João 6:22–27
"No dia seguinte, a multidão que estava da outra banda do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sós (contudo, outros barquinhos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, tendo o Senhor dado graças); vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, entraram eles também nos barquinhos e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus. E, achando-o da outra banda do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui? Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, selou." Amém.
O desejo humano oculto por trás do zelo pela Palavra
No capítulo 6 de João, que estamos estudando, surgem dois milagres. Um é o milagre da multiplicação dos pães e peixes, e o outro é o evento em que Jesus acalmou a tempestade. Esses dois episódios estão profundamente conectados e nos apresentam um desafio muito sério. A totalidade do capítulo 6 prossegue com o sermão do Senhor, e creio que os irmãos devem vir ao culto de domingo com seus corações firmemente preparados. Ao observarmos o texto, a Bíblia registra que muitas pessoas abandonaram Jesus assim que Ele terminou este sermão. É minha oração que tal coisa jamais aconteça em nossa igreja. Desejo que todos nós ouçamos a voz do Senhor e permaneçamos com um coração fortalecido e jubiloso. Contudo, ao mesmo tempo, espero que seus corações não fiquem meramente confortáveis enquanto ouvem este sermão.
Agora, enquanto examinamos juntos as palavras do Senhor, refletiremos sobre que tipo de palavras foram aquelas que fizeram com que tantos discípulos, que outrora O seguiam, O abandonassem. Hoje é a primeira sessão dessa jornada. Não precisam ficar excessivamente tensos hoje. Isso porque o que queremos observar hoje é por que o Senhor nem sempre abre um caminho suave — onde Ele entra no barco com os discípulos, acalma a tempestade, alimenta-os com pão e concede alimento celestial. Examinaremos por que Ele deu o pão e por que repreendeu aqueles que O buscavam apenas porque comeram do pão e se saciaram. Observemos os versículos 26 e 27. Leiamos primeiro o versículo 27: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, selou.”
A intenção do Senhor e a exposição oculta na comida que perece
O texto nos diz para não trabalharmos pela comida que perece. Como podemos ver facilmente pelo contexto de João 6, esta "comida que perece" refere-se aos cinco pães de cevada e aos dois peixes que eles haviam comido. Vejam o versículo 26: “Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” E então Ele menciona a comida que perece, implicando que o pão é, de fato, essa comida perecível. O mandamento "Não trabalheis pelo pão" é uma passagem muito difícil se tomada literalmente. Mas o ponto mais interessante é este: se é uma comida destinada a perecer de qualquer maneira, por que o Senhor a criou pessoalmente e nos alimentou com ela?
Não é verdade? Se o Senhor, ao realizar o milagre no deserto, não tivesse dado pão e peixe, mas em vez disso dissesse: “Todos, vamos orar juntos em uníssono. Levantemos as mãos, clamemos 'Senhor' três vezes e gritemos o que queremos. Senhor, dá-nos comida!” — não teria isso feito mais sentido? Ele deveria ter conduzido a multidão a desejar as coisas celestiais, então por que distribuiu todo aquele pão e peixe apenas para dizer agora: "Não busqueis a comida que perece"? É uma passagem bíblica que costumamos ler superficialmente, mas não nos faz parar para refletir quando explicada desta forma? Quando lemos a Bíblia, há momentos em que a narrativa não parece fluir suavemente. O que podemos perceber aqui é que o pão e o peixe que Jesus deu não tinham a intenção de ser meramente comida perecível. Se fosse apenas isso, Ele não precisaria chamá-la de comida que perece mais tarde como uma advertência.
Em última análise, há um novo significado contido neste pão e peixe. Através deles, o Senhor pretendeu revelar claramente o que jaz nas profundezas de nossos corações. Se o Senhor não lhes tivesse dado pão e peixe, há algo importante que a multidão talvez nunca tivesse percebido. Quero levá-los àquele deserto por um momento, para que não olhem para os judeus daquela época com leviandade. Segundo os registros, o número máximo de pessoas a quem se podia pregar com a voz natural naquela época era de cerca de 10.000 a 20.000 pessoas. Mais do que isso, e a voz não alcançaria. O Senhor conduziu uma multidão massiva de quase 20.000 pessoas ao ar livre. Por que O seguiam? Embora houvesse milagres, a Bíblia diz claramente que era para ouvir a Palavra do Senhor.
Eles seguiam o Senhor com um coração fervente para ouvir Sua mensagem, assim como os irmãos anseiam pela Palavra de Deus hoje. Buscavam-No apaixonadamente, dizendo: "Senhor, por favor, fala conosco". No entanto, eles não sabiam o que realmente estava nas profundezas de seus corações. Até quando? Até comerem o pão e o peixe. Depois de comerem até se saciarem, quem eles realmente eram foi imediatamente exposto. Jesus disse: “Buscais-me, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” Através do alimento deste mundo, o Senhor aponta primeiro: "Onde está a verdadeira ganância, o pensamento e a direção do seu coração?". Há uma verdade surpreendente aqui que eu e os irmãos não podemos negar. Muitas vezes seguimos o Senhor por nossa ganância de comer e nos saciarmos. O Senhor expõe essa realidade primeiro.
Fixando nossos olhos no próprio Deus em vez de em nossos desejos
O Senhor nos mostra vividamente como é uma vida vivida apenas em busca de nossas próprias necessidades. Mesmo quando vêm à igreja, muitas vezes vivem de acordo com seus próprios interesses. Preocupam-se com a forma como as pessoas podem reconhecer sua dor e dificuldades, e desejam desesperadamente que Deus também as reconheça. No entanto, se realmente queremos suprir nossas necessidades espirituais, há um fato que devemos lembrar. Este é um dos propósitos essenciais pelos quais o Senhor deu o pão. Se queremos satisfazer a verdadeira fome espiritual, devemos nos desapegar dos pensamentos nascidos de nossa própria ganância e focar nossa atenção no próprio Deus. Enquanto mantivermos nossos olhos em nós mesmos ou naquilo que queremos, é incrivelmente difícil voltar nossos olhos para Deus. Em última análise, o Senhor não nos deu pão e peixe simplesmente como comida perecível. Ele partiu o pão para que soubéssemos que tipo de pão era. Aquele pão é "o pão dado pelo Senhor".
Por favor, reflitam profundamente sobre a enorme diferença que a frase "dado pelo Senhor" faz em comparação com apenas "pão". Há dois significados importantes aqui, o primeiro dos quais é a palavra "Senhor". É o sustento providenciado pessoalmente por Jesus Cristo. O pão é, na verdade, algo que qualquer pessoa pode comer e obter em qualquer lugar. As pessoas do mundo também experimentam sucesso e fracasso nos negócios. Têm oportunidades de ganhar grande poder e, em outros momentos, caem desse poder para um estado miserável. Esta é uma experiência universal para todas as pessoas. É por isso que existem tantos provérbios seculares, como "A paciência é amarga, mas seu fruto é doce". Que ditado maravilhoso e bom. Mas tal sabedoria geralmente vem da experiência de pessoas mundanas que, tendo suportado dificuldades, perceberam que dias melhores eventualmente chegam. É meramente um consolo dizendo para aguentar um pouco mais porque dias bons virão.
É por isso que frequentemente encontramos mensagens semelhantes ao ouvir ou pregar sermões: "Se esperar pacientemente, o Senhor eventualmente responderá, restaurará e abençoará". No entanto, olhando para o caso do apóstolo Paulo, podemos ver que as orações não foram respondidas da maneira que costumamos desejar. Paulo sofreu continuamente e acabou sendo enviado a Roma como prisioneiro. Ele nunca esteve em Roma para se vangloriar ou colocar o imperador romano sob seus pés, nem alcançou "grande sucesso" no sentido mundano. Foi preso, brevemente libertado para pregar e, finalmente, decapitado e martirizado durante o reinado do imperador Nero. De uma perspectiva mundana, ele nunca "floresceu" brilhantemente. Portanto, devemos considerar seriamente que as explicações religiosas que tomamos como certas podem estar, às vezes, profundamente equivocadas.
A verdadeira fé: Conhecer o Senhor como o Provedor além de nossas necessidades
Frequentemente explicamos da seguinte forma: “Todos vêm a Jesus a princípio porque precisam Dele”. Seja por doença, solidão ou fracasso nos negócios, dão o primeiro passo devido a uma necessidade desesperada, mas conforme creem em Jesus, seus corações mudam gradualmente até possuírem uma fé verdadeira. Se esse fosse o caso, as palavras do Senhor: “Buscais-me porque comestes do pão e vos saciastes”, aplicar-se-iam apenas àqueles que frequentam a igreja há muito tempo, mas ainda estão mergulhados em sua própria ganância. Supõe-se que os iniciantes naturalmente vêm por razões egoístas e eventualmente encontram Jesus. Mas o que o texto de hoje diz não é nada disso. Não importa quão novato alguém seja, a menos que compreenda corretamente esta verdade, jamais poderá conhecer verdadeiramente a Jesus Cristo.
O cerne é perceber que não seguimos o Senhor simplesmente para comer e nos saciarmos, mas sim entender que o que desfrutamos é "o pão dado pelo Senhor" e que o recebemos Dele. Isso ocorre porque o Senhor é quem deu o pão. É claro que não há restrições para vir à igreja. Não importa o quanto uma pessoa seja criticada pelo mundo, o limiar da igreja não a impede; a igreja acolhe calorosamente qualquer pessoa que sofra. Eles têm pleno direito à misericórdia e compaixão de Deus. Não há problema em vir por causa da dor, do fracasso nos negócios ou da solidão. Contudo, não importa qual história os trouxe aqui, devem ouvir o Evangelho correto desde o início e começar com o pé direito. Jamais podemos transigir nesta questão. É porque estas são as palavras firmes que Jesus falou até mesmo àqueles que O seguiam fervorosamente para ouvir a Palavra: “Buscais-me porque comestes do pão e vos saciastes.”
Devem saber quem é o Senhor que encontraram e qual é a essência desse encontro. Se buscaram o Senhor apenas por causa da solidão, irão abandoná-Lo no momento em que essa solidão for resolvida. Se a dificuldade nos negócios foi o único motivo, abandonarão o Senhor assim que o problema for solucionado. Se buscaram o Senhor apenas para cura, a razão para ficar ao Seu lado desaparece uma vez que estejam curados. Poderiam continuar vindo à igreja por um senso de culpa moral, mas isso não é fé. Houve uma vez uma senhora idosa em um vilarejo rural na Coreia que vivia sozinha com seu filho. Quando o filho faleceu precocemente devido a uma doença, o pastor da igreja que o filho frequentava realizou o funeral com grande sinceridade. Comovida por isso, a mulher começou a frequentar a igreja na semana seguinte. Todos pensaram que ela passara a crer em Jesus através do sermão do funeral, mas depois de cerca de seis meses, ela parou de vir. Quando o pastor foi visitá-la, ela arregalou os olhos e disse: “Frequentei tanto quanto deveria; por que o senhor está me pedindo para vir de novo?”. Para essa mulher, frequentar a igreja era meramente uma retribuição pelo favor que recebera.
Sofrendo com o Senhor e o alimento da vida eterna
Esta história pode parecer uma piada, mas podemos não ser diferentes daquela mulher. Se sentem que sua fé esfriou, por favor, examinem-se seriamente. “Por que eu era tão fervoroso naquela época?”. Foi porque sua doença foi curada, você curou outros através da oração ou teve uma experiência mística como falar em línguas? Entre as coisas que acreditamos serem espirituais, há na verdade coisas que buscamos para satisfazer nossa própria ganância, e só parece que amamos e seguimos o Senhor quando essas necessidades são de alguma forma atendidas. Se buscaram o Senhor apenas por causa de circunstâncias difíceis, perceberão que sua fé era, na verdade, nada, uma vez que essas necessidades fossem supridas. A Bíblia não nos ensina esse tipo de fé. É claro que o Senhor deu pão à multidão faminta. Mas a essência daquele pão não está meramente em encher o estômago; está no fato de que é o "pão dado pelo Senhor". Espero que deixem esta verdade clara em suas vidas.
As tempestades que enfrentamos podem parecer as mesmas do mundo, mas uma tempestade com o Senhor é fundamentalmente diferente. O mesmo vale para o sofrimento. Ao vivermos no mundo, todos aprendem muitas lições. Como diz o ditado: "A dificuldade na juventude vale seu peso em ouro", frequentemente ganhamos sabedoria através do sofrimento. Mas lembrem-se: se essa lição não for dada pelo Senhor e não for o resultado de estar com o Senhor, por maior que seja a lição, ela pode se tornar uma "bomba oculta" que arruína sua alma. Mesmo o excelente provérbio "A paciência é amarga, mas seu fruto é doce" pode se tornar uma ferramenta que destrói sua alma se não tiver relação com Jesus Cristo. Mesmo palavras que parecem grandes verdades no mundo só levarão à destruição se não estiverem com o Senhor. Mesmo pessoas justas com excelente caráter, se se tornarem orgulhosas por causa desse caráter e sentirem que não precisam de Deus, esse caráter torna-se uma bomba aterrorizante que destrói a alma. O orgulho de tentar permanecer confiante diante de Deus com o próprio caráter e tentar tornar-se como Deus pode, na verdade, arruinar-nos.
Portanto, não confiem demais no cinto de segurança que estão usando. Não dependam excessivamente da riqueza que possuem. Tais coisas jamais serão um refúgio eterno. A juventude de que os jovens se gabam desaparece num piscar de olhos. Eu posso ser jovem demais para dizer isso, mas às vezes me assusto ao encontrar a imagem de meu falecido pai no espelho. Sabiam que não existem cintos de segurança em um trem? Não é porque ele seja lento. A razão pela qual um trem não tem cintos de segurança é por causa do imenso peso que o próprio trem carrega. Mesmo que um trem pare, ele para gradualmente, para que os passageiros não voem subitamente. Viver uma vida tentando garantir a segurança com um cinto de segurança improvisado pode ser, na verdade, mais perigoso. A vida de fé de um cristão é mais como estar em um trem. Se você está na rocha inabalável de Jesus Cristo, não seremos abalados, não importa qual problema surja. Aquele trem pesado rompe todos os obstáculos e segue em frente. O que protege você não é o seu cinto de segurança, mas o trem em que você está viajando — o próprio Jesus Cristo.
Verdadeira alegria e gratidão desfrutadas ao renunciar à propriedade
De que serve o seu cinto de segurança no deserto e na tempestade? Ao colocá-lo no meio disso, o Senhor o faz perceber o quão impotente você é. Como vimos, este pão é significativo para nós porque é dado pelo Senhor. O mesmo ocorre com a doença. Enquanto adoecer no mundo é um evento infeliz, doloroso e triste, aqueles que estão enfermos com o Senhor através desse sofrimento passam a conhecer Jesus Cristo profundamente. Torna-se uma oportunidade de se aproximar do Senhor, leva-os à oração e faz com que louvem ao Senhor, tornando-se assim uma bênção. Onde mais no mundo existiria tal caso? Isso faz sentido lógico? Se enfrentar seus problemas e dores de uma forma mundana e tentar usar o Senhor meramente como um auxiliador, as dificuldades se repetirão e, embora os problemas possam ser resolvidos, você não obterá descanso eterno para o seu coração. Mas se você estiver naquele problema com Jesus Cristo, e acreditar que o problema em si é uma tarefa e uma bênção dada pelo Senhor, então você está atualmente comendo o pão dado pelo Senhor. A Bíblia diz que esse pão não causa a morte, mas é o alimento que nos permite viver eternamente.
Há outro problema fundamental. Mesmo no deserto e na tempestade, onde percebemos desesperadamente que não somos nada, na verdade não temos nada a oferecer diante do Senhor. Enquanto expõe nossa impotência, o Senhor nos ordena. Vejam o versículo 27: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna”. Aqui, "Trabalhai" significa agir. Significa não lutar por dinheiro ou coisas materiais diante de seus olhos, mas trabalhar pelos valores santos do céu. Estas são palavras justas. Mas será que os discípulos realmente as entenderam? Se tivessem compreendido plenamente estas palavras, a Bíblia teria terminado aqui, e não haveria razão para Jesus ser crucificado. É por isso que o Senhor acrescenta as palavras seguintes. Ele diz que o Filho do Homem vos "dará" o alimento da vida eterna. O próprio Senhor o dá. O fato de Ele ser o "Dador" torna-se tão importante quanto quem o Senhor é.
Confiando no Senhor que provê e negando minha própria posse
Lemos a Bíblia e resolvemos: “De agora em diante, vivamos para o alimento eterno. Não serei limitado por coisas mundanas e buscarei as coisas eternas com ousadia”. Mas assim que saímos da igreja e descobrimos que alguém riscou nosso carro, nossos rostos imediatamente se fecham. Choramos e ficamos com raiva por algo que eventualmente perecerá. Por que isso acontece? É porque viver apenas para os valores celestiais é, na verdade, quase impossível para nós. Como o Senhor apontou, amamos as coisas deste mundo muitíssimo. Não sabem bem o quanto valorizam sua própria vida e seu corpo? Se acreditaram que sua resolução anterior era possível através de sua própria determinação, isso foi um equívoco. Ainda estamos no deserto e na tempestade. Não significa que você deva cavar um poço ou içar uma vela para superá-la com sua própria força. O cerne deste texto é perceber que o Senhor "dá" esse alimento. Somos meramente os receptores.
Por que isso é tão difícil de aceitar? Porque surge a dúvida: “Será que isso significa que o Senhor dá tudo mesmo se eu ficar parado?”. Deixe-me explicar o significado de "dar" e "receber" através do exemplo de Abraão. Abraão ofereceu seu filho Isaque. De acordo com Hebreus, foi como se ele recebesse Isaque de volta dos mortos. Ao oferecer seu filho, ele deu sua coisa mais preciosa, mas, paradoxalmente, passou a possuir tudo. Abraão era um homem muito rico que tinha tudo. Contudo, através do ato de oferecer seu filho, ele confessou: “Senhor, eu não sou quem possui nada. Não posso fazer esta obra pela minha própria força”. Suas posses não desapareceram, mas ele reconheceu que a propriedade pertencia a Deus. A confissão de ser "aquele que nada tem" não é fruto de uma humildade forçada ou de uma grande iluminação. É encarar o fato de que somos essencialmente seres que nada têm. Quando percebemos esta verdade, nossa atitude perante a vida muda completamente, e nossas vidas tornam-se cheias de alegria. Se confessar verdadeiramente que a casa, os filhos, o cônjuge e até o carro que vê agora não são sua propriedade, sua vida diária será uma série de alegrias surpreendentes.
Verdadeiro louvor e descanso florescendo sobre a confissão de desapego
Deixe-me dar um exemplo. E se uma pessoa em situação de rua acordasse de manhã e encontrasse uma panela quente de sopa de kimchi à beira de sua cama? Quão grato e feliz ele ficaria, dizendo: "Como tal sorte pôde vir para alguém como eu?". Se um carro parasse e lhe oferecesse uma carona após a refeição, ele se sentiria como se estivesse no céu. Ele é alguém que nada tem, no entanto, alimento e conveniência inesperados foram providenciados. Somente quando você se sente assim é que a afirmação "aquele que nada tem" torna-se realmente uma realidade em nossas vidas. Aquele que confessa verdadeiramente o desapego torna-se profundamente grato e jubiloso por cada pequena coisa que desfruta. A partir do momento em que abrem os olhos de manhã, tudo tem que ser graça. E o ápice dessa gratidão está no ponto em que você se descobre regozijando-se mesmo em situações em que não pode possivelmente ser grato, e está convencido: "O Senhor está verdadeiramente comigo".
Não seria uma verdadeira emoção poder vir à igreja e louvar ao Senhor? Quão grande alegria é que Deus, que nada tinha a ver com você, o buscou, permitiu que ouvisse Sua voz e permitiu que chamasse Seu nome? Temos vida eterna? Não. Só podemos tê-la se o Senhor a der. Mas nós já a recebemos. Então por que ainda mantém seu orgulho e insiste: "Senhor, farei esta única coisa do meu jeito"? Vocês são, na verdade, pessoas que não têm nada a perder ou que lhes seja roubado. Por que está tão desesperado só porque sua saúde declinou? Isso era originalmente seu? Se tentar tirar uma peça de roupa velha de um sem-teto, ele resistirá ferozmente, mas se lhe oferecer um terno melhor, ele soltará imediatamente. Os verdadeiros crentes são aqueles que abandonaram a noção de propriedade sobre o mundo. No entanto, ainda vivemos em ansiedade, temendo que "minha saúde, minha riqueza e minhas coisas" desapareçam.
Amados irmãos e irmãs, lembrem-se do destino final onde esta mensagem, formando degraus, pretende colocá-los. O Senhor, que primeiro nos mostrou quem somos e quão aterrorizante é a ganância dentro de nós, agora nos faz saber, através do "pão dado pelo Senhor", que tudo o que enfrentamos está dentro de um relacionamento com Ele. E finalmente, ao saber que o pão e até mesmo nossas vidas pertencem ao Senhor, oro fervorosamente em nome do Senhor para que suas tempestades e seu deserto tornem-se como nada diante de vocês, e apenas a paz dada pelo Senhor os preencha.
Oremos.
Amado Senhor, nós Te agradecemos. Agradecemos-Te por nos permitires perceber a verdade para que, através da cruz dentro do abraço do Senhor, a verdade de Deus ganhe vida. Agradecemos-Te por nos fazeres saber que não apenas morreste por nós, mas que também estás caminhando conosco neste exato momento. Sempre que estas coisas maravilhosas que realizaste se desdobrarem em nossas vidas, que haja verdadeira gratidão e profunda emoção em nós.
Permite-nos viver uma vida onde sejamos gratos ao abrir os olhos pela manhã e gratos ao fechar os olhos à noite. Que não nos esqueçamos por um único momento que, mesmo que nossos corpos adoeçam, eles pertencem ao Senhor, e mesmo que nossos corpos sejam saudáveis, eles pertencem ao Senhor. Em todas as situações, permite-nos seguir em frente confiando apenas no Senhor.
Oramos em nome de Jesus Cristo. Amém.
'IV. Coleção de Sermões do Pastor > O Evangelho de João' 카테고리의 다른 글
| O Evangelho de João-39 – O pão da vida – I (0) | 2026.05.10 |
|---|---|
| O Evangelho de João-38 – A obra de Deus (0) | 2026.04.21 |
| O Evangelho de João-36 – Sou eu; não temais (0) | 2026.04.10 |
| O Evangelho de João-35 – A alimentação dos cinco mil, Jesus que nos enche-II (0) | 2026.04.10 |
| O Evangelho de João-34 – A alimentação dos cinco mil, Jesus que nos enche-I (0) | 2026.04.06 |
