Gênesis 33:12-20
“E Esaú disse: Vamos, partamos, e eu irei contigo. Mas Jacó lhe respondeu: Meu senhor sabe que os filhos são tenros, e que tenho ovelhas e vacas de leite; e se as apascentarmos com excesso um só dia, todo o rebanho morrerá. Roguete, pois, que meu senhor passe adiante de seu servo, e eu me irei pouco a pouco, ao passo do gado que vai adiante de mim e ao passo dos meninos, até que eu chegue a meu senhor em Seir. Disse Esaú: Permite que eu deixe contigo alguma de minha gente que está comigo. E ele disse: Para quê? Que eu ache graça aos olhos de meu senhor! Assim Esaú se voltou aquele dia pelo seu caminho a Seir. E Jacó foi a Sucote, e edificou para si uma casa, e fez cabanas para seu gado; por isso, o nome daquele lugar se chamou Sucote. Depois Jacó chegou a salvo à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e acampou diante da cidade. E comprou uma parte do campo, onde armara a sua tenda, da mão dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem moedas de prata. E levantou ali um altar, e chamou-o El-Elohe-Israel.” Amém.
Uma vida em busca da promessa de Deus: A história de Jacó e a nossa
Acabamos de ler a parte final da história de Jacó e Esaú. Embora eles se encontrem mais uma vez no funeral de Isaque, a narrativa principal deles termina neste texto. Como vimos, Jacó, de fato, devolve a Esaú o que ele considerava pertencer a esta terra e que havia obtido por engano. Ele havia percebido que era descendente da promessa de Deus e que essa promessa era o verdadeiro direito de primogenitura ao qual deveria se apegar. Finalmente, ele começa a buscar as coisas celestiais. Toda a sua vida, que havia se concentrado apenas nas coisas terrenas, finalmente experimenta uma transformação completa. O incidente do rio Jaboque que conhecemos bem deixa uma marca profunda em sua vida.
A frase que Jacó disse a Esaú — "Quando vejo o teu rosto, é como ver o rosto de Deus" — é realmente impressionante. Ver o rosto de Deus, como Jacó já havia dito, significa "achei que eu ia morrer". Porque ninguém jamais viu o rosto de Deus e sobreviveu. Assim, ao olhar para o rosto de Esaú, Jacó não estava apenas falando de glória, mas estava confessando: "Pensei que morreria ao ver o seu rosto". Mas o que aconteceu? Ele sobreviveu. Ele pôde viver por causa do incidente do rio Jaboque, que chamamos de Peniel, que significa "vi o rosto de Deus, mas minha vida foi poupada".
Naquele momento, ele estava em uma situação em que deveria ter morrido, mas em vez de sua morte, foi atingido na coxa e sobreviveu. Isso é muito parecido com olhar para a cruz de Jesus Cristo. Embora o texto não mencione explicitamente o nome de Jesus ou o que Ele faria, vimos na última vez que Jacó pôde ver a Jesus, assim como Abraão olhou para o Messias. Às vezes, ficamos surpresos quando descobrimos Cristo nas Escrituras, perguntando: "Será que esta passagem realmente mostra que Jesus Cristo viria a esta terra para realizar essa salvação?". No entanto, nossa certeza vem das palavras claras de Jesus em João 5:
"Vocês examinam as Escrituras, porque pensam que nelas têm a vida eterna, e são elas que dão testemunho de mim." As Escrituras aqui se referem ao Antigo Testamento. Jesus está dizendo: "Vocês estão lendo o Antigo Testamento, não é para ganhar a vida eterna? Aquela mesma Escritura é a que dá testemunho de mim". Portanto, a história de Abraão deixando sua família e parentes em Ur dos Caldeus e Harã para entrar em Canaã, não se concentra apenas na grande fé ou obediência de Abraão; é um evento que testemunha de Jesus Cristo. Como eu lhes disse, esta é a atitude mais importante para ler a Bíblia.
Rei do mundo ou Rei de Deus?
Tendo passado por Peniel, Jacó agora olha para o rosto de Esaú e não morre. 'Peni' em 'Peniel' significa 'rosto' e 'el' significa 'Deus'. 'Peniesau', embora não seja uma palavra bíblica, é usada para criar um paralelo com Peniel. Mas a história de Jacó, que sobreviveu, não termina aqui. No versículo 12 de nosso texto de hoje, Jacó recebe uma proposta muito importante de Esaú: "Vamos, partamos, e eu irei contigo".
Provavelmente Esaú disse isso com boas intenções. Ele deve ter pensado: "Jacó, eu sou o irmão mais velho que tem um lugar estabelecido". Ele teve tanto sucesso que uma nação, Edom (que significa 'vermelho'), e uma cidade, Seir (que significa 'peludo'), foram nomeadas em sua homenagem, ambas relacionadas a ele. Um rei não era nada em comparação com ele em sua terra. Ele era tão rico que podia rejeitar todos os presentes de Jacó de uma só vez, dizendo: "Tenho muito, meu irmão".
Mas essa proposta, embora talvez bem-intencionada, mostra uma coisa claramente: ele não entendeu a promessa de Deus. A terra de Deus que Jacó deveria receber era a terra de Canaã, uma herança dada pela promessa. A incapacidade de Esaú de entender isso prova que ele não era o destinado a herdar a promessa. Esaú era um homem orientado para o mundo, não para a terra da promessa. Por outro lado, Jacó tinha a promessa, mas não tinha um único pedaço de terra.
Para entender o aspecto importante desta história, devemos examinar cuidadosamente o que Esaú disse. A tradução "eu irei contigo" no versículo 12 não está incorreta, mas há uma preposição que significa 'adiante' ou 'à frente' anexada ao verbo. Em outras palavras, significa: "Eu irei contigo à frente". Ir com alguém é ir junto, mas "ir com alguém à frente" soa um pouco estranho. A palavra 'ir' também significa 'caminhar', então uma tradução melhor seria: "Eu irei adiante de ti". Esaú estava dizendo a Jacó: "Eu irei adiante de ti". Quem usa mais a frase "Eu irei adiante de ti, eu irei contigo"? O próprio Deus. Esaú estava, de fato, falando como Deus.
Caminhos divergentes, mas uma salvação contínua
O fato de Jacó ter se curvado sete vezes e oferecido presentes a Esaú era como se estivesse agindo diante de seu próprio rei. De fato, documentos egípcios antigos mostram que uma das etiquetas mais importantes para um rei era curvar-se e oferecer presentes. Assim, quando Jacó se humilhou, Esaú lhe disse: "Agora eu o guiarei, eu irei contigo". Esaú estava propondo a Jacó: "Eu serei seu rei".
Mas Jacó havia aprendido uma coisa com certeza: "Eu herdarei a promessa de Deus, e Deus é o meu Senhor." Esta foi a coisa mais importante que ele entendeu por meio do incidente do rio Jaboque. Depois de mais de 20 anos de Deus estar com ele, e de ter visto o rosto de Deus e sobrevivido, sua resposta deveria ter sido clara: "Irmão, viverei de acordo com a promessa de Deus. Lamento não poder viajar contigo".
No entanto, ao contrário do que se esperava, Jacó dá uma resposta muito ambígua. "Meu senhor sabe que nossos filhos e o gado são frágeis, então irei devagar e o encontrarei em Seir." Ele claramente diz que 'irá'. Seu coração é totalmente diferente de sua ação, como veremos mais tarde, mas suas palavras soam como se ele fosse seguir Esaú. Muitos estudiosos interpretam esse comportamento como um retorno às suas velhas artimanhas, pensando: "Jacó não consegue se livrar de seus velhos hábitos e está usando a cabeça novamente". No entanto, quero dar a Jacó uma avaliação mais positiva.
A razão para o meu pensamento é o segundo incidente. Esaú faz outra proposta a Jacó. "Tudo bem, então eu vou deixar alguns de meus servos aqui para te ajudar a vir." Ao que Jacó responde: "Ah, por que faria isso? Peço-lhe, meu senhor, que me permita achar graça aos seus olhos". Quando vocês leem a Bíblia tão casualmente, se alegram quando veem a palavra 'graça', mas neste contexto significa 'perdão'. É como se ele estivesse dizendo: "Fiz algo errado contra ti, e te dei presentes, então por favor, seja bondoso (perdoa-me)".
Se interpretarmos Jacó de forma consistente, essa resposta expressa uma recusa educada. A interpretação seria: "Como posso fazer isso? Não posso ir, por favor, me perdoa. Não posso aceitar sua ajuda e não posso ir como você quer, então por favor, me perdoa". Acredito que esta interpretação esteja um pouco mais próxima do contexto geral. No entanto, a primeira interpretação, que diz "Isso é típico de Jacó", não está totalmente errada.
No entanto, mesmo que consideremos ambas as interpretações, o que é claro é que Esaú diz: "Eu sou o rei, siga-me", e Jacó demonstra com suas ações que não pode. O fato de Jacó não seguir Esaú e de Esaú voltar para Seir sem dizer nada, indica que a recusa educada de Jacó foi aceita por Esaú, o que se encaixa melhor no contexto. De qualquer forma, na história de Jacó e Esaú, podemos entender mais claramente o que as ações de Jacó significam.
Seir está na terra de Edom, no extremo sul do Mar Morto. A história atual se passa ao norte, perto do rio Jordão. Mas quando Jacó se separa de Esaú, ele não vai para o sul; ele vai direto para o norte. Isso mostra claramente: "Eu não tenho nenhuma intenção de seguir sua proposta". Ele se dirige para um lugar inesperado, muito ambíguo. Quando Jacó entra na terra de Canaã, para onde ele deve ir primeiro? Ele deve ir para Betel, onde Deus lhe apareceu e onde ele prometeu construir um altar e dar o dízimo se voltasse em segurança.
No entanto, em vez de ir para Betel, ele vai para um lugar chamado Sucote na Bíblia. Sucote significa que ele atravessou o rio Jordão novamente. Em outras palavras, ele voltou pelo caminho por onde tinha vindo. É na direção oposta à de Esaú e na direção oposta à de entrar em Canaã. Não foi um simples erro, como pode ser visto pelo fato de que ele construiu uma casa e currais para seus animais. Construir uma casa significa que ele tinha a intenção de viver lá e passar muito tempo. 'Sucote' significa 'cabana' ou 'abrigo', e o nome significa "construí minha própria casa". Isso é um problema muito sério, totalmente diferente do que Deus havia dito em Betel, "Eu edificarei a casa de Deus".
Dois nomes, uma vida: Jacó e Israel
Quando Deus apareceu pela primeira vez a Jacó em Betel, Jacó levantou uma coluna e disse: "Esta coluna será a casa de Deus". Mas agora, em vez disso, o que ele está construindo? Ele está construindo sua própria casa primeiro. Sua decisão de ir para o norte parecia ser uma resposta de fé — "Eu não posso servi-lo como meu rei. Deus é o meu Senhor" — mas ele logo se desviou para um lugar estranho.
A vida de Jacó é verdadeiramente única. Sua singularidade é claramente revelada em seus dois nomes. O nome original de Abraão era Abrão, e o de Sara era Sarai. Depois que seus nomes foram mudados, a Bíblia nunca mais os chama por seus nomes originais. O mesmo acontece no Novo Testamento. Depois que Saulo se torna Paulo, ele nunca mais é chamado de Saulo.
Mas com Jacó é diferente. Embora Deus lhe tenha dado o novo nome de Israel, a Bíblia continua usando ambos os nomes, 'Jacó' e 'Israel'. 'Jacó' significa 'enganador', e 'Israel' significa 'aquele por quem Deus lutou'. Deus não mudou seu nome simplesmente como fez com Abraão ou outras pessoas; em vez disso, Ele nos deu esses dois nomes ao longo de toda a sua vida para explicar melhor como é a obra de salvação de Deus. Esses dois nomes o acompanharão por toda a sua vida.
Assim, às vezes Jacó age como 'Jacó', cativado pelo desejo humano, mas às vezes age como 'Israel', confiando em Deus. Essas duas facetas ilustram perfeitamente a verdade que Martinho Lutero descreveu: "Somos ao mesmo tempo justos e pecadores", justificados pela cruz de Cristo, mas ao mesmo tempo pecadores. Jacó sabia claramente que Deus estava com ele, confessou que Deus era seu Senhor e experimentou a glória da salvação ao ver o rosto de Deus e sobreviver. Apesar de saber quem era o Messias que viria, ele se deteve em Sucote e tentou construir sua própria casa primeiro.
A vida de Jacó é muito parecida com a nossa. Cada vez que Deus nos mostra como é a nossa fé através de Jacó, somos forçados a confrontar nossa própria natureza fraca. É por isso que não podemos evitar ler a história de Jacó em profundidade.
Fé vacilante: Um tempo de ansiedade e extravio
Fé vacilante: Um tempo de ansiedade e extravio
Quando cremos em Jesus pela primeira vez, com que frequência dissemos a Deus: "Senhor, quero viver para a tua glória"? Quando soubemos que "eu sou o templo", quem entre nós não prometeu pelo menos em seu coração: "Senhor, quero ser edificado como o teu santo templo"? No entanto, em nossas vidas, no momento em que surge um caminho confortável, ou um pouco de medo ou dificuldade, tantas vezes escolhemos trilhar esse caminho largo e fácil. Quanto medo Jacó deve ter sentido? O fato de ele ter atravessado o rio Jordão novamente mostra que ele não confiava totalmente em Esaú. Caso contrário, não haveria razão para fugir tão para longe.
Alguns poderiam perguntar: "Jacó fugiu para lá para examinar sua fé, porque foi lá que ele encontrou Deus?". Se fosse assim, ele deveria ter ido para Peniel, e não para Sucote. O lugar de Peniel era perto, mas ele não foi para lá. É assim que sabemos o seu estado de espírito. Ele estava extremamente ansioso e queria construir sua própria casa para se proteger e reconstruir sua vida. A ação correta, se ele realmente estivesse indo para Deus, deveria ter sido viver como um homem de Deus. Mas sua vida, como a nossa, era cheia de louvores a Deus enquanto carregava dúvidas e caminhava para um estado de ansiedade. Os momentos na vida de Jacó não são apenas a sua história, mas são tão semelhantes à nossa que não podemos simplesmente lê-los e seguir em frente.
Mas a história de Jacó não termina aí. Embora ele tenha construído uma casa lá, Deus o tirou. Ele atravessou o rio Jordão novamente, com Deus o acompanhando. Para onde ele iria agora? Naturalmente, esperaríamos que ele fosse para Betel. Tendo construído uma casa e abrigos para seus animais, ele agora tentou atravessar o Jordão e entrar na Terra Prometida. Então, esperaríamos que ele fosse para Betel, mas ele vai para Siquém. Tudo bem, já que Abraão também foi para lá, o que há de errado com Siquém? O problema é que, quando ele chega a Siquém, como diz a passagem de hoje, ele compra um pedaço de terra. O que significa comprar terra? Significa que ele tem a intenção de viver lá. Ele deveria ter ido para Betel, mas comprou terra para ficar em Siquém. Se ele tivesse chegado a Betel, teríamos gritado "Aleluia, Amém!". Mas ele não o fez. Ele atravessou o Jordão, mas a distância de Siquém para Betel não é muito grande.
A confissão, 'Meu Deus'
Ao ler esta história, sinto como se estivesse lendo a minha própria história. Cantamos e confessamos: "Senhor, deixe-me ir aonde fores e me deixe parar onde parares", mas nunca fizemos isso nem uma única vez. Sempre corremos à frente quando Deus nos diz para parar, e tentamos ir na direção oposta quando Deus nos diz para ir. A história de Jacó nos mostra como somos realmente. E todos vocês são mais fiéis do que eu, então não são como eu, certo? Isso é o que chamam de comédia de humor negro. Todos nós lemos esta história e não podemos deixar de confessar: "Esta é a minha história", porque o que se segue a torna ainda mais chocante: Jacó construiu um altar lá. Ele prometeu construir um altar em Betel, mas o construiu no lugar errado. Ele pode ter construído para imitar Abraão, mas construiu um altar lá. E o nome que ele deu ao altar é verdadeiramente notável: "El Elohe Israel".
Você já aprendeu o que isso significa. 'El' é Deus. O hebraico é uma língua flexiva como o alemão, onde as terminações mudam. Então 'Elohe' significa 'meu Deus'. E 'Israel' você conhece bem. Então significa "Deus de Israel, meu Deus", mas o nome também significa "Deus, até mesmo o meu Deus". Você pode não se sentir tocado porque não sabe que esta foi a primeira vez que Jacó disse isso. Ele sempre havia falado de "o Deus de Abraão, o Deus de meu pai, Isaque", mas nunca "meu Deus". Ele só havia dito uma vez antes, em Gênesis 28:21: "Se Deus for comigo, e me guardar neste caminho em que vou, e me der pão para comer e roupa para vestir...". Onde isso aconteceu? Em Betel. Ele disse: "...e se eu voltar em paz para a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus".
O que ele chama de 'meu Deus' não é um assunto pequeno. Vinte anos se passaram. Quando Jacó diz "meu Deus" agora, ele não está falando apenas do Deus de Abraão ou Isaque, sobre quem ele havia ouvido e a quem havia visto. Ele está falando do Deus que não o esqueceu nos últimos vinte anos, por toda a humilhação e dor que sofreu na casa de Labão. O Deus que cumpriu Sua promessa e o trouxe até aqui, o Deus que o protegeu e o guardou — toda a história de sua vida está sendo escrita e revivida como um filme nesta única frase, "meu Deus". Não é apenas a história dele, mas o Deus que seu pai chamou de "meu Deus", o Deus que esteve com Isaque e o guardou, agora é o Deus que o guarda. Esta é uma das confissões mais importantes que nunca devemos esquecer.
Nossa confissão, 'Meu Deus'
Kim Bo-eun compôs uma canção muito famosa, "O Deus de Elias", que costumávamos cantar nos coros e às vezes em toda a congregação. A canção diz: "O Deus de Elias que queimou o sacrifício no Monte Carmelo". O refrão diz: "O Deus de Elias é o meu Deus". Quando cantamos isso, sentimos arrepios, porque o Deus a quem Elias chamou, o Deus que queimou o altar, não é apenas o Deus de Elias, mas o meu Deus.
Jacó está exatamente assim agora. Ele está confessando que Deus não é apenas o Deus de Abraão e Isaque, mas o meu Deus, o Deus que esteve com ele ao longo de sua vida. O Deus que se agarrou a ele mesmo naqueles momentos em que ele derramava lágrimas, sentia-se frustrado, era ferido, tropeçava, caía e queria desistir de sua vida. O Deus que ainda está se agarrando a ele, que nunca o deixou, agora é meu Deus. Você tem um Deus assim? Se ele tivesse feito esta confissão em Betel, que coisa incrível teria sido! Infelizmente, foi em Siquém. E, no entanto, quem o levou a fazer tal confissão? Foi o próprio Deus.
E assim você percebe: quão grandes foram os erros de Jacó e quão profunda foi a sua desesperança nesta história? Aos olhos de Deus, ele era incrivelmente infiel. "Como você pôde ir para Sucote, comprar terra em Siquém e pensar em se estabelecer lá? Jacó, Jacó, onde está Betel?". Poderíamos esperar que Deus aparecesse e dissesse isso. No entanto, Deus não abandona Jacó, que O chama de "meu Deus". Deus finalmente o levará a Betel.
O caminho da cruz e a verdadeira graça
No entanto, como você sabe, depois que Jacó fez essa confissão em Siquém, no capítulo 33, o capítulo 34 o esperava. No momento em que você e eu cremos em Jesus, todos nos tornamos pessoas que caminham no caminho da cruz, tenhamos confessado isso com nossos lábios ou não. "Senhor, eu carregarei minha cruz e te seguirei". Todos estamos nesse caminho. Mas como temos caminhado nele? Quanto mais pensamos sobre isso e olhamos para nós mesmos, mais sentimos um profundo arrependimento.
Fizemos promessas ao Senhor, mas no momento em que encontramos alguém que é um pouco incômodo, viramos o rosto. No momento em que ouvimos algo que nos fere, simplesmente colocamos um 'X' nessa pessoa. Seja nosso cônjuge ou outra pessoa, nossos corações às vezes se enchem de ódio. E quando o Senhor diz: "Não é esta uma cruz que você deve carregar?", o que fazemos? Dizemos: "Esta não é a minha cruz", e a abandonamos e a jogamos fora. Talvez nunca tenhamos tido a intenção séria de tomá-la. Meus amigos, este é um problema muito mais sério do que vocês pensam. Vocês não podem simplesmente pensar: "Ah, Deus é bom, então Ele vai me levantar toda vez que eu cometer um erro!". Se vocês não voltarem para ver se estão realmente no caminho com Deus e que tipo de vida estão vivendo nesse caminho, como Deus poderia simplesmente ficar de braços cruzados e observar até que nós, como Seus filhos, recebamos a herança prometida? Portanto, você e eu devemos construir um altar novamente diante do Senhor e considerar profundamente o que a confissão de 'meu Deus' significa para nós.
Deus Pai, nosso verdadeiro nome
Assim como a história de Jacó e Israel, o lugar Siquém também é central para esta história. 'Siquém' significa 'ombro', especificamente o ombro de uma montanha. Isso significa que Jacó nunca chegou ao pico. Teria sido tão grandioso se ele tivesse ido um pouco mais longe até Betel, que era o cume, mas ele parou no ombro. Deus está lidando com ele, e eu acredito que Deus nos deixou esta história de "meu Deus" para nos ajudar a entender o que Sua graça maravilhosa é, especialmente para um homem que só chegou ao ombro.
Por que eu digo isso? Você pode pensar: "Ah, Jacó finalmente voltou a si e está chamando Deus de 'meu Deus'!". É bastante comovente, não é? Mas é realmente um momento que move Deus? Que triste é que ele chame Deus de "meu Deus" em Siquém! É como um estudante que erra uma única questão e não obtém uma nota perfeita. Não é mais lamentável? Jacó não está agradando a Deus agora. Em vez disso, ele está entristecendo o coração de Deus.
O que você ou eu podemos oferecer que moveria Deus? Nem Jacó nem nós podemos agradar a Deus. De fato, nenhum herói na Bíblia agradou verdadeiramente a Deus. O único nesta terra que agradou a Deus foi Jesus Cristo. Somente Ele cumpriu todas as exigências de Deus e obedeceu a todos os Seus mandamentos. Ele viveu nesta terra de acordo com o coração e a vontade de Seu Pai. Portanto, somente quando Ele chamou Deus de "meu Deus", Deus ficou verdadeiramente satisfeito.
Mas, você sabe? Em vez da orgulhosa confissão de Jacó, Jesus Cristo clamou: "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?". Por quê? Por que o Senhor clamou isso em vez do que Jacó confessou com orgulho? Não foi por nossa causa? Não foi por causa de Jacó? Não foi por causa de Abraão? Por causa de Moisés? O Senhor não teve escolha a não ser clamar por nós. Porque não temos nada para levar a Deus, nada para dar a Deus a não ser o pecado. Agora que cremos em Jesus e estamos Nele, cantamos louvores como "Eu me rendo a Ti" e "Não tenho nada além do meu corpo para dar, então eu te dou este corpo". Mas quando você estava fora do Senhor, você não tinha nada para oferecer ou mostrar a Deus a não ser o seu pecado? E, no entanto, o Filho de Deus recebeu esse pecado. E Ele se entregou a nós. A nós que não tínhamos nada para dar a não ser o pecado, Ele se deu a si mesmo. Jesus, que se fez pecado por nossa causa, caminhou o caminho da morte. E Ele clamou: "Por que me desamparaste?".
E na manhã da ressurreição, Jesus disse uma palavra surpreendente a uma mulher. "Meu Deus é o vosso Deus, e meu Pai é o vosso Pai". Ele não é apenas "El Elioi" (Deus, o Deus dos vivos), mas "El Abi" (Deus, meu Pai). Esse Pai, meu Pai, agora é o seu Pai. Esta é a verdadeira graça de Deus que Jacó, Abraão e todos eles desejaram e esperaram ver — uma graça que este mundo não pode compreender.
Quando Jesus clamou: "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?", foi para que Ele pudesse dizer a você: "Meu Pai é agora o seu Pai". Portanto, agora você pode clamar a Ele. Agora você pode ir a Ele. Agora você pode se apegar a Ele. Agora você pode chamá-lo livremente. Agora você e eu podemos ir diante de Deus, nosso Pai, meu Pai. Portanto, meus amados, Deus lutará por vocês, e nesta terra, Ele se tornará o seu Deus. Mas, mais do que isso, porque Cristo foi desamparado pelo Pai, nós nos tornamos filhos de Deus, e agora você pode chamar a Deus de "Pai". Eu creio que esta verdade irá salvá-lo hoje, salvá-lo para sempre e lhe dar verdadeira paz e descanso eterno.
Vamos orar.
Amado Senhor, por você ter sido desamparado, nós fomos curados. Agora, por favor, permita-nos chamá-lo de Pai. Ajude-nos a saber que Aquele que esteve conosco ao longo de nossas vidas é o nosso Pai. Ajude-nos a saber que Tu és o Pai que nos abraçou, que deu tudo por nós, que nos herdou todas as coisas e que até deu Sua vida por nós. Oramos para que o teu povo amado possa chamá-lo de "meu Pai". Oramos em nome de Jesus Cristo. Amém.
'IV. Coleção de Sermões do Pastor > Gênesis' 카테고리의 다른 글
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