João 5:31–37

"Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Há outro que testifica de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que sejais salvos. Ele era a lâmpada que ardia e alumiava, e vós quisestes alegrar-vos por um tempo na sua luz. Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, de que o Pai me enviou." Amém.

 

A Radical Proclamação de ser o Filho de Deus

É difícil para nós compreendermos plenamente que, quando Jesus chamava a Deus de Seu Pai, Ele estava expressando Sua igualdade com o Pai. Naquela época, o povo judeu não ousava sequer pronunciar o nome de Deus. Por exemplo, o nome sagrado 'Yavé', que frequentemente usamos em nossas orações hoje, era uma palavra que eles não se permitiam proferir. Mesmo ao transcrever as Escrituras, se o nome 'Yavé' aparecesse, eles paravam para lavar seus pincéis, a fim de garantir a pureza antes de continuar. Para os israelitas, o nome 'Yavé' era objeto de extremo temor e tremor. Assim, em vez de pronunciar o nome diretamente, utilizavam o termo 'Adonai' como expressão de profunda reverência.

 

Portanto, o fato de Jesus chamar a Deus de 'Pai' foi um impacto indescritível para eles. Os judeus protestaram, dizendo: "Como oas ousais chamar a Deus de vosso Pai e considerar-vos igual a Ele?". A argumentação de Jesus a respeito desta questão é o conteúdo central do texto de hoje. O Senhor descreve a Si mesmo dizendo que o Filho nada faz sem ver o que o Pai faz; o Filho não age por Sua própria conta, mas faz exatamente o que vê o Pai fazendo. Ele também proclama que, assim como o Pai dá a vida, também o Filho a dá, e que o Pai confiou toda a autoridade de julgamento ao Filho. Dessa forma, o Senhor continua a enfatizar, desde os versículos precedentes, que o Pai considera o Filho como igual a Si mesmo.

 

O Testemunho de Jesus e seu Peso Existencial

A palavra 'julgar' é usada em Gênesis 18:25 para indicar que Deus é o Juiz que nos julga. Em última análise, o único que pode nos julgar é Aquele que nos criou, e somente Ele possui o direito de julgamento. No entanto, Jesus declara agora que a própria autoridade de julgamento pertencente a Deus foi transferida para Ele. Para os judeus, a conclusão desta declaração era inequivocamente clara. Sua fúria era: 'Como mataremos este homem? Ele está insultando a Deus de forma blasfema'.

 

Contudo, para nós hoje, esta afirmação muitas vezes não parece particularmente esmagadora. Lemos a Bíblia e simplesmente a aceitamos com calma, pensando: 'Então, foi isso que Jesus disse'. Mas imagine por um momento: um jovem de trinta anos na terra da Judeia, de pé diante do povo, afirmando ser um ser com os mesmos direitos que Deus. Esta é uma proclamação difícil de aceitar — não apenas para os judeus daquela época, mas para nós hoje também. Ele é meramente um jovem na carne e, no entanto, afirma possuir a autoridade que somente Deus detém.

 

Se estas palavras de Jesus são de fato verdadeiras, vós e eu estamos diante de um problema verdadeiramente grave. Por outro lado, se forem falsas, estamos encontrando a maior fraude religiosa da história da humanidade. Muitos lutaram entre essas duas escolhas extremas. Consequentemente, alguns tentaram entender os registros literais da Bíblia como símbolos ou meios de transmitir significados, em vez de aceitá-los como são. Livros que refletem essa perspectiva tornaram-se best-sellers; sua essência é que os registros bíblicos não são fatos em si, mas recursos literários destinados a transmitir certos valores.

 

Por exemplo, suponha que alguém conte uma história no banquete de aniversário de sua mãe para entreter o público, descrevendo algo que a mãe não fez realmente como se ela o tivesse feito. As pessoas simplesmente ririam e aproveitariam a história; ninguém chamaria o orador de lado depois para exigir: "Sua mãe realmente fez isso?". É suficiente que todos tenham passado um tempo alegre juntos para o propósito da celebração. Da mesma forma, visões que sugerem que as palavras de Jesus não são eventos reais, mas expressões literárias e confissões de fé dos discípulos para revelar Sua grandeza, ainda gozam de apoio significativo hoje em dia.

 

A Solenidade das Escrituras ao Lidar com a Vida e a Morte

A tentativa de entender a Bíblia literariamente tem seus méritos ao nos ajudar a descartar uma atitude rígida. Há momentos em que lemos a Bíblia como se estivéssemos lendo um código jurídico, mas a Bíblia é originalmente uma obra literária que contém ricas emoções e contextos históricos. Por exemplo, a expressão "todo o povo da cidade veio ouvir Jesus" não significa que a população foi contada matematicamente — digamos, 2.678 pessoas — e cada uma delas estava presente. É uma técnica literária para transmitir que uma grande multidão da cidade se reuniu.

 

Além disso, a Bíblia não descreve a Terra como girando; ela retrata o sol como nascendo. Isso não significa que a Bíblia seja um livro anticientífico que acredita no geocentrismo. Conflitos passados sobre o geocentrismo surgiram de um mal-entendido sobre a relação entre a Bíblia e a ciência. De fato, crentes e cientistas sábios daquelas eras não foram grandemente impedidos por tais questões. A Bíblia não é um livro destinado a entregar conhecimento científico; é um livro que nos dá a conhecer a vida e revela quem é Jesus Cristo.

 

No entanto, é extremamente perigoso descartar todos os registros bíblicos como meros símbolos literários. Isso ocorre porque há um salto lógico — muitas vezes chamado de 'falácia' — escondido em tal abordagem. Não é razoável colocar uma anedota humorística de uma festa de aniversário no mesmo nível que os registros da Bíblia. Embora qualquer história possa ser apreciada em um banquete, o tema proclamado pela Bíblia diz respeito à morte e à vida e, portanto, possui um peso completamente diferente.

 

Toda afirmação ou analogia deve ser tratada de acordo com a seriedade de seu conteúdo. Embora ninguém peça os fatos por trás de uma história inventada para animar uma festa, se alguém disser: "A propósito, meu tio morreu", no meio de uma conversa agradável, as pessoas ficarão assustadas e perguntarão sobre as circunstâncias. O tema da morte é um assunto grave que nunca pode ser ignorado levianamente.

 

A razão pela qual as palavras de Jesus não podem ser descartadas como mera expressão literária, metáfora ou exagero é precisamente por causa dessa gravidade. O tema com o qual o Senhor lida é a nossa vida e a nossa morte. O Senhor adverte severamente: "Eu julgarei". Isso não é uma piada, nem é uma história que podemos ouvir com um sorriso. Se essas palavras não forem verdadeiras, estamos em um sério dilema. Significaria que Jesus era mentalmente doente ou um megalomaníaco, ou, no mínimo, o apóstolo João, que registrou isso, era uma fraude religiosa. O julgamento não é um tópico para ser discutido por diversão; é, literalmente, uma questão de vida ou morte.

 

Se a mensagem deste poder sobre a vida e a morte, que sustentou a humanidade por 2.000 anos, fosse meramente uma ficção para destacar a grandeza de Jesus, deveríamos desenterrar o túmulo do apóstolo João e pedir contas a ele. Mas se esta é verdadeiramente a verdade, vós e eu devemos tratar estas palavras com mais sinceridade e solenidade do que nunca.

 

A Cruz e a Negação de Si Mesmo como Prova Verdadeira

C.S. Lewis, que foi professor de literatura inglesa na Universidade de Oxford, escreveu em seu livro: "Um homem que fosse meramente um homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Ele seria um louco — no mesmo nível do homem que diz ser um ovo cozido — ou então ele seria o Diabo do Inferno". Isso ocorre porque o tema com o qual ele lida não é leve. Se ele usasse hipérboles em um assunto onde nossa vida está em jogo, seria algo muito maligno. Se a história da vida e da morte fosse registrada apenas como uma técnica para fazer Jesus se destacar, não poderíamos tolerar.

 

Se não fosse verdade, não teríamos escolha a não ser chamar Jesus Cristo ou Seus discípulos de insanos ou fraudadores. No entanto, examinando os registros históricos, eles eram claramente não insanos. Nos muitos registros deixados por Policarpo ou Irineu, discípulos do apóstolo João, não há traço de que João estivesse dominado pela loucura. Pelo contrário, eles testemunham o quanto ele amou os santos até o fim de sua vida e como ele dedicou sua existência a Cristo. Estamos diante da realidade histórica de um jovem que Se proclamou igual a Deus.

 

Jesus chamou a Deus de Pai sem hesitar, e isso criou uma situação tão grave que os judeus pegaram pedras para matá-Lo. Se vós e eu também reverenciamos a Deus, é natural ter o mesmo coração sério. Sobre este assunto, o Senhor apresenta quatro evidências. A primeira é o testemunho de João Batista, a segunda é a obra de fazer a vontade de Deus, a terceira é o testemunho do Pai e a última é o testemunho do Antigo Testamento. Hoje, gostaria de examinar as duas primeiras.

 

No versículo 31, o Senhor diz: "Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro". Logicamente, quem acreditaria em alguém que se intitula Deus? No entanto, estas palavras contêm um significado mais profundo. É uma declaração de que o Senhor, que é Deus, não precisa implorar por evidências de um ser inferior para provar a Si mesmo. Além disso, o Senhor mostra Sua vontade de não se provar através de Seu próprio poder, status ou autoridade. Frequentemente pensamos que as pessoas acreditaram Nele por causa dos milagres que Ele realizou, mas o Senhor não desenvolve Sua lógica dessa maneira. Em vez de dizer: "Olhem para o que faço e saibam quem sou", Ele diz: "As mesmas obras que eu faço testificam de mim, de que o Pai me enviou".

 

Se Jesus tivesse a intenção de provar Sua autoridade, teria transformado pedras em pães quando tentado por Satanás no deserto para ostentar Seu poder. Ele poderia ter saltado de um lugar alto e recebido o serviço de anjos para esmagar o espírito de Satanás. Mas o Senhor não usou a autoridade e o poder de Deus como ferramentas para provar a Si mesmo. Ele sabia que milagres ou a sabedoria das palavras sozinhos não poderiam nos salvar plenamente. O Senhor não era alguém que exercia poder para forçar a submissão.

 

A História da Salvação Aperfeiçoada pela Morte

Jesus teve um ensinamento constante do início ao fim. É o fato de que o propósito para o qual o Senhor veio a esta terra nunca mudou. O Senhor não veio para nos convencer com excelentes ensinamentos ou tentar criar uma bela comunidade, apenas para escolher a cruz como uma opção secundária após encontrar resistência social. A ideia de 'escolher a morte como último recurso para incitar as massas a reformar a sociedade' simplesmente não existia no pensamento do Senhor. O Senhor disse desde o princípio que veio para morrer. Porque Sua morte era essencial para que percebêssemos a verdade. Sem a história do Senhor morrendo e ressuscitando, Seus ensinamentos não têm utilidade para nós.

 

O pluralismo religioso é predominante hoje e, embora seja evidente em uma sociedade democrática que não devemos negar a existência de outras religiões nem depreciá-las, isso não significa que precisamos comprometer a verdade. O cerne do que a Bíblia testemunha sobre Jesus Cristo é Seu método único de entregar a verdade, não apenas a singularidade da própria verdade. Alguns dizem, a respeito do caminho da salvação, que 'o cume da montanha é um só, mas há muitos caminhos para subir'. Este é o resultado de olhar para os ensinamentos de Jesus apenas de forma unidimensional. O ensinamento de "amar os vossos inimigos" ou o espírito de misericórdia existe no budismo também. Por causa da semelhança nos ensinamentos, as pessoas erroneamente acreditam que todas as religiões eventualmente levam ao mesmo destino.

 

Uma figura representativa que não acreditava em Jesus, mas considerava Seus ensinamentos excelentes e tentava segui-los, foi Gandhi, da Índia. Ele não via o cristianismo como significativamente diferente do hinduísmo ou do budismo, e o mundo o reverencia como um dos santos. Mas, irmãos e irmãs, é o caminho que Gandhi mostrou verdadeiramente o caminho da salvação que os seres humanos podem seguir? Embora indivíduos extraordinários apareçam ocasionalmente na história, nem mesmo eles se consideravam perfeitos. Madre Teresa também não se achava um ser humano perfeito. Esta é uma atitude completamente diferente do apóstolo Paulo, que proclamou ousadamente: "Sede meus imitadores". Embora possamos respeitar os ensinamentos dos santos, a Bíblia é clara: ninguém alcançou o lugar de salvação que o Senhor deseja através de qualquer ensinamento superior.

 

Este é um problema verdadeiramente difícil. Deus quer nos encontrar e construir o Reino de Deus conosco. No entanto, não há ser humano que possa perfeitamente guardar e seguir todos os Seus ensinamentos para se tornar um ser capaz de caminhar com Deus. É por isso que Jesus veio. Deus provou através da história de Israel que o ensino por si só não é suficiente. Embora Ele os tenha liderado por 40 anos no deserto e provido diretamente para eles, de modo que seus sapatos e roupas não se gastassem, a humanidade acabou traindo a Deus. Em termos modernos, é como experimentar um milagre onde Deus pessoalmente assume a responsabilidade pelo seu sustento por 10 anos, embora você não faça nada; você não teria então que seguir a Deus com toda a sua vida? Mas a história do Antigo Testamento mostra vividamente que os seres humanos são seres egocêntricos que fazem o que querem em vez do que Deus quer.

 

O Filho de Deus Além dos Limites da Lei

Deus deu a Israel a melhor lei, a Torá. Quando se lê a lei, percebe-se que ela representa os deveres mais belos e bons que um ser humano pode cumprir. No entanto, os judeus usaram o cumprimento dessa lei como seu próprio orgulho e desprezaram aqueles mais fracos que eles, como os cobradores de impostos e as prostitutas. A respeito dessa hipocrisia, Jesus declarou: "Dizeis que não matastes, mas qualquer que insulta seu irmão já é um assassino; podeis ter cometido menos pecados do que outros, mas por causa desse pecado, todos estamos destinados à morte". Esta é a essência do ensinamento do Senhor.

 

Em última análise, o Senhor não veio para nos tornar limpos através da persuasão ou do entendimento. Ele diz: "Digo isto a vós porque sei que não entendereis estas palavras. Mas quando eu morrer e ressuscitar, somente então percebereis o que estas palavras significam, e somente então sabereis o que é a verdadeira liberdade". Esta atitude consistente do Senhor nunca vacilou. Desde o início, Ele não confiou na reputação humana, nem ostentou Sua identidade ou incitou as massas. O que Ele fez foi difícil até para Seus discípulos entenderem. Embora os doze discípulos e muitos seguidores seguissem Jesus, nem uma única pessoa entendeu claramente quem Ele era. Essa é a nossa realidade como humanos frágeis.

 

Contudo, no texto de hoje, Jesus diz: "Eu não testifico de mim mesmo", e ainda assim usa João Batista como exemplo. Olhando para o versículo 33, Ele disse: "Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não recebo testemunho de homem". Por que Ele mencionou o nome de João, apesar de dizer que não aceita testemunho humano? É porque João Batista foi o último profeta do Antigo Testamento cuja missão era proclamar o Messias que viria. No versículo 35, o Senhor o chamou de "lâmpada que ardia e alumiava". João não era a luz em si, mas uma lâmpada acesa por outrem para refletir a verdadeira luz, Jesus Cristo. Esta é a essência do testemunho que João realizou.

 

O Senhor diz que há um testemunho maior do que o de João e, no versículo 36, Ele proclama: "As mesmas obras que eu faço testificam de mim, de que o Pai me enviou". As 'obras' mencionadas aqui não se referem meramente a simples milagres ou excelentes ensinamentos. É a 'obra que alcança a salvação'. Isso porque Ele declarou explicitamente no versículo 34 que a razão para dizer todas essas coisas é "para que sejais salvos". Qual é, então, a realidade da obra que o Senhor realiza? Em João 17, antes de assumir a cruz, o Senhor orou por Seus discípulos, dizendo: "Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me deste para fazer". A evidência decisiva que o Senhor mencionou é o ato de assumir a cruz e morrer por nós. Não a autoridade, o poder ou a força mundana, mas aquela obediência ao enfrentar insultos e a morte na cruz foi a única maneira de provar que Jesus é o Filho de Deus.

 

O Evangelho Livre e a Gloriosa Liberdade dos Santos

A Bíblia não chama apenas o Senhor desta maneira, mas nos coloca diante do mesmo chamado. Embora o Senhor fosse, por natureza, igual a Deus, Ele abriu mão de toda autoridade, desceu a esta terra e obedeceu perfeitamente à palavra de Deus. Filipenses expressa isso como 'esvaziar-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens'. O Senhor não parou em caminhar este caminho sozinho, mas também nos diz: "Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". Este é o cerne da vida cristã para um santo. É muito mais importante perceber o que significa negar a si mesmo diante de Jesus Cristo do que quanta alegria ou quantos milagres incríveis experimentamos.

 

O Senhor negou que era Deus e negou ser aquele que possuía verdadeira autoridade e poder. Porque Ele assim se esvaziou e tomou a forma de servo, o apóstolo Paulo também pôde negar tudo o que tinha, confessando: "Considero tudo como perda". A vida de Paulo não é verdadeiramente incrível? Como sabeis, Filipenses é uma carta que ele escreveu enquanto estava preso. No entanto, o tom de todo o livro é "Alegrai-vos, alegrai-vos no Senhor". De uma perspectiva mundana, ele parece estar em um estado difícil de considerar lúcido. O que ele poderia estar tão feliz no ambiente árido de uma prisão para gritar para as pessoas se alegrarem?

 

Um ponto ainda mais interessante é sua reação quando os santos coletaram uma oferta e a entregaram para ajudar o Paulo aprisionado. Embora Paulo tenha se alegrado com a sinceridade deles, ele também disse firmemente, quase friamente: "Eu sou uma pessoa que não se importa se me dais ajuda ou não". Qualquer pessoa que já ajudou alguém de todo o coração sabe quão decepcionantes essas palavras podem soar. Afinal, eles proveram para ele com toda a sinceridade, e ele responde: "Posso viver sem isso". Mas Paulo imediatamente acrescenta sua verdadeira intenção: "Alegro-me não por causa do dinheiro, mas porque estais participando da obra santa de Deus".

 

A razão pela qual um pastor se alegra quando o tratais é a mesma. Não é simplesmente por causa da abundância material, mas porque o fato de os santos estarem participando do ministério de Deus dessa maneira é precioso. Uma igreja tornar-se grandiosa em aparência não é, por si só, a alegria de Deus. Deus considera louvável que estejamos participando de Sua obra. Deus se agrada verdadeiramente não pelo resultado de um filho ser o primeiro da classe na escola, mas pelo fato de que, através desse processo, o filho orou, buscou a graça de Deus e veio a conhecer o Senhor profundamente. A participação na história de Deus no lugar da vida de alguém é mais importante do que ganhar nome e louvor no mundo. A razão pela qual Paulo podia estar em paz mesmo na prisão era que ele estava verdadeiramente satisfeito. A convicção de que "estou preso na prisão, mas a palavra de Deus nunca está presa" o libertou.

 

A Obra de Deus Sobrepujando o Meio Ambiente

Amados, cada um de nós está construindo sua vida aqui em uma terra estrangeira. Alguns de vós podem ter encontrado alguma estabilidade, mas outros podem ainda estar lutando com o peso da vida, achando cada dia penoso. Nesta profunda recessão, pode haver momentos em que desejais desistir de tudo. Nossa carne e circunstâncias podem parecer como se estivéssemos presos em todas as direções, como Paulo na prisão. Mas lembrai-vos: embora possais estar presos pelo vosso meio ambiente, a palavra de Deus nunca está presa.

 

A promessa de que Deus vos ama não está presa a nenhum sofrimento, e a liberdade celestial que Ele vos concedeu nunca será aprisionada. O plano de salvação de Deus para vós nunca é interrompido, e o Reino de Deus que Ele eventualmente alcançará em vossa vida não pode ser bloqueado por nada neste mundo. Embora a realidade que enfrentamos seja cansativa e dolorosa, se o Reino de Deus está se expandindo através da nossa fraqueza, e se confiamos que a palavra de Deus livre acabará por triunfar, podemos ser gratos.

 

Meditemos profundamente mais uma vez sobre o que estamos vivendo. Se estais vivendo não pela ilusão do sucesso, mas com o propósito de que a obra de Deus seja cumprida através de vossa vida, não há razão para ficar frustrado. Isso porque a verdadeira alegria de nossas vidas vem apenas da história de Deus intervindo nelas. Embora muitas coisas não saiam como desejamos, o bom plano de Deus para nossas vidas certamente se cumprirá.

 

Portanto, tende bom ânimo. Não sucumbais nem caiais diante do vosso meio ambiente. Deus está vivo, e Sua palavra nunca está presa. Embora possamos parecer carentes e fracos, nosso Senhor nunca é carente. A palavra livre do Senhor vos salvou, e o rico fruto dessa salvação será magnificamente aperfeiçoado através de toda a vossa vida.

 

Oremos.

Amado Senhor, quem somos nós para que nos concedais tão grande amor? Nós nem sequer sabemos como amar-Vos plenamente, mas Vós constantemente falais de amor para nós. Parecemos como aqueles que caem todos os dias, presos pelo nosso meio ambiente, mas o apóstolo Paulo confessou ousadamente: não é o poder e a autoridade mundana que nos provam. Assim como Jesus provou a Si mesmo não pelo poder, mas pela morte, possamos nós também viver segurando a palavra do Senhor que nunca está presa, mesmo que estejamos presos pelas nossas circunstâncias.

 

Ó Deus, agradecemos-Vos porque o Vosso amor não está preso a nenhuma situação. Agradecemos-Vos porque a graça que nos consola não está presa, de modo que transborda. Louvamos-Vos porque a mão forte de Deus que nos segura nunca está presa. Embora o ambiente diante de nossos olhos seja estarrecedor, cremos que a mão de Deus não descansa e o Vosso plano certamente se cumprirá. Por causa dessa convicção, nossas vidas ainda valem a pena ser vividas. Se um Deus tão precioso governa nossas vidas, viveremos perdoando, amando e dando graças em todas as coisas, seguindo o exemplo de Jesus Cristo na cruz. Espírito Santo, por favor, ajudai-nos.

 

Oramos em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.

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