que caminhou ao seu lado.

 

A Vida de Jacó e a Promessa de Deus

Reflita por um momento sobre a vida tumultuada de Jacó. Ele entrou em conflito com seu irmão Esaú para tomar a primogenitura e foi forçado a fugir para salvar a própria vida após enganar seu pai. Ele partiu para Padã-Arã, na distante terra de Arã, ao norte. Quando chegou a Betel como fugitivo, Deus lhe apareceu e lhe deu uma promessa. Naquela época, a mãe de Jacó provavelmente pensou que seu filho se esconderia por pouco tempo e retornaria logo — talvez alguns dias bastassem para que a ira de Esaú esfriasse. No entanto, aquela vida em terra estrangeira estendeu-se por vinte anos de provação.

 

Em seu caminho de volta para casa, Jacó experimentou a graça dramática de lutar com Deus no ribeiro de Jaboque e reconciliar-se com Esaú. Depois disso, estabeleceu-se em Canaã por cerca de trinta anos, mas apenas dez anos após seu assentamento, sofreu a dor devastadora de perder seu amado filho, José. Por vinte e dois anos, ele viveu em amarga tristeza, acreditando que José estava morto. Quando Jacó atingiu a idade de 130 anos, tendo suportado uma vida inteira de dificuldades, Deus o guiou mais uma vez — desta vez para o Egito.

 

Se lermos a Bíblia apenas como a história de outra pessoa, ela pode parecer leve; no entanto, aplique isso à nossa própria realidade. Se os idosos entre nós fossem orientados a mudar toda a sua vida para um país estrangeiro e estranho, quem se prontificaria prontamente? Naquela época, Jacó estava no crepúsculo de sua vida, a apenas dezessete anos de sua partida. Quão ansioso deve ter estado seu coração, tendo que deixar seu lar familiar por uma terra estrangeira em sua velhice? Ele deve ter sido dominado por inúmeras preocupações.

 

Naquele exato momento, Deus falou a Jacó: "Ali farei de você uma grande nação". Aqui, "ali" não era a terra prometida de Canaã, mas a terra estrangeira do Egito. Ouvindo isso, Jacó deve ter percebido: "Deus não esqueceu a promessa que fez em Betel. Ele certamente a cumprirá". No entanto, como Abraão ou Isaque antes dele, uma dúvida humana pode ter surgido: "Senhor, por quais meios o Senhor realizará isso?". Não perguntou também Abraão como isso seria possível, olhando para sua própria fragilidade quando lhe foi prometido um filho?

 

Como se estivesse atravessando o coração perturbado de Jacó, Deus respondeu com firmeza e clareza: “Eu descerei com você”. Isso é "Emanuel". Porque existia essa promessa absoluta — de que Ele pessoalmente acompanharia Seu povo e estaria com eles — os descendentes de Jacó puderam desfrutar da bênção de serem fecundos e se multiplicarem, mesmo na terra estrangeira e árida do Egito.

 

O Mistério de Emanuel em Meio ao Sofrimento

Nós já conhecemos a conclusão desta história porque temos o registro de Êxodo. Embora parecessem desfrutar da bênção de serem "fecundos e se multiplicarem", o que aconteceu com eles eventualmente? Mais tarde, todos se tornaram escravos. Neste ponto, devemos fazer uma pergunta. Deus prometeu claramente: "Eu irei com você; Eu estarei com você". Nós respondemos com um "Amém" e ganhamos grande força, mas a realidade que enfrentaram foi a vida cruel da escravidão.

 

Na verdade, o "Deus conosco" que esperamos geralmente não se parece com isso. Se Deus está conosco, esperamos receber tratamento especial no Egito, ou que um líder proeminente surja depois de José para estabelecer uma dinastia. De fato, a história egípcia mostra precedentes como os "Hicsos" — uma dinastia estrangeira. Então, é natural se perguntar: "Por que isso não aconteceu com Israel? Se Deus ajuda, não é inteiramente possível?".

 

Aqui, descobrimos que a frase "Deus está conosco" pode estar desalinhada com nossas expectativas desde o início. Geralmente, quando ouvimos "O Senhor está comigo", pensamos imediatamente em "prosperidade em todas as áreas". Imaginamos Deus cuidando de nossos assuntos para que, embora talvez não sejamos ricos, tenhamos um lar e nossos filhos cresçam pacificamente, sem grandes crises. Pensamos facilmente que, se apenas isso acontecesse, não nos faltaria nada.

 

Eu não sou exceção. Muitas vezes penso que se meus filhos crescerem bem para se sustentarem e se minha esposa e eu pudermos viver sem doenças graves em nossa velhice, isso seria o suficiente. Por que nos contentamos com uma paz tão pequena e mundana? É porque ainda não possuímos algo maior. Pelo que observei, poucas pessoas permanecem inalteradas quando recebem riquezas inesperadas ou poder mundano.

 

Uma Mensagem da Abundância do Egito

O propósito de Deus em estar conosco não é meramente abrir o "caminho confortável" que imaginamos. O Egito naquela época era uma superpotência comparável aos Estados Unidos de hoje. Era uma terra de abundância transbordante. Quando fui pela primeira vez a um seminário nos EUA na década de 1980, a Coreia do Sul estava apenas começando a ter TVs coloridas. Ao ver a velha TV em preto e branco com seletor rotativo passada pelos veteranos, não pude deixar de me maravilhar com a abundância daqui. A América era um lugar onde até os sem-teto tinham acesso a comida que era luxo em outros lugares.

 

O Egito era da mesma forma. Lembre-se de como os israelitas mais tarde reclamaram com Deus no deserto, dizendo: "No Egito comíamos cebolas o quanto queríamos, mas aqui não há nada". O Egito era uma terra tão abundante que eles reclamavam da falta de temperos. Quão confortável deve ter sido viver apoiando-se nessa abundância?

 

Nesse contexto, a mensagem que Deus envia é clara: "Não se apoie no Egito; apoie-se em Mim. Desvie seu coração de amar o mundo e mova-se em direção a uma vida de dependência de Mim". Foi por isso que Ele disse: "Eu estarei com você". É um convite para escolher uma vida caminhando com Deus em vez dos confortos do mundo. Mesmo que Israel não tenha compreendido plenamente o significado profundo, Deus permaneceu fiel à Sua promessa de fazê-los fecundos e multiplicá-los.

 

O Reino de Deus Construído pela Linguagem da Criação

Se você ler Gênesis com atenção, notará que a frase “sejam fecundos e multipliquem-se” aparece com muita frequência. É a "Linguagem da Criação" declarada desde o princípio. Deus deu essa bênção primeiro a Adão e Eva, depois a Noé após o dilúvio e, da mesma forma, a Abraão, o pai da fé.

 

O significado essencial contido nesta palavra é claro. A promessa de que Deus está conosco traz sempre a premissa de uma "vida dependente exclusivamente de Deus". Não se trata apenas de um nível de conforto dizendo: "Eu resolverei todos os seus problemas porque você sofrerá em terra estrangeira". É uma promessa nobre: "Quando você for para lá, viverá uma vida de uma dimensão muito mais elevada do que aqui". Nossa razão para imigrar é semelhante. Porque havia esperança de oportunidade e um novo futuro, a primeira geração de imigrantes estabeleceu-se aqui apesar de todas as dificuldades. De fato, o lugar que enfrentamos agora é materialmente muito próspero.

 

No entanto, a vida de Israel tinha que ser diferente dos padrões mundanos. Embora seja verdade que o Egito era uma terra próspera, a razão pela qual Deus disse “Eu irei com você” foi para que vivessem dependendo de Deus, não daquela prosperidade. Indo um passo adiante, "Emanuel" revela um significado mais profundo. Que Israel prosperasse através da linguagem da criação de Deus sugere que o Egito em que entraram não era mais apenas uma terra estrangeira. Como Deus está com eles, aquele lugar torna-se como o Éden e uma terra prometida em nada diferente de Canaã. Em outras palavras, porque Deus os acompanha, eles podem desfrutar das bênçãos espiriturais do Reino de Deus mesmo no coração do Egito mundano.

 

Emanuel de Restauração e Avivamento

Qual é, então, a verdadeira definição de Emanuel? É saborear a realidade do Reino de Deus dentro deste mundo, confiando inteiramente em Deus. Hoje, muitas pessoas veem o propósito de crer em Jesus como alcançar o sucesso ou o conforto mundano. Elas instrumentalizam Deus para evitar as ondas da vida e, quando as coisas que planejaram correm bem porque Deus cuidou delas, consideram isso uma bênção e sentem-se gratas.

 

Mas a essência de Emanuel não para por aí. O verdadeiro significado de Deus estar conosco reside em retirar nossa dependência do mundo e perceber que Deus é o único em quem podemos realmente nos apoiar. Além disso, Deus promete uma satisfação que o mundo não pode dar, permitindo-nos pré-experimentar a alegria do Reino de Deus mesmo neste mundo cheio de dor e lágrimas.

 

O mundo em que vivemos está repleto de inúmeras tentações e ídolos; ele nunca nos dá as boas-vindas. Israel também passou por estações de tribulação e dor no Egito. Eles pareceram bem-vindos por um momento, mas, na realidade, foi uma sucessão de trabalhos árduos. No entanto, saborear o Reino de Deus naquela terra estéril significa ter fé para confiar que Deus trará finalmente a vitória através de qualquer sofrimento. Quando sofremos ao nos compararmos com os outros e nos desesperamos com nossa situação, o Senhor diz: “Eu serei a sua satisfação eterna”, ensinando-nos o que é realmente a verdadeira paz.

 

A Vida Eterna que nos Cobre

Quando trememos de fraqueza, o Senhor diz: “Eu te cobrirei com o Meu amor”, e mesmo diante da morte, Ele nos protege com a vida eterna. Não importa como o mundo nos ataque ou nos sacuda — mesmo nos momentos em que nossos corações são dilacerados pela comparação e pelo desespero, suspirando: "Qual é o sentido de viver?" — Deus está conosco. Nada neste mundo pode vencer o Deus Emanuel.

 

Nem nossos repetidos fracassos, nem nosso pesado sentimento de desespero podem sobrepujar o mistério de Emanuel. Não se envergonhe de orações que clamam: “Senhor, quando terminará essa dificuldade?”, porque o muro da realidade é alto demais. Olhe para Davi, o grande veterano da fé. Ao longo dos Salmos, ele clamou desesperadamente: “Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre?”. Davi não hesitou em derramar sua dor diante de Deus. Portanto, se você está em profundo desespero agora, tenha a certeza de que o desespero nunca poderá vencer o Emanuel. Nenhum problema que você enfrente pode bloquear a poderosa presença de Deus.

 

No texto de hoje, os últimos dezessete anos que Jacó passou no Egito são resumidos em uma única linha: “Jacó viveu no Egito dezessete anos, e os anos de sua vida foram cento e quarenta e sete”. Enquanto os anos tumultuados que José viveu foram registrados em grandes detalhes, por que esses dezessete anos preciosos da vida de Jacó foram descritos tão brevemente? A Bíblia mostra a situação dezessete anos antes em Gênesis 46 e depois salta sobre esses dezessete anos em Gênesis 47.

 

Os Dezessete Anos de Avivamento e Restauração

No entanto, para Jacó, esses dezessete anos foram fundamentalmente diferentes dos vinte e dois anos anteriores passados em tristeza após perder José. O que Jacó confessou quando encontrou seu filho José novamente? Ele disse: “Agora posso morrer, pois vi pessoalmente que você ainda está vivo” (implicando que ele não tinha mais falta de nada). Em outras palavras, esses últimos dezessete anos de sua vida foram um tempo de bênção, distinto dos anos de sofrimento. Nesse sentido, sinto que a tradução “viveu dezessete anos” não captura plenamente as implicações profundas do texto original. Geralmente, "viver" é facilmente compreendido apenas no sentido físico de permanecer em um lugar específico.

 

Os termos que costumamos usar para "residir" ou "habitar" trazem um forte sentido de residente — permanecer em um lugar temporária ou formalmente. No entanto, a palavra hebraica usada no texto é hayah. Traduzida para o português, significa “viver” ou “existir”. É uma palavra cheia de vitalidade que vai além de meramente permanecer em um lugar.

 

Vamos entender o significado desta palavra mais profundamente através de outro relato sobre Jacó. Para referência, hayah compartilha a mesma raiz que o nome da esposa de Adão, ‘Eva’ (Chavah). O que significa o nome Eva? É “mãe de todos os viventes”. Observe como essa mesma palavra é usada em Gênesis 45:27, na história de quando José enviou carruagens para trazer seu pai.

 

Até então, Jacó estivera em profundo lamento, dizendo a seus filhos: “O que é isso? Podemos realmente deixar esta terra?”. Mas no momento em que viu as carruagens que José enviara, a Bíblia registra que “o espírito de seu pai Jacó reviveu”. Aqui, “reviveu” é hayah. Não significa simplesmente sobreviver biologicamente ou permanecer em um lugar; significa que o espírito que havia morrido voltou à vida.

 

Em última análise, os dezessete anos que Jacó passou no Egito não foram anos passados sentados inutilmente esperando a morte. Durante esse período, ele realmente "reviveu" e "restaurou-se". Ao longo desses dezessete anos, suas feridas profundas cicatrizaram, suas lágrimas secas transformaram-se novamente em um avivamento de vida e, assim como a carne ferida volta a crescer, ele passou por um processo de ser totalmente curado diante de Deus.

 

Emanuel: Um Convite à Satisfação Eterna

Emanuel não significa um estado de simplesmente estar estaticamente ao nosso lado. Não é apenas uma presença passiva dizendo: “Quanto você deve estar sofrendo”, mas uma presença ativa que traz uma história prática de restauração às nossas vidas. A palavra Emanuel, como revelada na história de Jacó, carrega o significado poderoso de nos restaurar, nos reviver e nos trazer de volta à vida.

 

Nesta época de Natal, uma das palavras que mais encontramos é Emanuel. A declaração de que o Senhor veio como Emanuel não é meramente um boletim de notícias de que “Jesus nasceu”, mas uma vontade de salvação para nos resgatar e nos reviver de todo sofrimento fundamental. Assim como Deus deu a Jacó verdadeira satisfação através de Sua presença, quando Jesus Cristo habita em nossos corações, podemos finalmente confessar: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”.

 

Amados santos, vocês estão realmente sem falta de nada apenas com Cristo? Em vez de uma resposta conceitual, exorto-os a contemplar seriamente o peso desta palavra. Temos muitas necessidades para a sobrevivência: empregos, saúde, comida e água. É realmente possível estar satisfeito apenas com Jesus, deixando para trás todas essas deficiências? Pelo contrário, encontro uma sinceridade de fé mais profunda naqueles que lutam profundamente com suas próprias inadequações diante desta questão.

 

Ao longo de toda a Bíblia, o Senhor tem repetidamente dito: “Você tem sede? Eu farei com que nunca mais tenha sede. Eu sou o pão da vida; quem comer de Mim nunca mais terá fome”. A mulher samaritana também falhou inicialmente em captar esse significado espiritual, querendo apenas água viva conveniente para não ter que vir mais tirar água. Hoje, nós também muitas vezes buscamos apenas o pão para suprir nossas necessidades imediatas, dizendo: “Se o Senhor apenas resolver esse problema, nunca mais me preocuparei”. Mas o pão do mundo não pode preservar nossas vidas para sempre. Somente quando recebemos a Cristo, o Pão da Vida, somos transformados em seres que olham para a eternidade. O cerne do Emanuel proclamado pela Bíblia é precisamente nossa restauração para a vida eterna.

 

Progresso Silencioso: O Emanuel que Avança

Até agora, meditamos na graça de Emanuel em três estágios. O primeiro é uma vida de cumprimento da aliança, dependendo inteiramente de Deus; o segundo é a experiência do Reino de Deus, pré-experimentando a vida e a alegria celestiais nesta terra; e o terceiro é a graça da restauração que nos revive e nos cura. Agora, desejo acrescentar mais um significado essencial a isso.

 

Emanuel significa ‘progresso’, não ‘estagnação’. Em Gênesis 46, o capítulo anterior ao nosso texto, Deus prometeu: “Eu certamente o trarei de volta”. Dessa forma, Deus estar conosco significa que Ele nos guia e nos faz mover dinamicamente em direção ao nosso destino.

 

Quando eu era seminarista, havia dois cartazes na parede da biblioteca. Um era “Silêncio”, uma exortação natural para uma biblioteca. O outro era um idioma de quatro caracteres (Saja-seong-eo) escrito à mão pelo então diretor, o Rev. Park Yune-sun: “Progresso Silencioso (沈默精進). As palavras sobre avançar incansavelmente, mesmo no silêncio, permaneceram profundamente em meu coração. O mistério de Emanuel é assim. O Senhor não se limita a ser um ajudante que apenas torce por nós de lado. Ele é o Companheiro que caminha conosco em direção ao objetivo à frente, deixando para trás os arrependimentos do passado.

 

Deus não é alguém que apenas aplaude enquanto nos observa do distante trono celestial. Ele não é um espectador dizendo: “Eu abrirei o caminho, então vá sozinho”. Ele é Aquele que pessoalmente atravessa os obstáculos de nossas vidas e salta para o cerne de nossos problemas para despedaçar essas tribulações. Aquele que não deixa minha vida sozinha, mas vive conosco e progride através da estrada difícil conosco — esse é o nosso Deus Emanuel.

 

A Promessa de Deus que Certamente se Cumprirá

Nós esquecemos muito facilmente este fato maravilhoso. Emanuel não é meramente um grau de cura; é um progresso dinâmico que nos conduz ao nosso destino. Quão maravilhosa é a promessa de que Ele tirará nossas feridas, perdas, dores e lágrimas para nos coroar de alegria, e concederá aos nossos corações uma paz que o mundo não pode dar, em vez de tristeza! Deus prometeu isso claramente para nós.

 

Santos, vocês estão desfrutando desta graça em sua vida? Esta aliança é verdadeiramente sua e você confia nela inteiramente? Se sim, vocês são abençoados que desfrutam das bênçãos espirituais do Reino de Deus no presente e personificam a letra do hino "Prossigo para o Alvo" através de sua própria vida.

 

Acima de tudo, lembre-se do advérbio colocado antes desta promessa. Deus declarou que Ele “certamente” cumpriria todas essas coisas. Como se estivesse carimbando um selo para garantir, Ele enfatizou a certeza da aliança com a palavra “certamente”. Mesmo quando falhamos em perceber esta providência misteriosa e trememos de dúvida e descrença, Deus segura nosso ser trêmulo e diz: “Eu certamente estarei com você. Porque Eu sou Emanuel, o Deus que está com você para sempre”.

 

Alguém que não Pertence ao Egito

Ao chegar ao fim da jornada de sua vida, Jacó chamou seu filho José. Através da revelação de Deus, ele já sabia que seus descendentes eventualmente retornariam para Canaã e também reconheceu que sua própria vida terminaria aqui no Egito pelas mãos de José. Jacó foi além de um simples pedido a José para "me enterrar em Canaã" e exigiu um juramento solene: “Não me enterre no Egito, mas enterre-me no túmulo de meu pai Abraão e de meu pai Isaque na terra de Canaã. Você pode me jurar isso?”.

 

Por que esse pedido desesperado era tão importante? A localização de um corpo após a morte não é a questão fundamental. Na verdade, por causa desse pedido, José mais tarde teve que suportar o trabalho de uma longa viagem de ida e volta para Canaã. A razão pela qual Jacó não fugiu de tal incômodo foi que a mensagem espiritual que ele queria deixar para seus descendentes era muito clara.

 

Jacó queria gravar a seguinte verdade nos corações de seus descendentes: “Mesmo que estejamos ficando aqui no Egito agora, não confundam sua identidade. Nosso destino final não é o Egito. Mesmo que residam nesta terra, vocês não pertencem ao Egito”. Como seus ancestrais antes dele, ele expressou uma poderosa vontade de ser enterrado pela fé na terra prometida. “No futuro, vocês não me encontrarão no Egito. Eu não pertenço aqui, e o Egito nunca poderá me segurar”. Jacó queria imprimir essa grande herança de fé em seus descendentes.

 

As Armadilhas do Mundo que Buscam nos Prender

Lembre-se de quão persistentemente o Egito segurou Israel. Eventualmente, eles os escravizaram, os prenderam e os usaram apenas para seu próprio benefício. Esta é a essência do mundo e o símbolo mostrado pelo Egito. A realidade de hoje não é diferente. O mundo tenta constantemente prender nossos corações aos valores mundanos. Como nos acorrenta com a corrente da riqueza, muitas vezes vivemos presos pela deficiência material ou ganância. Às vezes, nos tenta com a doçura do poder. A emoção de ter outros obedecendo às minhas palavras e movendo situações de acordo com a minha vontade é, de fato, um vício poderoso.

 

Para usar termos bíblicos, o mundo nos prende com a concupiscência da carne e a soberba da vida. O desejo de subir mais alto, o anseio de ser reconhecido pelos outros e a vaidade de buscar elogios nos acorrentam. No entanto, uma servidão mais fatal do que essas é o ‘medo’. O terror de um amanhã opaco nos paralisa. Ansiedades reais surgem: “É bom deixar o Egito, mas como sobreviveremos no deserto agora? Quem nos alimentará?”. Com muita frequência, perdemos nossos corações para o conforto temporário proporcionado pelo Faraó diante de nossos olhos e sucumbimos ao medo do amanhã.

 

O medo do fracasso, a preocupação em ser ignorado ou criticado e o confronto com a dor nos impedem de ser livres. Nesses momentos, devemos recordar a promessa de Deus: “O Senhor certamente os fará subir novamente”. Esta declaração é a poderosa vontade de Deus de quebrar todas as armadilhas do Egito que nos oprimem e nos conduzir à verdadeira terra prometida.

 

A Cruz de Emanuel e o Pão da Vida

O método que Deus escolheu para nos resgatar da armadilha do caçador e nos libertar do trabalho de Faraó foi extremamente paradoxal. Não foi através de um poder esmagador ou autoridade extravagante, mas através de um único cordeiro fraco que parecia não ter capacidade defensiva. O sangue daquele cordeiro distinguiu e salvou o povo de Deus quando o julgamento caiu sobre todo o Egito. Mais tarde, percebemos que o sangue deste Cordeiro Pascal era um sinal sagrado prefigurando o sacrifício de Jesus Cristo.

 

No meio da terra desolada do Egito, onde Deus parecia ausente, Deus estabeleceu a cruz de Jesus Cristo para Seu povo. Aquele era o lugar de habitação do Deus Emanuel. Aquela cruz carregou todo o medo, vergonha, crítica e dor que nós deveríamos carregar. Fosse na crise do Mar Vermelho ou na jornada pelo deserto árido, na verdade foi a graça desta cruz que os protegeu.

 

O Senhor pessoalmente disse: os israelitas comeram maná e beberam água que brotava da rocha no deserto, mas se fossem meramente provisões para saciar a fome física, eles eventualmente teriam enfrentado a morte. No entanto, se tivessem percebido que o maná e a água da rocha eram o Pão da Vida simbolizando Jesus Cristo, teriam desfrutado da vida eterna. Eles deveriam saber que o Messias que tanto ansiavam já havia se tornado seu maná e água viva em suas vidas diárias.

 

Hoje, o Senhor faz a mesma declaração a nós: “Eu sou o Pão da Vida, e Eu sou a Água Viva que brota eternamente”. O Senhor nunca nos deixou por um único momento, caminhando conosco como Emanuel. A razão absoluta pela qual o Egito e o mundo nunca puderam segurar Israel para sempre foi porque Cristo estava com eles. Na presença de Sua existência, o mundo deve, por direito, nos deixar ir.

 

O Emanuel que Vence o Mundo

Sabemos bem quão poderosa é a força do mundo. O mundo, como uma tempestade massiva, avança sobre nós com força esmagadora. Como o exército egípcio perseguindo Israel durante o Êxodo, o mundo nos persegue até o fim para nos empurrar do precipício do desespero. No entanto, o mistério de Emanuel brilha precisamente naquele momento de crise. O Senhor estava conosco naquele lugar mais perigoso e pessoalmente tornou-se a cruz para nos proteger.

 

Quando as potências vizinhas correram para devorar Israel, o profeta Isaías proclamou ousadamente através de Isaías capítulo 8: “Tomem conselho, mas ele será frustrado; digam a palavra, mas ela não subsistirá. Pois Deus está conosco (Emanuel)”. A única razão pela qual Isaías podia estar tão confiante é porque o Deus Emanuel está conosco.

 

Este Emanuel profetizado veio na forma de um bebê para o lugar mais baixo, o lugar sem esperança, no tempo de Deus. “A virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel”. Esta declaração é a confirmação do amor de que Deus estará conosco para sempre.

 

Quem poderia imaginar que o pequeno bebê deitado em uma manjedoura acabaria por carregar toda a nossa dor e derramar as lágrimas que nós deveríamos ter derramado? Quem saberia que Ele Se entregaria inteiramente para carregar nossos pecados e sofrimento, e que Ele nunca nos deixaria — deste momento de adoração a cada respiração que damos? Mesmo quando baixamos a cabeça desapontados conosco mesmos, mesmo quando ficamos chateados com uma vida que não sai como planejado, Aquele que nunca nos deixa até o fim é o Emanuel Jesus Cristo.

 

Vitória e Paz Provadas pela Cruz

O mundo não sabia que por Suas pisaduras fomos sarados, por Seu julgamento desfrutamos de paz e por Sua morte ganhamos a vida eterna. Emanuel é Aquele que dá a verdadeira vitória e descanso a nós, que trememos todos os dias na luta contra o pecado e achamos pesado até mesmo amar ou perdoar um único vizinho.

 

Ele entra em nossas vidas neste exato momento. Se estamos no abismo do desespero, Ele vem a essa profundidade; se estamos no meio da dor, Ele vem a esse sofrimento. O Deus Emanuel torna-Se nossa restauração e avivamento, e o único caminho que devemos seguir. O Senhor não é meramente alguém que fica ao nosso lado, mas alguém que progride conosco. Ele é o companheiro fiel que corre conosco em direção ao alvo do Reino de Deus e promete nos fazer chegar certamente ao fim dessa jornada.

 

O Deus descrito na Bíblia é originalmente Aquele com a majestade das tempestades e vulcões. Quando Ele falou do meio do fogo e das nuvens do Monte Sinai, o povo não ousou nem sequer ficar diante daquele temor santo. Como confessado nos Salmos, Ele é o Soberano de poder que fende os céus e desce para partir o mar e revelar a terra seca.

 

O Deus que Abraça com um Sussurro Suave

No entanto, quando este grande Deus lida com Seus filhos cansados e exaustos, Ele Se torna um Pai extremamente detalhista e caloroso. Aquele que comanda os céus e a terra nos segura calmamente em Seus braços diante de nós, ansioso para que o filho não acorde ou se machuque. Mesmo no meio de uma tempestade violenta, Ele sussurra em nossos ouvidos com uma voz suave: “Eu sou o seu Deus. Emanuel, Eu estarei com você. Eu te amo muito”.

 

Portanto, amados santos, tornem seu esse grande grito de vitória bradado por Isaías e pelos antepassados da fé. Este é o seu privilégio e declaração de direito como santos.

 

Ó mundo, ó feridas do passado que me atormentaram, ó todas as tentações e provações que buscam me abalar, ó minhas lágrimas, desespero e fracassos — soprem com toda a sua força. Ameaçem-me como uma tempestade. Mas vocês nunca me derrubarão. Pois Emanuel, o Deus da Cruz, Jesus o Cordeiro, está comigo neste exato momento!”

 

Oremos

Santo Senhor, em que ponto de nossas vidas estamos nos segurando à cruz? Estamos encontrando o Senhor, que Se tornou Emanuel, pessoal e profundamente? Em vez de confiar plenamente no Senhor que nos faz seguir em frente e nos dá conforto e restauração, ainda estamos presos à nossa própria teimosia e ansiedade?

 

Ó Senhor, faze brilhar a luz de Emanuel em nossos corações. Faze-nos perceber esta bênção gloriosa que nos chegou não por causa de quem somos, mas unicamente por causa do Senhor, e que nossas vidas sejam vidas que desfrutam plenamente dessa graça.

 

Em nome de Jesus Cristo, nosso eterno Emanuel, nós oramos. Amém.

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