Hebreus 11:21-22.

 

"Pela fé, Jacó, à morte, abençoou cada um dos filhos de José e adorou, apoiado na extremidade do seu bordão. Pela fé, José, próximo do seu fim, fez menção da saída dos filhos de Israel e deu ordens a respeito de seus ossos." Amém.

 

O Funeral de José e a Oculta Providência de Deus

Estamos estudando juntos o livro de Gênesis. Gênesis termina essencialmente com a história de José e, hoje, lemos um trecho do Novo Testamento, no livro de Hebreus, onde se registra o desfecho da história de José. Irmãos e irmãs, José partiu deste mundo no auge de sua vida. Sendo assim, como teria sido o seu funeral? Considerando o funeral de Jacó, que o precedeu, podemos imaginar o quão grandioso e magnífico deve ter sido o de José. Provavelmente, o próprio Faraó, junto com todos os ministros e todo o povo do Egito, reuniu-se para realizar uma cerimônia monumental.

 

Entretanto, curiosamente, a Bíblia — que registrou o funeral de Jacó com tantos detalhes — silencia sobre o funeral de José, que sem dúvida teria sido ainda mais espetacular. O funeral de Jacó serviu como um marco, mostrando aos seus descendentes, os israelitas, como a promessa de Deus se cumpriria ao ser sepultado na Terra Prometida. Por outro lado, o funeral de José, ou melhor, o seu fim, aponta para a história que se segue. Isso porque deveria demonstrar que José e seus descendentes prosperariam no Egito segundo a vontade de Deus, mas que, finalmente, retornariam juntos para a Terra Prometida. Portanto, em vez de registrar elaborados procedimentos fúnebres, a Bíblia foca no último testamento de José.

 

A Bíblia registra a parte mais significativa da vida de José no Novo Testamento apenas uma vez, centrando-se nas últimas palavras que lemos no texto de hoje. Embora a vida de José seja tratada profundamente no Antigo Testamento, este é o único lugar no Novo Testamento que destaca seus momentos finais. Enquanto a história de Jacó termina com a grande cena da bênção aos seus filhos, a história de José conclui com uma confissão de fé deixada pouco antes de sua morte. Em outras palavras, o ponto central da fé que a Bíblia enfatiza na vida desses dois homens é diferente.

 

A Prosperidade no Egito e a Mudança de Esperança em Direção a Canaã

Ainda assim, resta-nos uma pergunta: Por que foi dado a José tal papel? José viveu na terra estrangeira do Egito por 93 anos. Os antepassados da fé registrados na Bíblia — Abraão, Isaque e Jacó — foram todos indivíduos que fizeram da promessa de Deus o centro de suas vidas. José, no entanto, parece alguém que tentou esquecer Canaã.

 

Contudo, durante sua jornada, José se reuniu com seus irmãos e seu pai, Jacó. Através de uma série de eventos, ele percebeu onde residia verdadeiramente a vontade de Deus e chegou a mudar sua esperança. Como era o coração de José originalmente? Quando Efraim nasceu, ele confessou: "Agora serei fecundo neste lugar". Naquela época, seu destino era o Egito. Tendo recebido a graça de Deus, ele pensou que esqueceria seus irmãos, esqueceria seu sofrimento passado e até esqueceria Canaã e a casa de seu pai. Ele acreditava que Deus o estava fazendo prosperar ali mesmo, no Egito.

 

Deus ainda estava em sua confissão, mas, contrariamente aos pensamentos de José, Deus o trouxe de volta para seus irmãos e Jacó. Nesse mesmo ponto, José percebeu mais uma vez o que era mais importante em sua vida e onde residia a verdadeira vontade de Deus.

 

De fato, o que José compreendeu não foi simplesmente algo no nível de "a terra de Canaã é importante". Muitas vezes, a primeira coisa que pensamos ao crer em Jesus é como ir para o Reino de Deus, ou para o Céu. Isso até gerou a expressão "Creia em Jesus e vá para o Céu", mas essa expressão é apenas uma forma extremamente reduzida de descrever a salvação da qual Deus fala.

 

Existe uma vasta jornada espiritual entre crer em Jesus e chegar ao Céu. Há uma riqueza de conteúdo para explicar sobre o que é o Céu, quem é Jesus e o que significa viver pela fé. Se a totalidade da salvação fosse meramente "ir para o Céu, desde que você frequente a igreja", a escolha de José teria sido diferente.

 

Se José realmente tivesse compreendido apenas a importância da terra de Canaã em si, ele teria buscado ir para lá imediatamente após sua morte, assim como Jacó fez. Ou talvez tivesse levado toda a sua família para Canaã antes de morrer — se a terra de Canaã fosse o destino final. Mas, para José, Canaã tinha um significado além de um simples lugar físico para onde ir após a morte. Se Jacó é uma figura que nos mostra onde está o nosso destino, José é a pessoa que nos mostra como Deus nos guia até alcançarmos esse destino.

 

A Restauração do Éden e uma Vida em Preparação para o Reino de Deus

Ele sabia duas coisas claramente. Primeiro, a promessa de Deus de que "Israel seria fecundo e se multiplicaria no Egito". José estava certo de que isso aconteceria sem falta. Todos vocês, lembram-se de onde começou a frase "sede fecundos e multiplicai-vos"? Começou no Jardim do Éden. Portanto, a promessa de que prosperariam na terra do Egito carrega um significado espiritual além de um mero aumento biológico da população; significa que a restauração do Éden começaria no meio do Egito. José estava observando como Deus alcançaria a restauração do Éden através do mundo, especificamente através do Egito.

 

O segundo ponto era a certeza de que "certamente retornareis à terra prometida". Essas duas promessas eram realidades inabaláveis para José. Portanto, para José, Canaã não era apenas uma terra física para a qual retornar ao fim de sua vida. Canaã era o destino final apresentado por Deus e, porque esse destino era claro, José tornou-se um sinal mostrando como devemos nos preparar e viver nesta terra do Egito.

 

Agora, o povo de Israel começará a experimentar seriamente o que significa a restauração do Éden na terra do Egito. Eles aprenderão o verdadeiro significado de viver dentro de Deus e, ao mesmo tempo, experimentarão pessoalmente o que significa esperar pelo Reino de Deus enquanto atravessam perseguições e dificuldades no mundo. Eles acabaram de entrar nos estágios iniciais dessa grande jornada.

 

O livro de Hebreus hoje nos enfatiza o que significa viver de acordo com a promessa de Deus e como devemos vivê-la. Agora somos aqueles que conhecem a promessa de Deus. Cremos em Jesus Cristo, aceitamo-Lo como nosso Salvador e Senhor, e se vivermos com o Senhor como nossa vida, temos a certeza de que o Reino da Vida Eterna está preparado para nós.

 

Hebreus explica esse fato desta maneira: "Existe um reino de vida eterna. Se é assim, porque esse reino existe, como viveremos hoje com o Deus que nos conduz a esse destino?". A vida de José nos coloca essa questão fundamental para nós que vivemos hoje.

 

O Desfecho de Gênesis e a Esperança da Ressurreição que Vence a Morte

Irmãos e irmãs, sob esta perspectiva, a história de José não se limita mais a uma mera biografia pessoal. José, deitado em um caixão, representa essencialmente a totalidade de Gênesis. Reflitam sobre Gênesis e lembrem-se de como a promessa dada por Deus transformou a vida de José e de Israel. E ouçam a mensagem que José está entregando de dentro daquele caixão.

 

Como começou o Gênesis? Começou com um homem no Jardim do Éden, vivendo na presença de Deus e caminhando com Ele. Como termina? Termina com um homem deitado em um caixão, mas que ainda anseia fervorosamente pela presença de Deus e por viver com Ele. Se meditarem profundamente, José, colocado neste caixão, representa da maneira mais perfeita toda a jornada de Gênesis.

 

A razão é que o estado de José demonstra vividamente as amargas consequências do pecado. Lembram-se do que aconteceu imediatamente após Adão e Eva serem expulsos do Éden? Foi a tragédia de Caim e Abel, onde um irmão matou o outro. Mesmo quando chegamos à história de José, essa tragédia não mudou. José também quase morreu nas mãos de seus irmãos. O evento de Caim e Abel não foi uma história enterrada no passado; ainda se repetia nos tempos de José.

 

Assim como Caim descaradamente cobriu seu pecado e falou com audácia diante de Deus, os irmãos de José tentaram esconder seus pecados com mentiras. Devido àquela ferida profunda de ódio, José tentou esquecer seus irmãos. Apesar de receber a graça de Deus, parece que a melhor conclusão a que ele pôde chegar foi simplesmente 'apagar' as memórias dolorosas.

 

De uma perspectiva humana, poderíamos dizer: "Você já fez o suficiente. O que essas pessoas têm a ver com você? Basta que apenas você viva bem agora". Se conhecêssemos alguém em uma situação como a de José, poderíamos ter aconselhado: "Esqueça o passado. Você tem sucesso agora, então apenas viva bem aqui para mostrar a eles".

 

Mas os pensamentos de Deus são verdadeiramente diferentes dos nossos. Ao fazer com José enfrentasse seus irmãos, que eram como inimigos, Deus lhe ensinou o que é o verdadeiro perdão. Ele permitiu que soubesse qual era a vontade de Deus e como a história de Deus flui. Como resultado, José tornou-se um instrumento de salvação que não apenas salvou a si mesmo, mas também seus irmãos e inúmeras vidas, e a Bíblia testifica claramente dessa grande providência.

 

A Essência da Promessa de Canaã e a Cidade Eterna de Deus

Mesmo reconhecendo a providência de Deus, ainda enfrentamos a terrível realidade do pecado. Isso ocorre porque José também está agora deitado em um caixão. A morte. A morte finalmente engoliu José, que desfrutava do maior poder, riqueza e honra daquela época. É como se a morte estivesse dizendo friamente a ele: "José, você também não pode escapar da morte".

 

Como José respondeu a esse fato cruel? Lembrem-se do testamento que ele deixou pouco antes de sua morte: "Levai os meus ossos daqui para Canaã". Essas palavras são uma magnífica confissão de fé, dizendo: "Não sou alguém preso pela morte, mas alguém que pertence a Canaã, a promessa de Deus".

 

Qual é, então, a essência de Canaã sobre a qual Deus falou constantemente a Israel? Havia algum tesouro especial escondido naquela terra? É porque tudo se resolve automaticamente assim que você chega lá? Pensem na jornada do Êxodo. Quando finalmente alcançaram a fronteira de Canaã, a reação deles foi de desespero. Disseram: "Somos como gafanhotos, certamente morreremos nas mãos deles". Canaã era uma realidade aterradora.

 

A razão pela qual Canaã é preciosa não é porque haja algo grandioso na terra em si, mas porque Deus está com eles ali. Canaã é uma terra que simboliza o descanso eterno de Deus, a 'restauração do Éden'. Ela aponta para o reino onde desfrutamos da vida eterna com o Senhor. Embora José tivesse certeza de que sua alma estaria com Deus após a morte, a razão pela qual ordenou especificamente que seus ossos fossem movidos foi que ele tinha em mente a ressurreição do corpo. Ele queria testificar do Reino de Deus, onde Ele salvará não apenas a alma, mas também o corpo, permitindo-nos viver com o Senhor para sempre.

 

José clama diante da morte que tenta quebrantá-lo: "Não, esta Canaã, a promessa de Deus, quebrará o teu poder, ó Morte. Eu tenho o meu Deus que tem uma autoridade mais forte que a morte, e Ele me promete o reino da vida eterna". Isso não é meramente sobre ganhar um território melhor. Deus está tentando mostrar o reino eterno através de Canaã. Isso é exatamente o que o autor de Hebreus está nos dizendo. Ele testifica que os homens de fé viram que este mundo não era seu destino final e que até Canaã era um sinal apontando para a cidade celestial.

 

Esta é também a razão pela qual Abraão viveu como um estrangeiro. Se a terra em si fosse o objetivo, ele teria protestado: "Deus, por que o Senhor não me dá a terra de Canaã que prometeu?". Mas Abraão valorizou a 'semente (descendente)' que Deus prometeu mais do que a terra. Não era que a terra não fosse preciosa, mas porque ele compreendeu que a terra não era um lugar permanente para ficar. Como a Bíblia testifica, ele olhou para a cidade eterna e confessou-se como um 'estrangeiro'.

 

Essa compreensão não foi algo que Abraão obteve por si mesmo. Foi ensinado por Deus através do longo processo de treinamento: movendo-se entre Canaã e Egito, sendo rejeitado e tendo que viver sem possuir um único hectare de terra. "Ah, até esta Canaã não é o destino final". Ele veio a saber que, embora fosse a terra que Deus prometeu e uma herança que certamente seria dada, ele era um ser vivendo como um estrangeiro em direção a uma pátria melhor.

 

A Realidade da Fé e uma Vida Escatológica que Decide o Hoje

Portanto, encontramo-nos reconsiderando o significado da frase "viver pela fé". Viver pela fé não termina com o saber que o Reino de Deus é o meu destino final. Esse reino não significa apenas algum lugar futuro vago a ser alcançado após a morte. Pelo contrário, o Reino de Deus torna-se um padrão claro que decide como eu viverei hoje.

 

Certamente, o Reino de Deus é um reino que desfrutaremos plenamente no futuro. É um lugar onde não há doença, nem pecado, nem ódio; apenas amor transbordante. No entanto, esse reino não termina conosco simplesmente olhando para ele de longe e dizendo: "Ah, é ali". Quanto mais sabemos verdadeiramente o que é esse reino, e quanto mais compreendemos o que significa viver com Deus, mais as nossas vidas hoje são transformadas.

 

Para ser mais preciso, à medida que passamos a conhecer quem são Deus o Pai, Jesus Cristo o Filho e o Espírito Santo, a própria maneira como vivemos hoje muda. Chamamos a isso de uma "vida escatológica" — uma vida onde a nossa esperança no Reino de Deus remodela praticamente as nossas vidas no presente.

 

Talvez a parte mais frágil da nossa fé resida aqui. Muitas vezes tentamos limitar a nossa fé ao que podemos entender, ao que achamos aceitável ou ao que podemos alcançar pelas nossas próprias forças hoje. Pensamos que só podemos viver o tanto quanto sabemos agora.

 

Mas esse não é o caso. A sua fé e a minha nunca são construídas apenas sobre o conhecimento que alcançamos hoje. A fé não é mantida apenas pela compreensão de hoje. O conhecimento do reino eterno e o poder do reino de Deus estão nos moldando em quem somos hoje. Mesmo neste exato momento, esse poder está nos moldando e nos formando. Esta é uma realidade espiritual inegável.

 

A Fé é a Certeza das Coisas que se Esperam, a Convicção das Coisas que não se Vêem

Realizamos reuniões de oração matinais todos os sábados porque desejamos orar junto com a nossa congregação. Como alguns podem ainda não estar cientes dessas reuniões, menciono isso hoje também como um anúncio.

 

Após a reunião de oração, compartilhamos um café da manhã simples juntos. Na semana passada, todos ficamos surpresos com a abundância de comida preparada. Tivemos muk-sabal (sopa fria de gelatina de bolota). Fazia tanto tempo que eu não provava; a minha memória da última vez que comi na Coreia é bastante vaga, mas pude comer aqui.

 

Como sabem, o muk-sabal é um prato feito misturando gelatina de bolota com diversos vegetais frios, despejando caldo e adicionando guarnições. Enquanto compartilhávamos aquela refeição, entabulamos diversas conversas à mesa. Então, embora eu não tenha certeza de quem começou, surgiu esta pergunta: "Qual é o seu versículo favorito da Bíblia?".

 

Um de nossos presbíteros então falou: "Amo todas as palavras da Bíblia, mas Hebreus 11:1 me comove especialmente. Mesmo agora, toda vez que leio esse versículo, ele realmente aquece o meu coração". É um versículo que todos conhecemos bem: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem".

 

Então o presbítero seguiu com uma pergunta: "Pastor, mas o que exatamente significa a 'certeza' (substância) mencionada ali?". Por coincidência, a passagem que iríamos compartilhar hoje era de Hebreus. Por isso, não disse nada naquele momento, pois não deveria revelar o cerne do sermão de hoje antecipadamente. De fato, essa pergunta estava muito estreitamente ligada ao texto de hoje.

 

O significado da palavra 'certeza' (substância) torna-se relativamente claro quando olhamos para diferentes traduções. Na Bíblia coreana, a versão Gaeyeok-Gaejeong a traduz como 'substância' (realidade), enquanto a Sae-beon-yeok a traduz como 'convicção'. Ambas as traduções são, na verdade, plausíveis. Para expressar o significado de maneira mais simples, é isto: "Existe algo que espero — o reino eterno e as coisas eternas. A fé significa que, embora o que espero ainda não seja visível, é tão real e verdadeiro como se estivesse diante dos meus olhos".

 

Ao mesmo tempo, podemos dizer: "É o próprio fundamento da minha fé e da minha convicção". Em outras palavras, a fé não é uma expectativa vaga; é uma realidade (substância) que já nos foi dada, mesmo que ainda não seja vista, e é uma convicção clara que nos permite viver o dia de hoje.

 

A Convicção do Crente ao Confiar Além da Realidade Visível

Em última análise, o que isso nos permite ver fica claro no caso de José. Ele vivia na terra visível do Egito e detinha um poder visível. No entanto, viveu apegando-se às coisas que não se viam — as coisas que esperava — em vez das coisas visíveis. O que era que ele esperava? Por cerca de 70 anos depois que conheceu Jacó, o que ele ansiava era Canaã, a promessa de Deus.

 

Essa promessa tornou-se uma realidade para ele. Essa promessa tornou-se a sua convicção. Portanto, no que ele confiou não foi no Egito presente, nem no poder que estava desfrutando. Amigos, pensem no quão difícil é isso. É algo extraordinário que uma pessoa na posição mais alta de seu tempo — não apenas uma pessoa comum — não confie nas coisas grandiosas que possui, mas confie no que espera e confesse que essa é a verdadeira substância e realidade.

 

Quando falo sobre isso, muitas pessoas dizem: "José podia pensar assim porque a sua fé era excepcional. Pastor, para mim, as contas de pagamento imediato são mais uma 'realidade'. O aluguel que chega todo mês, essa é a realidade. A conta que vejo toda vez que pago o seguro — essa é a minha realidade. Se Deus apenas pagasse para mim ao menos uma vez, então eu poderia dizer 'Deus é a certeza das coisas que não se vêem', mas isso nunca aconteceu, e estou lutando toda vez para pagá-las. A vida não é fácil. O que é exatamente essa 'certeza' de que o senhor fala?".

 

Concordo 100% com essas palavras. É verdade que o que é visível para nós é a nossa realidade. Quem poderia negar isso? Mas a minha pergunta é esta: Tudo bem. O que você vê parece ser a substância. Então, deixe-me perguntar: Os números que você vê, os pagamentos, a casa e o carro visíveis, o dinheiro em sua conta de poupança ou o seu trabalho — você tem certeza de que eles são o seu tudo? É só isso que existe? É essa, verdadeiramente, a sua vida?

 

O dinheiro que você tem, a sua vida no trabalho e todas as coisas visíveis do mundo são verdadeiramente a totalidade da sua vida? Você tem certeza?

 

Sabe quem é um crente? São pessoas que não podem ter certeza dessas coisas. "Ah, não é isso. Não posso viver apenas disso". As pessoas do mundo desejam essas coisas, perseguem-nas e, eventualmente, perdem-se nelas. Mas o crente diz: "Não posso fazer isso. Não é suficiente apenas com essas coisas". Se as coisas visíveis fossem tudo, ser rico seria o objetivo final da vida; se a honra fosse tudo, chegar à posição mais alta seria tudo o que importa. Mas não. Isso não é tudo.

 

Pelo contrário, passamos a dizer: "Em vez de invejar essas coisas, invejo a graça de Deus. É incrível para mim que eu tenha um coração que queira conhecer a Deus. É fascinante que eu saiba que isso não é tudo". E quanto a você? Pessoas que confessam a Deus não podem, surpreendentemente, viver depositando a sua confiança total apenas nas coisas visíveis deste mundo. De fato, mesmo aqueles que não conhecem Jesus sentem vagamente que o mundo não é tudo, mas ainda assim vivem como se fosse. Nós sabemos com mais clareza.

 

É claro que vocês e eu muitas vezes vacilamos. Sabemos muito bem que somos fracos. Quantas vezes o mundo parece ser tudo? Por causa disso, ficamos desconfortáveis e cansados, e vacilamos toda vez que parece que o mundo resolverá todos os nossos problemas. Mas, nesse exato momento, sempre ouvimos a palavra de Deus em um lado do nosso coração: "Sério? Você pode realmente viver dependendo disso? Isso realmente resolverá tudo?". Junto com essa pergunta, outra confissão surge dentro de nós: "Não. Preciso de Deus. Preciso de Ti". Mesmo em momentos em que tudo parece perfeito, é assim. O marido tem um bom emprego, os filhos crescem inteligentes e saudáveis. Os pais vivem sem grande dificuldade na velhice, não há doença e o lar parece pacífico e feliz.

 

Mas, nesse exato momento, aquela irmã confessa aquele hino: "Preciso de Ti, oh, preciso de Ti". Por quê? É porque, graças a Deus e graças a Jesus Cristo, sabemos que as nossas vidas não podem ser satisfeitas apenas por essas coisas.

 

Aqueles Chamados Primeiro Entre os Heróis da Fé

Para mostrar a vocês o quanto Deus os ama e o quão maravilhosamente Ele os está tratando, oferecerei apenas esta prova.

 

Por favor, abram Hebreus 11. Vejam o versículo 1. "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem". Depois, o versículo 2 diz: "Pois, por ela, os antigos obtiveram bom testemunho". Até aqui, é um conteúdo que conhecemos muito bem. Mas, por favor, prestem atenção ao versículo 3. Se realmente captarmos o significado do versículo 3, não poderemos deixar de ser tomados por uma grande emoção.

 

Leiamos o versículo 3: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o que se vê não foi feito de coisas visíveis". O versículo 3 começa com a declaração "Pela fé". Depois, o versículo 4 também começa com "Pela fé" e apresenta Abel, o homem de fé. É por isso que comumente chamamos Hebreus 11 de a "Galeria da Fé", pensando na lista de heróis que inclui Abel, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José e Moisés.

 

Mas sabem quem é mencionado primeiro entre esses formidáveis guerreiros da fé? É Abel? Ouçam atentamente o versículo 3 mais uma vez: "Pela fé, entendemos 'nós' que o universo foi formado pela palavra de Deus". Quem aparece? Somos 'nós'. Menciona a nós antes mesmo de Abel.

 

Deus colocou o nome de vocês no topo da lista dos guerreiros da fé. Por que Ele faria isso? Porque vocês são aqueles que não apenas olharam para a promessa de Deus de longe, mas realmente conheceram Jesus Cristo, o Salvador que redimiu as suas vidas. Porque são seres que ganharam uma nova vida através de Cristo e vivem por causa d'Ele.

 

A Bíblia registra que os antigos que seguem "obtiveram testemunho, mas não alcançaram a promessa". Em outras palavras, eles foram os que viveram antes de Jesus Cristo vir, esperando pelo Cristo que havia de vir. Mas quem somos nós? Somos pessoas que vivem vidas de confirmação, olhando para trás para o Cristo que já veio. Sabemos como realidade que o Senhor morreu por mim e que passei a viver por esse poder.

 

Nós somos aqueles que são sustentados e guiados por Jesus Cristo, vivendo com Ele e desfrutando dessa promessa. Embora caminhemos pela mesma senda de fé que os antigos do Antigo Testamento, Deus nos colocou no assento da frente, o 'Número Um', nesse ranking da fé. Já que Deus nos está tratando com tal honra, nunca devemos perder o nosso coração por outras coisas ou nos distrair. Nós somos aqueles que devem viver este exato momento, unicamente pela fé.

 

O Poder da Fé na Ressurreição que Esmaga a Morte

Esta é a razão pela qual José, deitado em um caixão, pôde deixar uma confissão tão ousada. "Declaro pela fé. Onde vivo agora não é o Egito, mas o país que anseio — o Reino de Deus, o reino da ressurreição e da vida. Portanto, levem os meus ossos para a Terra Prometida". Este mandamento não é meramente um pedido para realocar os seus restos mortais. Embora o seu corpo tenha enfrentado a morte no Egito, ele estava declarando que não era um ser sujeito à morte, mas que pertencia apenas à vida eterna.

 

Em última análise, José neutralizou o poder da morte através da fé. A fé é o poder que nos desperta de estarmos possuídos pela realidade visível, permitindo-nos perceber que as coisas visíveis nunca podem nos governar e que não são a totalidade das nossas vidas. A confissão final de José é como uma proclamação: "Morte, o que tentas engolir é apenas a aparência, não o meu verdadeiro eu. Pelo contrário, tu é que enfrentarás a morte". Paradoxalmente, a morte que se aproxima de um crente é o evento onde a própria morte perece. Porque a nossa verdadeira existência está dentro daquela vida eterna onde desfrutamos da vida para sempre com Deus.

 

Depois que José faleceu, fluiu um longo período de 400 anos. Em Êxodo 13, aparece este registro: "Moisés levou consigo os ossos de José, porque este havia feito os filhos de Israel jurar solenemente, dizendo: Certamente, Deus vos visitará; daqui, pois, levareis convosco os meus ossos". Mesmo depois de passados 400 anos, Moisés e Israel não esqueceram o testamento de José. Foi porque sabiam que a promessa que José ansiava não era apenas um legado do passado, mas uma 'realidade' presente que lhes dava vida e lhes mostrava o caminho a seguir.

 

Porque estavam certos de que a vontade de Deus se cumpriria através deles, as suas vidas mudaram e eles percorreram o caminho do deserto seguindo essa fé. Finalmente, o livro de Josué testifica do cumprimento dessa promessa ao registrar que os ossos de José foram sepultados na terra que Jacó havia comprado. Desde o dia em que conheceu Jacó e compreendeu a promessa de Deus, José viveu uma vida cativada pelo plano, vontade e promessa de Deus por mais de 70 anos.

 

Transformação em um Novo Ser Cativado pelo Reino de Deus

Vocês também conheceram o Senhor. Antes de vocês, os discípulos de Jesus também conheceram o Senhor dessa maneira. Naquela época, o Espírito Santo veio sobre eles e ficaram cativados pelo reino eterno. Pelo que exatamente ficaram cativados? O que capturou os seus corações foi Jesus Cristo em pessoa, que é o Reino de Deus, e o gozo e o poder que o reino concede. Uma transformação maravilhosa, na qual o Reino de Deus mudou completamente as suas vidas inteiras, apoderou-se deles.

 

Não é que todos os discípulos saíram por toda parte para pregar o Evangelho como apóstolos. No entanto, viveram de maneira diferente do que faziam antes ao trabalhar em casa, em seus empregos ou ao conhecer pessoas. Não importava se o seu status era de escravo ou senhor, homem ou mulher, velho ou jovem. Porque para qualquer um que conhecesse Jesus Cristo, o Reino de Deus já havia começado em seu interior.

 

Eram pessoas capturadas pelo Reino de Deus. Começaram a sonhar os sonhos de Deus em vez das ambições pessoais que um dia tiveram. Esse sonho não era apenas uma vaga ilusão futura, mas a convicção de que estavam vivendo a grande realidade do 'Reino de Deus' aqui e agora. Foi porque finalmente perceberam que se haviam tornado aqueles que vivem pela fé.

 

Esta é também a razão pela qual a vida cotidiana dos discípulos teve de mudar. É claro que eles também tiveram dias difíceis e escuros, e houve provações que podiam esgotar todo o seu coração e as suas forças. Quantas vezes até o apóstolo Paulo sentiu-se desanimado diante de provações inesperadas? Teve de fugir muitas vezes e sofreu muitas privações. No entanto, Paulo nunca desistiu e confessou até o fim que Deus estava com ele.

 

Como isso foi possível? Sabemos bem o quão fraco Paulo se tornara. Ele até chegou a dizer: "Senhor, agora sinto que estou morrendo". A razão pela qual ele, que estava tão exausto, pôde levantar-se novamente nunca foi a sua própria capacidade. Foi porque o Reino de Deus estava com ele. Deus não é alguém que fica longe e apenas acena, dizendo: "De agora em diante, venha a mim com as suas próprias forças". Paulo sabia profundamente o quão gloriosa era uma vida quando o Espírito Santo, agindo dentro dele, o acompanhava.

 

A Graça de Deus que Certamente nos Visita e a Mudança de Destino

Irmãos e irmãs, por favor, ouçam mais uma vez o testamento deixado por José. Espero que estas palavras ecoem profundamente em seus corações. Encerrando o grande capítulo de Gênesis, José adjura os filhos de Israel: "Certamente, Deus vos visitará. Quando Ele vos tirar daqui, levareis os meus ossos convosco". Estas são verdadeiramente palavras de grande consolo.

 

Aqui, a Bíblia traduz que "Deus certamente vos visitará (cuidará)". No entanto, observem a expressão que Moisés usou ao citar novamente o testamento de José em Êxodo 13. Moisés diz: "Certamente, Deus vos visitará". No Gênesis, é expresso como 'cuidar/visitar' e no Êxodo é expresso como 'visitar', mas o hebraico original utiliza a mesma palavra.

 

Embora se traduza como 'cuidar' porque o fato de Deus cuidar do povo de Israel nos dá um grande consolo, o significado mais essencial e exato desta palavra é 'buscar' ou 'visitar'. É uma poderosa declaração de que o próprio Deus virá buscá-los. Além disso, o tempo hebraico desta palavra é o imperfeito. Isto não é apenas um aviso de que Ele virá em algum momento no futuro, mas significa a obra de Deus que continua constantemente mesmo neste exato momento. Por isso, traduziu-se como 'cuidar de vós' com o significado de 'Deus vos busca constantemente'.

 

O estudioso do Antigo Testamento Bruce K. Waltke explica o significado desta palavra de maneira ainda mais especial. É uma expressão da vontade do Senhor que vai além do simples cuidado para um "mudarei o teu destino" e "farei nova a tua vida". É uma promessa de que Deus virá buscar você, manterá você em suas mãos do início ao fim da sua vida e nunca deixará você sozinho. É uma declaração santa de que Ele ensinará constantemente que Ele é o seu Pai e o seu Deus, fazendo de você seu filho, estando com você em cada momento da sua vida e mudando o curso da sua vida. Através da visita de Deus, agora passamos a viver um destino completamente novo, mudado pelo Reino de Deus.

 

A Vida de um Povo que Anseia Verdadeiramente pelo Reino de Deus

Hoje, nós também ansiamos pelo Reino de Deus. Esperamos ansiosamente que venha o céu eterno, o novo céu e a nova terra. É porque o mundo em que vivemos é muito cansativo. Enfrentando a realidade onde a violência, a guerra, o abuso irracional do poder e a ganância sem fim correm soltos, os nossos corações sentem-se pesados ao pensar no futuro em que os nossos filhos e nós devemos viver. Muita gente me pergunta: "Pastor, quando é que Jesus virá? Já não está na hora de Ele vir?". Compreendo perfeitamente esse coração fervoroso, mas, por outro lado, há algo que devo perguntar.

 

A razão pela qual estão esperando a vinda do Senhor agora mesmo é verdadeiramente porque anseiam fervorosamente pelo Reino de Deus? Ou é apenas um desejo queixoso de escapar deste mundo injusto e violento porque a realidade é dolorosa demais? Não será o coração que diz: "É tão difícil, eu gostaria que até Jesus viesse logo"?

 

Desejamos verdadeiramente o Reino de Deus? Sabem que tipo de lugar é esse reino e por que deveríamos ansiar tanto por ele? Conhecem a verdadeira glória desse reino que Deus permitiu? Estão verdadeiramente interessados em, amando e ansiando por aquela aparição gloriosa onde alcancemos a estatura da plenitude de Jesus Cristo, regozijando-nos com Deus e desfrutando d'Ele para sempre?

 

Meus amados, se verdadeiramente ansiamos por esse reino, é inconcebível que tal esperança não mude as nossas vidas. Essa esperança certamente muda as nossas vidas e destinos. É porque o Espírito Santo, que é o Senhor, já entrou em nós. Agora mesmo, Ele está aqui com vocês.

 

Infelizmente, porém, muitas vezes vivemos ignorando o Senhor que está à porta e bate, como a igreja de Laodiceia em Apocalipse. Confessamos Jesus com os nossos lábios e dizemos que cremos em Deus, mas, na realidade, continuamos vivendo como se fôssemos os donos das nossas próprias vidas. Portanto, por mais que aprendamos e saibamos, nunca experimentamos a glória, a santidade e o gozo do Reino de Deus nesta terra — coisas tão belas que estão além de toda descrição.

 

Mantemos o Senhor de pé do lado de fora da porta e vivemos com a mentalidade de "vamos apenas comer bem e viver bem entre nós" com as pequenas coisas que temos. No entanto, vivemos esta vida queixando-nos constantemente, estando insatisfeitos e brigando repetidamente com ciúmes e inveja. Com tal aparência, como podemos dizer que conhecemos o Reino de Deus e que somos o povo do Reino de Deus?

 

Gratidão e Vitória como Pertencentes ao Reino Eterno

Irmãos e irmãs, se realmente ansiamos pelo Reino de Deus, as nossas manhãs não podem deixar de ser diferentes. Se verdadeiramente conhecemos Aquele que conhece a minha voz, o meu coração e todas as minhas circunstâncias no momento em que O chamo de "Pai", Aquele que derrama o amor infinito de Jesus Cristo em mim, que careço de amor, e Aquele que se regozija de caminhar ao meu passo hoje também. Começaremos o dia confessando uma profunda gratidão ao Deus que nos deu a vida, indo além do sentido do dever de que "é domingo, por isso devo ir à igreja".

 

Mesmo que hoje se apresentem diante de nós tarefas difíceis e árduas, e mesmo que a asfixia e as feridas dolorosas permaneçam num canto dos nossos corações, podemos proclamar isto: "Oh Senhor, lembro-me de mim como alguém que pertence ao Reino de Deus. Olho para a minha aparência tal como serei louvando o Senhor diante daquele trono de glória". Porque esta é a realidade das coisas que esperamos, podemos levantar-nos novamente, louvando mesmo no meio da dor presente.

 

Agora, quero saber claramente quem sou hoje. Já não sou uma pessoa que se apega a um orgulho mesquinho, nem um ser preso na sombra do ódio, da competição e da morte. Não sou uma pessoa indefesa debatendo-me nas tempestades insondáveis do mundo, mas um cidadão orgulhoso do Reino de Deus e filho de Deus, alguém que vence o mundo em Cristo.

 

Portanto, Senhor, encherei este dia de gratidão. Esperando o Senhor que prepara o amanhã, regozijar-me-ei no Senhor que me guia. Espero com ansiedade que tipo de caminho me guiarão amanhã o meu Deus e o meu Espírito Santo, que vieram a mim e estão vindo constantemente a mim mesmo agora. Esperarei com um coração expectante para ver que tipo de luz de criação fará brilhar em cada canto escuro da minha vida, e que tipo de gozo de criação restaurará no meu coração.

 

Oh Senhor, sou uma pessoa que pertence ao eterno Reino de Deus. Passando pelo dia de hoje, viverei com o Senhor para sempre, mesmo amanhã.

 

Oremos.

Senhor, o que poderia ser um verdadeiro consolo para nós? Por mais que nos pressionemos, o que poderia suavizar nem que seja um pouco este coração obstinado?

 

Senhor, rogamos que o amado povo do Senhor não fixe os seus olhos na humilde aparência de hoje, mas olhe para o eu futuro que Deus prometeu. Que o reino glorioso que ansiamos torne-se hoje a nossa realidade e firme convicção dentro da fé, e que desfrutemos dessa graça.

 

Ajude-nos a perceber profundamente que "não sou apenas o eu presente, mas 'o eu em Deus', e não sou alguém que termina aqui, mas 'o eu que pertence ao eterno Reino de Deus'". Cremos que esta mesma verdade nos dá vida hoje, põe um canto em nossos lábios e derrama gozo em nossas almas. Assim, em qualquer circunstância, não permita que nos sintamos decepcionados nem frustrados conosco mesmos, mas levantemo-nos cada manhã para viver uma vida de vida.

 

Ajude-nos a não esquecer que somos pessoas que pertencem ao Reino de Deus, pessoas que vêem esse reino pela fé e pessoas que vivem esse reino pela fé. Permita-nos viver vencendo este mundo suficientemente com esse poder da fé. Senhor, desejamos fervorosamente o Senhor.

 

Oramos no nome de Jesus Cristo, que é a nossa vida. Amém.

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