João 6:1–15

Depois disto, Jesus partiu para o outro lado do Mar da Galileia, que é o Mar de Tiberíades. E uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele realizava nos enfermos. Jesus subiu ao monte e ali se sentou com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão se aproximava, Jesus disse a Filipe: ‘Onde compraremos pão para que estes comam?’ Ele disse isso para o testar, pois ele mesmo sabia o que ia fazer. Filipe respondeu: ‘Duzentos denários de pão não seriam suficientes para que cada um recebesse um pouco.’ Um de seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse a ele: ‘Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas o que é isto para tanta gente?’ Jesus disse: ‘Façam as pessoas sentarem-se.’ Ora, havia muita relva naquele lugar. Assim, sentaram-se os homens, em número de cerca de cinco mil. Jesus, então, tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os aos que estavam sentados; e fez o mesmo com os peixes, tanto quanto queriam. Quando ficaram saciados, disse aos seus discípulos: ‘Recolham os pedaços que sobraram, para que nada se perca.’ Eles os recolheram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram aos que haviam comido. Quando as pessoas viram o sinal que ele havia feito, disseram: ‘Este é verdadeiramente o Profeta que devia vir ao mundo!’ Percebendo, então, que estavam prestes a vir e levá-lo à força para o tornarem rei, Jesus retirou-se novamente sozinho para o monte.” Amém.

 

Deus, que Ouve as Nossas Aflições

À medida que passo menos tempo sentado na congregação ouvindo sermões e mais tempo no púlpito pregando-os, sinto que se torna cada vez mais difícil definir tudo de forma simples. No entanto, creio que muitos de vocês compartilham pensamentos semelhantes. Muitos, inclusive eu, frequentemente nos perguntamos ao ouvir um sermão: "Deus está realmente interessado nas minhas dificuldades? Ele sabe de fato dos problemas exaustivos, complexos e indescritíveis que estou enfrentando?". Todos os dias, em meio à nossa vida cotidiana, lutamos com a questão fundamental de como ganhar a vida.

 

Desde a questão de como sustentar nosso sustento até a saúde de nossas famílias e a nossa própria, passando por questões de trabalho e negócios, as preocupações são infinitas. Hoje em dia, parece esmagador apenas preocupar-se com a segurança da própria família. No entanto, todas as manhãs, ao abrir o jornal, ouvimos notícias de lugares como o Iraque e de todo o mundo, adicionando mais preocupações à nossa lista. Não se pode deixar de perguntar se Deus está ciente dessas circunstâncias complicadas ou se Ele se importa, mesmo que um pouco, com o coração que sofre por problemas que permanecem sem solução, não importa o quanto reflitamos sobre eles. Ao ouvir sermões, muitas vezes parece que as mesmas mensagens fundamentais — "arrependa-se dos seus pecados", "perdoem-se uns aos outros" e "creia em Jesus" — são repetidas, levando alguns a se perguntarem se o pastor realmente entende a realidade de sua agonia atual ou se a Bíblia está genuinamente interessada em sua dor.

 

Consequentemente, muitos podem perder o foco durante o sermão ou lutar com mensagens que não parecem tocar em suas vidas reais. Vamos falar honestamente entre nós — uma pergunta que pode ser difícil de trazer à tona com os outros: se alguém tem grande fé, pode realmente viver sem comer? Se a fé de alguém é profunda o suficiente, pode viver sempre em paz e alegria, sem problemas ou ansiedades? O que vocês acham? Esta foi uma pergunta muito pesada e difícil para mim enquanto eu preparava este sermão.

 

O Equívoco e a Verdade sobre a Fé que Busca Bênçãos

Nossa igreja reage com muita sensibilidade ao "Kibok-Sinang" (uma fé focada apenas na busca de bênçãos materiais). Por causa disso, algumas pessoas dizem que se sentem constrangidas até mesmo ao orar: "Senhor, dá-nos hoje o nosso pão de cada dia". Elas temem que orar por bênçãos ou necessidades diárias possa ser visto como um ato de ganância ou evidência de uma fé rasa. No entanto, buscar uma bênção não é, por si só, o mesmo que "Kibok-Sinang". A essência de tal fé não é tornar Deus o objetivo, mas sim desejar apenas o que está em Suas mãos ou buscar possuir apenas os Seus dons.

 

Em última análise, esse tipo de fé leva alguém a reverenciar o poder e a habilidade de Deus em vez de amar e confiar no próprio Deus. Por exemplo, quando você está em um relacionamento, deve amar a pessoa por quem ela é. Se você gosta dela apenas pelo que ela tem ou pelo seu histórico, não é amor, mas sim uma tentativa de usá-la. Nossa cautela em relação ao "Kibok-Sinang" não é uma oposição ao ato de pedir bênçãos a Deus. Na verdade, se nos opusermos da maneira errada, podemos cair em outro erro perigoso.

 

Esse erro é a arrogância de pensar que se pode viver perfeitamente bem sem as bênçãos que vêm de Deus. Esta é uma atitude equivocada. Sob o pretexto de uma vida espiritual "nobre", a pessoa não confia em amar e confiar em Deus, mas em seu próprio senso de quão "limpamente" ou "justamente" está praticando sua fé. Isso é tão perigoso quanto o "Kibok-Sinang". Vocês realmente acham que Deus não percebe quão complexa é a sua vida ou o quanto vocês precisam de conforto? Vocês acham que o único interesse Dele é a sua presença no culto de domingo, o voluntariado obrigatório ou o cumprimento dos deveres do seu cargo?

 

O Senhor que Preenche as Nossas Deficiências

Mesmo de uma perspectiva de senso comum, não parece que o interesse de Deus resida apenas em formalidades religiosas. Nesse sentido, o texto de hoje nos traz uma luz preciosa. Vejam o versículo 2: "E uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele realizava nos enfermos". Depois, no versículo 5: "Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão se aproximava, Jesus disse a Filipe: ‘Onde compraremos pão para que estes comam?’". A essa altura, o sol já estava se pondo.

 

A multidão estava ouvindo os ensinamentos de Jesus o dia todo e estava com fome ao entardecer. Hoje, se um sermão excede trinta minutos, as pessoas começam a olhar para o pregador perguntando-se o que há de errado, mas no tempo de Jesus, as pessoas ouviam com tanta atenção desde a manhã até a noite que podem ter esquecido a fome. Vendo-os, o Senhor teve compaixão deles e pediu a Filipe uma solução. Na verdade, o evento em João 6 não é um discurso teológico grandioso; é um problema muito simples e realista. É o problema de comer e viver — o problema da fome.

 

Como vemos no texto, Jesus dedica uma atenção profunda a essa questão prática. Ele não os repreende, dizendo: "Comer não é nada; dediquem suas vidas a uma verdade superior". Em vez disso, Ele se concentra em satisfazer a fome deles. Marcos 6:34 também descreve como Jesus teve compaixão da multidão. O Senhor não sentiu apenas pena deles em Seu coração; Ele realmente os alimentou através do milagre dos cinco pães e dois peixes. A essência é clara: é uma história do Senhor alimentando-os. Em relação aos problemas de sobrevivência que enfrentamos todos os dias, o Senhor não se afasta, mas atende imediatamente às suas necessidades.

 

A Verdade Espiritual Revelada através do Pão

O que é surpreendente no Senhor encontra-se bem aqui. Embora todos experimentemos fome e nos preocupemos com o nosso sustento, o Senhor não para em fornecer uma solução física. Através desse evento comum, Ele nos ensina quem somos e quem é aquele que provê o pão. Vejam João 6:58: “Este é o pão que desceu do céu. Os seus antepassados comeram o maná e morreram, mas quem se alimentar deste pão viverá para sempre”.

 

Aqui, "aquele" refere-se ao maná no deserto. O maná foi comido, mas aqueles que o comeram acabaram morrendo. "Este pão", no entanto, refere-se ao próprio Jesus Cristo. Em outras palavras, depois de prover para a fome física deles, o Senhor usa esse evento para falar de nossa fome e sede interior. Através desse processo, o Senhor revela aspectos de nós mesmos que normalmente não consideramos. Ele pode revelar nosso orgulho ou a realidade de quanto vivemos confiando em nós mesmos. Ele revela quão obcecados estamos com o problema de comer e viver e, finalmente, quão pouco confiamos verdadeiramente em Deus.

 

O que vocês e eu vemos através dos eventos que experimentamos todos os dias? Este mundo é como um oceano de sofrimento — exaustivo, sem dias fáceis e raramente saindo conforme o planejado. Há até uma piada triste de que a única coisa que se aprende depois de vir para os Estados Unidos é como lutar enquanto se preocupa em pagar as "bills" (contas). Embora se possa perguntar se a vida é apenas isso, o fato claro é que o Senhor está profundamente interessado na realidade específica de nossas vidas e está trabalhando para resolver essas questões.

 

A Resposta: O Pão de Cevada, Jesus Cristo

Há uma coisa que devemos lembrar: Jesus nem sempre forneceu uma resposta visível apenas porque uma multidão o seguia. De fato, eventos como o registrado na Bíblia aconteceram apenas duas vezes; não eram ocorrências diárias. Ele não alimentou e mandou embora todas as multidões que se reuniam. No entanto, às vezes Ele os alimentou para mostrar algo sobre Deus, e outras vezes permitiu que passassem fome, curou-os ou mandou-os embora para revelar algo de Sua natureza. Através disso, podemos ver que o ato de dar o pão não foi meramente para encher estômagos, mas para alcançar um propósito espiritual específico. Para esse propósito, o próprio Senhor tornou-se o pão que lhes deu.

 

Portanto, é natural orar pelo pão de cada dia. É correto orar a Deus mesmo pelas menores questões. Isso não é apenas uma questão de decoro; é um dos deveres essenciais de um crente. No entanto, sempre que nossas orações são respondidas — quer precisemos do pão diário, quer enfrentemos problemas nos negócios, no caráter, na família ou na saúde — o Senhor certamente provê o "pão de cevada". Isso não significa que Ele deixa cair comida fisicamente todas as vezes, mas significa que Ele definitivamente responde às nossas circunstâncias.

 

O que é este "pão de cevada"? Como lemos em João 6:58, não é meramente um pão que enche nossas bocas e estômagos; refere-se ao próprio Jesus. Ele certamente nos dá o pão de cevada, e esse pão é Jesus Cristo. Se assim for, o que é que realmente preenche nossas vidas diárias? Se é verdade que, enquanto vivemos nossa vida cotidiana como crentes — orando no sucesso ou no fracasso, na alegria ou na tristeza —, Deus nos responde dando-nos o pão de cevada de Jesus Cristo, então qual é a verdadeira substância de nossa existência diária?

 

Encontrando Jesus no Campo da Vida Diária

Essa substância é o pão de cevada, Jesus Cristo. Quando trazemos nossos problemas complexos ao Senhor, Ele preenche esse espaço com o pão de cevada. Quando você se apresenta diante de Deus devido a circunstâncias que nem imagina conseguir lidar, Jesus não olha para esses problemas com indiferença. Ele olha com o maior interesse e lhe dá o pão de cevada: Ele lhe dá Jesus Cristo. Quando você vem com um fardo cansado e pesado, Ele responde com o pão de cevada. Quando você vem faminto, Ele se dá como o pão de cevada. Este pão de cevada é o próprio Senhor, e a Bíblia diz que você comerá e ficará satisfeito. É claro que o mundo não reconhece este pão. Eles podem olhar com desprezo, dizendo: "Como você pode viver apenas com isso?". Mas nós comemos o pão de cevada através de nossos afazeres diários, e esse pão de cevada é Jesus Cristo.

 

Isso pode soar um pouco difícil ou misterioso — a ideia de "comer Jesus Cristo através da vida diária". Vocês podem perguntar o que isso significa na prática. Comer Jesus na rua, no local de trabalho ou em casa significa que, enquanto vivemos, Jesus Cristo é revelado e manifestado através de todos esses eventos, tornando-se nosso verdadeiro alimento. Encontramos Jesus Cristo em tudo. Mesmo ao realizar as tarefas mais triviais, mesmo ao comer simplesmente uma refeição, você descobre Jesus Cristo através dos ritmos comuns da vida. Você não está apenas enchendo o estômago; você está sendo preenchido com a verdade de que realmente vivemos pelo pão espiritual do céu.

 

O Êxodo Diário e o Bom Pastor

Para entender isso melhor, vamos olhar para o cenário deste texto. Várias palavras importantes aparecem: "grande multidão", "Páscoa" e "pão". O que isso traz à mente? Pão, Páscoa, uma multidão... algo está sendo sinalizado. Olhar para todo o capítulo 6 torna isso mais claro. O evento que segue o texto de hoje, começando no versículo 16, é Jesus caminhando sobre as águas. Na parte final do capítulo 6, vemos a história do maná e do deserto.

 

Deixe-me listá-los: uma grande multidão, Páscoa, pão, a travessia do mar, o deserto e o maná. Para o que isso aponta? É o Êxodo. O que Jesus está fazendo com as pessoas no deserto é um novo Êxodo. Portanto, através de nossas vidas diárias, estamos tentando um Êxodo com Jesus Cristo. Todos os dias, somos libertos do "Egito" — de nossos pecados, de nossa maldade e de nossas fraquezas. Com Jesus Cristo, que conhece tão bem nossos problemas, passamos por um Êxodo diário. Junto com Ele, atravessamos os mares da morte que se colocam diante de nós todos os dias.

 

Este é o significado de "comer Jesus". Assim como Deus alimentou o povo com maná no deserto, Jesus mesmo se torna o nosso maná e nos alimenta. Ele se torna os cinco pães e os dois peixes para nos preencher quando lutamos no deserto. Vejamos o versículo 9: “‘Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos...’ Jesus disse: ‘Façam as pessoas sentarem-se.’ Ora, havia muita relva naquele lugar.”

 

Por que João mencionou subitamente a "relva"? Por que fazê-los sentar na grama no meio de um deserto? É porque Jesus está conduzindo o Seu povo faminto e sedento a um lugar de pastagens. Ele os faz sentar na relva. Do que isso lembra vocês? Ele se parte para alimentá-los. Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.” O Senhor tornou-se o Pastor do povo de Israel que estava vagando como ovelhas sem pastor. Ele os conduz à relva, faz com que se deitem em verdes pastos e os guia para que o conforto e a gratidão transbordem mesmo no vale da sombra da morte.

 

O Caráter de Cristo Preenchendo as Nossas Vidas

Então, Jesus Cristo se parte para nos alimentar. Ele nos alimenta com o conhecimento do amor de Deus. Ele nos permite descobrir Jesus Cristo. Através de suas situações difíceis e dolorosas, Ele faz vocês perceberem: "O Senhor me ama tanto assim". Em relação ao seu negócio, o propósito final Dele não é simplesmente o sucesso ou o fracasso dele, mas que você descubra Jesus Cristo através dele. Este é o Seu amor ardente por vocês; este é o Seu pão. Assim, sua vida torna-se preenchida com Cristo através do viver diário. Isso não acontece apenas porque você vem à igreja ou porque está adorando atualmente. Embora isso seja importante, o que você descobre quando está trabalhando e comendo em sua vida diária? Você descobre o Senhor que está com você, que lhe concede o Seu caráter e que lhe permite tornar-se como Ele.

 

Existe algum momento em que você não se sente irritado enquanto trabalha? Todos nós ficamos bravos e frustrados. Nesses momentos, o que um crente aprende? Ele aprende Jesus Cristo. Nesses momentos, ao perseverar, você se preenche com a paciência de Jesus Cristo. Você deve orar: “Senhor, concede-me esse pão. Dá-me o Teu pão de cevada. Dá-me a Tua humildade e deixa que ela me preencha”. Em meio às muitas coisas que o decepcionam, ore: “Senhor, não me deixe ser derrotado por esta decepção, mas deixe-me comer o pão de Jesus Cristo, a alegria de Cristo”.

 

E como no texto de hoje, o Senhor concede isso a vocês. Através da vida diária, a devoção de Jesus Cristo é preenchida dentro de vocês. Se vocês não conseguem fazer isso, são como um crente sentado faminto no deserto. Quão trágico seria isso. Os crentes são pessoas que comem o pão distribuído por Jesus Cristo. Somos aqueles que nos preenchemos com esse pão. Quando sentimos raiva e fúria, não nos rendemos a elas; em vez disso, tomamos o pão de Jesus Cristo e vivemos com humildade, misericórdia e mansidão. Isso acontece porque ele é o nosso alimento. Descobrir isso é o que chamamos de bênção de um crente.

 

Oferecendo-nos como Somos: O Grão de Trigo

Por favor, não se prendam apenas a orações como: "Senhor, dá-me isso, e eu o dedicarei a Ti". Costumávamos fazer muito isso. "Senhor, dá-me um filho, e eu o dedicarei a Ti". As pessoas oravam fervorosamente por um filho apenas para oferecê-lo de volta. Embora não seja necessariamente ruim, não parem por aí. Tal mentalidade pode tornar-se calculista — pensando que, se eu não receber, não tenho que dar, então não tenho nada a perder. Em vez de tal obsessão, ofereçam o seu "pão de cevada" como Jesus fez. Um pão de cevada é algo muito humilde e insignificante. Jesus ofereceu a Si mesmo.

 

Ofereçam-se da mesma forma. Não fujam porque se sentem insignificantes e não digam: "Deus deve dar para mim antes que eu possa dar para Ele". Ouçam o que o Senhor está realmente pedindo de vocês. Ele não está esperando que vocês recebam algo para oferecer de volta; Ele está perguntando se vocês podem oferecer o seu eu fraco e atual — o seu corpo de "pão de cevada" — a Ele agora mesmo. Porque Jesus Cristo tornou-se um pão de cevada e foi comido pelas pessoas, muitos ficaram satisfeitos. Quando Ele se tornou um grão de trigo que cai e morre, produziu muito fruto. O Senhor exige que "apodreçamos" como uma semente; Ele não exige que a sua semente seja grande e impressionante.

 

Ele não pede que vocês O sirvam apenas depois de se tornarem mais impressionantes ou "melhores". Assim como Ele aceita vocês como são, Ele quer que vocês "morram e apodreçam" como uma semente tal como são. Como podem as preciosas obras de Deus acontecer se não morrermos e apodrecermos? Vocês ainda estão calculando porque acham que têm demais ou muitos pensamentos? Não. Até isso está tudo bem. "Morra" exatamente como você é, mesmo que sinta "isso é tudo o que sou". Se você tem muitas preocupações, venha com essas preocupações. Quando foi que o Senhor lhe disse para resolver todos os seus problemas antes de vir a Ele? Ele disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados", não "Resolvam seus próprios problemas e depois venham Me ajudar". Se você acha que sua fé é pequena demais, tudo bem. Conhecer a si mesmo é uma coisa grandiosa. Venha com sua pequena fé. Se sua teimosia for muito forte ou se você for orgulhoso demais, venha como você é. O Senhor não pede que você conserte essas coisas antes de vir. Venha como você está e entregue o seu fardo pesado a Ele.

 

Vida Diária para a Glória de Deus

Encontrem e descubram Jesus Cristo em sua vida diária e preencham-se com Ele. Ninguém desconhece as suas próprias deficiências. É nesses momentos que vocês e eu percebemos a verdade de 1 Coríntios 10:31. Vamos ler juntos: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. É assim que esse versículo se torna possível. Mesmo ao comer uma refeição, você não apenas descobre Jesus Cristo, mas se preenche com Ele. Você não está apenas fazendo uma refeição; você está dizendo: “Senhor, obrigado por me permitir este pão diário, permitindo-me saber quem é Jesus Cristo e o quanto Tu me amas. Eu não confio nesta comida, mas desejo viver pelo pão do céu”. Ao descobri-Lo, você preenche sua vida com Jesus.

 

Quando você cai em um estado de exaustão porque a vida é difícil e complexa, você encontra Aquele que está ajoelhado com você, chorando com você e entendendo o seu coração — Aquele que diz: “Meu filho, Eu sou o mesmo Jesus que experimentou isso com você”. Nesse encontro, você se preenche com o consolo e a alegria Dele. E quando o Senhor responde às suas orações difíceis e os problemas são resolvidos, você não se alegra apenas porque o problema acabou, mas porque o Jesus Cristo que Se lembra de você preencheu sua vida com a Sua abundância.

 

O que você fará quando parecer que Ele não respondeu? Se você orou intensamente, mas o pedido não foi atendido, o que fazer então? Quando Ele responde, dizemos: “Senhor, obrigado por me preencher com a abundância de Cristo”, mas e quando Ele não responde? Como nós dois sabemos, não é que Ele não o tenha preenchido; Ele o preencheu. Através desse silêncio, você recebe algo ainda mais precioso. Deus o torna humilde e, através da sede de um deserto sem água, faz com que você perceba do que realmente precisa para viver. Quando é que a fé de um crente realmente cresce? É quando você enfrenta a aflição. É quando as coisas não saem do seu jeito. Só então você percebe: “Ah, Deus é aquele em quem devo confiar, aquele a quem devo amar, aquele que conhece a minha vida”. Se a sua oração for respondida, alegre-se. Mas se parecer que a sua oração não foi respondida, você deve ficar ainda mais radiante. É uma coisa maravilhosa, pois Ele está permitindo que você conheça o verdadeiro reino e a justiça de Deus.

 

A Promessa de Plenitude Transbordante

Nosso propósito é o mesmo que o propósito de Deus. Não é fazer o que queremos nesta terra, mas conhecer a Deus através de todos esses eventos. Esse é o nosso tesouro, nosso propósito e nossa força. Visto dessa forma, não é natural que lutemos? Não é algo pelo qual ser grato quando enfrentamos dificuldades? Não é uma bênção quando as coisas não saem como desejamos? Finalmente, lembremo-nos de uma coisa. Provavelmente lidaremos com esta alimentação dos cinco mil novamente na próxima semana, mas olhando para a estrutura geral hoje, há pão sobrando no final — doze cestos cheios. Ele os encheu até transbordar. Como diz o final do Salmo 23: “O meu cálice transborda”.

 

Quando Deus preenche a sua vida, Ele nunca o faz com mesquinhez. Você pode sentir que está perdendo agora. Pode sentir-se frustrado. Pode estar orando com lágrimas todos os dias, perguntando-se quando um cônjuge difícil cairá em si ou quando o seu lar será finalmente feliz. No entanto, se você realmente conhece Jesus Cristo, saberá que Ele está partindo o pão de cevada e dando a você agora mesmo. Você saberá que o pão partido está preenchendo o seu coração. Talvez agora mesmo ele esteja sendo preenchido com paciência. Talvez Ele esteja preenchendo você com humildade ou longanimidade. Mas ele está sendo preenchido, e sabemos que este é o pão mais bonito, assemelhando-se ao caráter de Jesus Cristo.

 

Então, o que você fará? Como diz o hino, “Dê graças, dê graças, dê graças”. Você pode querer preencher sua vida apenas com as coisas que gosta, mas não pode assemelhar-se a Jesus dessa forma. Se o sol brilhar sem cessar, tudo simplesmente murcha e morre. Quando você está cheio de Jesus, você está cheio de longanimidade, paciência, alegria, mansidão e misericórdia. Busque esse pão de Jesus. Peça por ele. Coma-o. Preencha-se com ele. Quando alguém aparecer que o prejudique, preencha-se com esse pão. Quando alguém traspassar o seu coração, preencha-se com ele. Quando você se tornar orgulhoso porque as coisas estão indo bem, preencha-se com Jesus Cristo. Sua vida é a mesma. Quando você estiver lutando, preencha-se com o amor e o consolo Dele. Ele nunca o decepcionará e, como prometeu, fará com que o seu cálice transborde.

 

Oremos.

 

Senhor, ao olharmos para trás, o nosso cálice realmente transborda. Quando refletimos sobre quem nos tornamos, vemos que não foi por nossa própria força, mas por Tua graça. Olhando para o passado, parecemos entender, mas olhando para o presente, achamos tão difícil. Confessamos que Tu nos ajudaste no passado, mas é difícil superar as dificuldades imediatas de hoje.

 

Senhor, não nos deixes esquecer que Tu nos colocaste no deserto, nos sentaste na relva e estás nos alimentando com pão. Embora nossos corações estejam pesados porque estamos comendo o pão da paciência, permite-nos lembrar que estamos comendo o que Tu provês em verdes pastos. Podemos nos sentir frustrados porque não podemos fazer as coisas do nosso jeito enquanto comemos o pão da longanimidade e da mansidão, mas Senhor, deixa-nos ver através da fé que este é um pão verdadeiramente belo.

 

Em nome de Jesus Cristo, nós oramos. Amém.

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