João 4:46-54.
“Vio, pois, Jesus outra vez a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho. E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. Ouvindo este que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte.
Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e prodígios, não crereis. Disse-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu. E, descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe deram novas, dizendo: O teu filho vive. Perguntou-lhes, pois, a que hora começara a melhorar. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou. Entendeu, pois, o pai que era aquela mesma hora em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa. Jesus fez este segundo sinal, quando ia da Judeia para a Galileia.” Amém.
Além dos Sinais, em Direção ao Senhor da Vida
A mensagem que compartilhamos hoje baseia-se no registro de um oficial do rei, um dignitário da região da Galileia naquela época. Ao ouvir os rumores de que Jesus curava os enfermos, ele se aproximou e suplicou que curasse seu filho, recebendo finalmente a graça de vê-lo restaurado. Um ponto distintivo deste acontecimento é que Jesus não foi pessoalmente levantar a criança, mas a curou simplesmente com Sua palavra. Esse desenrolar é muito semelhante ao caso do centurião que confessou: “Senhor, não sou digno de que entres sob o meu telhado, mas dize somente uma palavra”, e foi elogiado por Jesus por sua fé.
Além disso, há várias características importantes a notar no texto. O versículo 46 diz: “Vio, pois, Jesus outra vez a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho”. Isso sugere que o evento de hoje está profundamente relacionado com o milagre em Caná mostrado no capítulo 2 de João. Todos conhecemos bem o sucesso onde Jesus transformou água em vinho quando este se esgotou nas bodas de Caná. Às vezes, aqueles que têm fé, mas sentem o coração pesado por seus hábitos de bebida ao vir à igreja, gostam especialmente deste versículo. Ocasionalmente ouço dizer que, como o primeiro milagre de Jesus foi fazer vinho, não deveríamos ser tão estritos com o álcool — e essa afirmação não está de todo errada. Certamente, o primeiro milagre que Jesus realizou foi criar vinho para restaurar a alegria da festa.
A Correlação entre as Bodas de Caná e o Oficial do Rei
O que lhes parece? À primeira vista, o texto de hoje e as bodas de Caná não parecem totalmente alheios entre si? O capítulo 2 de João era o registro de um banquete de casamento, enquanto o texto de hoje trata sobre o filho de um oficial do rei sendo salvo do limiar da morte. Recordemos brevemente as bodas de Caná. Aquele era um dia de festival onde todos compartilhavam alegria e prazer. No entanto, o vinho acabou. O lugar do banquete, que deveria estar cheio de gozo, começou instantaneamente a tornar-se desolado e vergonhoso. Justo então, Jesus infundiu vida naquele lugar. Ao fazer vinho, transformou este banquete no banquete de Deus, presidido por Jesus mesmo. E através da festa, revelou que Jesus mesmo é o Mestre do vinho e o próprio vinho. A água convertendo-se em vinho é um testemunho das Escrituras de que Jesus Cristo veio a esta terra para tornar-se pessoalmente o vinho e nos outorgar o vinho do céu.
O oficial do rei que aparece no texto de hoje era uma pessoa de considerável status social. Se buscarmos uma conexão entre ambos os eventos, o banquete simboliza a alegria e o oficial representa uma figura de sucesso. Em outras palavras, ambas as situações começaram com aparências positivas. No entanto, surgiu um problema na vida deste oficial bem-sucedido. Assim como ocorreu um problema quando acabou o vinho durante o banquete de alegria, uma crise golpeou este oficial. Como o vinho que se esgota, desta vez a chama da vida do filho do oficial estava se apagando. O Senhor salvou este filho. Então, termina aqui a história? O fato de Jesus Cristo salvar uma criança moribunda é realmente tudo o que este texto pretende transmitir?
O Foco do Evento: O Messias que Veio Entre Nós
Amigos, para compreender o texto mais profundamente, há um fato que devemos abordar. Primeiro, devemos reconsiderar por que as bodas de Caná foram registradas. Foi simplesmente para nos informar que o vinho era insuficiente, mas que foi reabastecido milagrosamente para terminar a festa sem problemas? Não é assim. O propósito daquele banquete, como mencionado antes, é mostrar qual é o verdadeiro vinho e qual é o "melhor vinho", superior ao primeiro. Mais ainda, o propósito central é testificar quem é Jesus Cristo, que é esse melhor vinho em Si mesmo. Portanto, o verdadeiro protagonista do texto nunca muda.
Por favor, não percam esta perspectiva no sucesso que estamos tratando hoje. O fato de o filho do oficial ser curado ou quão grande era a fé do oficial não é o foco essencial da história. O verdadeiro foco está em quem é Jesus Cristo, que entrou no meio dos problemas que enfrentamos. Quem é Ele, que vem ao nosso sofrimento para proclamar Sua divindade e Seu messiado? Este é o verdadeiro conteúdo que o texto pretende nos entregar.
Etapas da Fé: Fé por Sinais e Fé pela Palavra
Tentaremos rastrear as palavras repetidas no texto. Aqui aparece uma palavra muito importante: "crer". Se observarem o texto, verão que a palavra "crer" aparece três vezes, nos versículos 48, 50 e 53. Primeiro, vejam o versículo 48: “Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e prodígios, não crereis”. Aqui, a frase "não crereis" aparece pela primeira vez. Seguindo isso, o versículo 50 diz: “Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu”. Quando Jesus disse: “Pode ir, seu filho vive”, o oficial creu nessas palavras e empreendeu seu caminho.
Mas o assunto reside no versículo 53. Diz: “Entendeu, pois, o pai que era aquela mesma hora em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa”. Ficou claramente registrado no versículo 50 que ele creu; por que a expressão “creu ele com toda a sua casa” aparece de novo apenas ao chegar ao versículo 53? Então, que tipo de fé ele tinha antes? Se explicarmos como se ele tivesse crido vagamente no princípio e apenas depois de ver seu filho curado pensasse: “Ah, é verdade”, chegando finalmente a crer de verdade, então seria difícil chamar a crença prévia de uma fé verdadeira. Isso se deve ao fato de que apenas a crença posterior seria a genuína. Por que, então, quem claramente creu e partiu no princípio, é descrito como crendo de novo ao final? Sua fé tornou-se repentinamente mais forte? É um passagem difícil. Não é fácil definir isso como fé em seu sentido completo nem desentranhar seu significado original. Agora, começaremos desde o versículo 48, onde apareceu pela primeira vez a palavra "crer", e examinaremos a verdadeira intenção deste conteúdo passo a passo.
Duas Perspectivas sobre o Ver Sinais
Vejamos de novo o versículo 48. “Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e prodígios, não crereis”. A situação que precede isso é o oficial rogando: “Desce e cura meu filho”. Em vez de dizer que o curaria ou simplesmente dizer-lhe que retornasse, Jesus diz: “Se não virdes sinais e prodígios, absolutamente não crereis”. Estas palavras soam como uma repreensão, por isso usualmente são entendidas como um reproche: “Por que você sempre tem que ver sinais e prodígios para crer? Você tem que confirmar as coisas com seus olhos para crer? Não pode simplesmente crer em Mim?”. No entanto, se interpretarmos este versículo apenas dessa maneira, surgem contradições ao conectá-lo com outras partes da Escritura.
Vejam João 6:26. Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes”. Este é um ponto que indica que “a razão pela qual me seguem é porque comeram o pão que lhes dei e se encheram, não porque viram os sinais”. Aqui, o tom implica antes que "vocês devem ver os sinais". No entanto, no capítulo 4, Ele disse: “Por que me seguem apenas se veem sinais?”, de modo que os dois ditos parecem opostos. Pergunto-me se estou complicando as coisas ao aprofundar demais em uma parte que poderia passar despercebida facilmente. No entanto, na primeira Ele parece repreender a atitude de necessitar ver sinais e prodígios para crer, e na segunda lhes diz que vejam os sinais e O sigam; então, como entender a lacuna entre esses dois ensinamentos?
O Propósito dos Sinais: A Cruz e a Ressurreição
Portanto, não temos outra escolha senão meditar um pouco mais profundamente neste versículo. Recordando as palavras de João 6:26, está claro que devemos ver sinais. Assim, mais do que interpretar o texto anterior simplesmente como um reproche que significa "Você crê em Mim apenas depois de ver um sinal?", podemos entendê-lo como uma exortação: "Veja os sinais e prodígios. E creia". Em outras palavras, é como se Jesus dissesse ao oficial: "Já que você é alguém que não pode crer sem ver sinais e prodígios, agora veja estes sinais e creia em Mim".
Se for interpretado assim, surge uma pergunta: “Pastor, resolvem-se todos os problemas apenas com ver sinais e prodígios? Deveríamos simplesmente perseguir milagres?”. Em um sermão anterior, afirmei claramente: “Não vivemos de milagres”. Enfatizei que os milagres por si mesmos não podem nos salvar, por isso poderia parecer contraditório dizer agora "vejam os milagres". A razão deste mal-entendido é que a expressão "ver um sinal" é usada em dois sentidos diferentes na Bíblia.
O primeiro caso é uma fé enterrada no sinal em si e que apenas segue isso. Isso concorda com a frase mencionada anteriormente: "porque comestes do pão e vos saciastes". Se olharmos João 2:23, registra-se que em Jerusalém durante a Páscoa, muitas pessoas viram os sinais que Jesus fazia e creram em Seu nome. Até aqui, não parece haver problema. No entanto, no versículo seguinte diz que Jesus não se fiava deles, porque conhecia a todos, e não necessitava de testemunho humano. Isso significa que, embora tenham crido após verem sinais, essa fé era falsa. Apenas porque a palavra ‘crer’ apareça na Bíblia não significa que seja sempre fé verdadeira. Deve-se captar a realidade dessa fé através do contexto. A razão pela qual Jesus não se confiava a eles era porque viam o sinal apenas como um sinal e O seguiam por ele. Ou seja, não olhavam para o verdadeiro Salvador, mas seguiam o Senhor porque seus corações haviam sido roubados pelas "migalhas de pão" imediatas.
A Hospitalidade Oportunista dos Galileus
Há quem presencie um milagre e, vendo esse poder, siga a Jesus dizendo: “É realmente assombroso que a enfermidade fosse curada”. Ao vê-Lo caminhar sobre a água, seguem-No com admiração: “É uma pessoa notável”, e ao vê-Lo acalmar o mar: “Como é possível tal coisa? Este homem é verdadeiramente grande”. Poderíamos pensar que seguir o Senhor assim é suficiente, mas a Bíblia situa todos os que creem em Jesus apenas porque viram sinais na categoria de fé falsa.
Tais casos não se limitam a um só lugar. Se olharem o versículo 43 do capítulo 4, justo antes do texto de hoje, aparece uma expressão muito interessante: “E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galileia. Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria terra.” Mas o versículo 45 seguinte diz: “Chegando, pois, à Galileia, os galileus o receberam, visto todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa.” Se saborearem este versículo, notarão que o princípio e o fim não concordam. Jesus disse que um profeta nunca é bem-vindo em sua terra e entrou nela, e ainda assim as pessoas O recebem fervorosamente. Poderia parecer que as palavras de Jesus estavam erradas, mas por que a Bíblia se deu ao trabalho de registrar esta situação contraditória?
Na verdade, este versículo perde seu verdadeiro significado se não for lido em conexão com as palavras precedentes. Jesus disse: “Um profeta não tem honra na sua própria terra”, e na realidade, não foi verdadeiramente bem-vindo na Galileia. Embora a Bíblia registre que os galileus O receberam, acrescenta a razão em um tom muito cínico: diz que O receberam não porque soubessem quem Ele era, mas simplesmente porque tinham visto os milagres e sinais que realizou. Em outras palavras, tal como as pessoas que creram após verem prodígios em Jerusalém, os galileus também acudiram a Ele apenas porque estavam fascinados pelos milagres. Receberam-No como a um herói que regressa, dizendo: “Dizem que Ele cura enfermos! A estrela de Jerusalém veio!”. Jesus declarou sobre isso: “Um profeta não tem honra”. Isso se deve ao fato de que sua recepção baseava-se apenas na curiosidade humana e na expectativa, não em uma confissão de fé verdadeira surgida do profundo da alma.
A Verdadeira Sinal: O Sinal de Jonas e a Cruz
Portanto, amigos, o fato que devemos abordar é que seguir o sinal em si nunca é a fé correta. No entanto, há outro grupo aqui: as pessoas que seguem a "realidade" para a qual o sinal aponta. Um sinal é originalmente como um ‘poste indicador’. Pensem nos sinais na rodovia. Se vemos uma placa que diz ‘São Paulo’, seguimos a seta indicada para o nosso destino. Ninguém pensa que a placa é o destino e bate contra ela. Da mesma forma, os sinais têm uma realidade separada para a qual indicam. Seguir essa direção indicada corretamente é o que a Bíblia expressa como ‘ver o sinal’. Assim, a frase ‘ver um sinal’ contém dois significados distintos.
Em Mateus 12:39, o Senhor diz: “Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas”. Esta é uma declaração de que a essência de todos os sinais de Jesus reside no sinal de Jonas. Jonas, o profeta do Antigo Testamento, foi uma figura presa no ventre de um grande peixe por três dias e depois retornou vivo para pregar em Nínive. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “Eu também, como Jonas, serei tragado pela morte por três dias e depois ressuscitarei. Não tenho outro sinal a mostrar-lhes senão Minha cruz e ressurreição”. Em última análise, o ponto final para o qual apontam todos os sinais é a cruz e ressurreição de Jesus Cristo. Quando os fariseus e mestres da lei alardeavam que creriam se Ele lhes mostrasse um sinal do céu, o Senhor apresentou apenas o sinal da cruz e da ressurreição.
Por isso, o propósito de todos os sinais é testificar o evento de Jesus Cristo sendo crucificado e ressuscitado. O ato de curar ou acalmar o mar não pode ser o propósito do sinal em si. Os milagres que experimentamos na vida diária também não são propósitos em seus próprios fenômenos. Mais do que deter-se na cura, o verdadeiro propósito de um sinal é fazer-nos olhar para Jesus Cristo, o ‘Cordeiro de Deus’, que tomou todas as nossas enfermidades sobre Si e avançou para a morte. Ao carregar Cristo com nossos pecados, doenças e dor, outorga-nos o gozo do reino dos céus; este é o verdadeiro significado do sinal. Por isso o Senhor mencionou Jonas e falou de ter que morrer por três dias.
O apóstolo Paulo proclama esta verdade em 1 Coríntios 1:22: “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.” São palavras grandiosas. As pessoas do mundo buscam sinais visíveis, mas o verdadeiro sinal é especificamente ‘Cristo crucificado’. Lembrem-se que só Ele é o único e verdadeiro sinal que nos foi concedido.
Jesus, que Resolve os Problemas Fundamentais
Às vezes, ao assistir a campanhas de cura, colocamos todo o nosso propósito apenas em ser curados de uma enfermidade. No entanto, isso é um grande mal-entendido da essência que a Bíblia e Jesus Cristo pretendem nos transmitir. É vir ante o Senhor apenas com o coração de curar minha doença e resolver o problema imediato, sem compreender a verdadeira razão pela qual Jesus fez milagres. Jesus certamente resolve nossos problemas, mas não é um solucionador "superficial". Ele não é alguém que simplesmente coloca um curativo em nosso corpo ou prescreve analgésicos.
Amigos, as doenças físicas ou as penúrias da vida são, na realidade, fenômenos derivados de problemas mais profundos em nosso interior. Eliminar os sintomas externos não muda fundamentalmente nossas vidas. Por exemplo, se uma pessoa morta voltasse à vida, eventualmente enfrentará a morte de novo. Isso ocorre porque o problema fundamental da vida não foi resolvido. O mistério da ‘vida eterna’ prometida pelo Senhor nunca é alcançado assim. Alguém pode confessar: “Obrigado, Deus”, porque seu câncer curou, mas a cura não é a totalidade do sinal. Um sinal possui valor apenas quando revela a realidade para a qual verdadeiramente aponta.
Se entenderam até aqui, vejam o versículo 48. Jesus diz: “Se não virdes sinais e prodígios, não crereis”. Esta afirmação equivale a declarar que “sem o evento da cruz e da ressurreição, nunca poderão alcançar a fé”. Em resumo, como a realidade dos ‘sinais e prodígios’ é a ‘cruz e ressurreição’, significa que sem este evento decisivo, um ser humano não pode ter fé verdadeira nem que morresse e voltasse a despertar. Como poderia o oficial do rei ter entendido este profundo significado espiritual? Não compreendeu em absoluto por que o Senhor dizia tais coisas. Assim, apenas seguiu repetindo: “Senhor, não sei do que falas. Por favor, desce e cura meu filho primeiro”.
A Proclamação da Verdade e Nossa Súplica Infantil
Se vocês ou eu estivéssemos na posição de Jesus ou de Deus, como teríamos reagido? Enquanto Ele expõe a verdade eterna sobre como a vida verdadeira obtém a salvação, se a contraparte apenas está incomodando por um ‘doce’ diante de seus olhos, quão frustrante seria? Pensem quando ensinam seus filhos. Se falam seriamente sobre assuntos transcendentais da vida, mas a criança não entende e continua perguntando: “Mãe, quando comemos?”, como se sentiriam? Enquanto o pai aconselha de coração sobre como viver corretamente, se a criança apenas repete: “Quando você vai me dar comida?”, seria frustrante e até irritante. Se você tenta dar uma lição profunda a um jovem do ensino médio sobre o sentido da vida, mas ele apenas te olha falando de comida, a desolação seria indescritível.
Quão frustrado deve ter se sentido Jesus? Estando no ponto onde se dividem a vida e a morte, Ele trata de fazê-lo compreender que, embora a cura do filho seja importante, há um assunto muito mais essencial e urgente; mas o oficial não o nota. Simplesmente fica no nível de se apegar e bajular como uma criança. Se fosse eu, talvez tivesse desistido ali mesmo. Teria me dado a volta dizendo: “Está bem, explicarei da próxima vez”. No entanto, Jesus nos diz palavras que são verdadeiramente assombrosas.
Os Limites da Fé que Busca Bênçãos e o Foco nos Sinais
É a palavra do versículo 50. “Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu”. O que significa que creu aqui? Como mencionei, há dois aspectos na fé que vê um sinal; que tipo de fé o oficial sustentou? Provavelmente pensou: “Finalmente, este Curador Milagroso, esta pessoa com talento extraordinário, concedeu meu pedido. Agora meu filho sobreviverá”. No momento em que ouviu as palavras de Jesus, confiou nEle como um realizador de milagres e começou sua viagem. No final, o que o oficial seguiu foi o sinal, e a realidade desse sinal era o fenômeno da cura de seu filho. Moveu seus passos olhando apenas para esse sinal.
Amigos, uma fé que persegue apenas sinais assim está destinada a revelar seus limites mais cedo ou mais tarde. Se examinarmos as pegadas do oficial no texto, várias características se revelam de imediato. A distância de Caná a Cafarnaum é de umas 20 a 25 milhas. Revisei vários livros de geografia bíblica e, embora não tenha caminhado por lá, dizem que é uma trilha que leva umas 4 horas a pé. Como a vida de seu filho estava em jogo, este oficial teria corrido essas 20 milhas durante 4 horas sem se deter para encontrar-se com Jesus. O caminho de volta, se ele se apressasse, também teria sido suficiente em 4 horas. Segundo o versículo 52, a hora em que o oficial se encontrou com Jesus foi a ‘hora sétima’, que é a 1:00 PM atual. Se se encontrou com Jesus à 1:00 PM e ouviu: “O teu filho vive”, deveria ter partido para casa de imediato.
A Obediência Tardia Enterrada nos Sinais
Então, a que horas ele deveria ter chegado em casa? Se tivesse acelerado o passo normalmente, deveria ter chegado por volta das 5:00 PM. No entanto, o registro do versículo 52 revela um fato surpreendente. Quando perguntou quando o menino começara a melhorar, os servos responderam: ‘Ontem às sete horas’. Isso significa que ele passou um dia inteiro no caminho. O pai, que havia chegado correndo dizendo que a vida de seu filho perigava, de repente desperdiçou um dia.
Amigos, a característica de quem segue sinais é que sua resolução e paixão iniciais são grandiosas. Mostram grande zelo sem importar o fogo ou a água e parecem que alcançarão algo grande de imediato. Este oficial também resolveu dizendo: “Tu és uma grande pessoa. Creio no Teu poder”, e partiu. Uma pessoa fascinada pelos sinais sente um coração ardente porque vê um milagre. Isso poderia ser natural, pois o confirmaram diretamente com seus olhos. Em vez de pregar aqui por uma hora que “creiam em Jesus Cristo”, se eu abrisse este chão em um só milagre, vocês não se ajoelhariam de imediato para buscar o Senhor? Se eu tivesse tal poder, nossa igreja já estaria transbordando. É porque as pessoas querem exatamente esse tipo de poder visível. Ante um milagre, surge a paixão e começa a brotar uma ardente confissão religiosa.
No entanto, qual é o defeito mais fatal de uma fé que persegue apenas o sinal? É que parece seguir, mas é incrivelmente lenta quando se trata da obediência verdadeira. Jesus disse claramente: “Vai, o teu filho vive”. Então, crendo nessas palavras, deveria ter se dirigido para casa sem demora. Pôde começar com grande impulso, mas onde passou o tempo? Não sabemos se dormiu em algum lugar ou atendeu a outros negócios, mas passou um dia completo e apenas no dia seguinte se encontrou com os servos. Nem sequer tinha chegado ao seu destino. A aparência de alguém que clamava que seu filho morria não estava em lugar nenhum, e ele foi estranhamente preguiçoso em sua obediência.
Além da Oração Egoísta em Direção à Obediência Verdadeira
Amigos, o que significa esta aparência? Por sorte, poderíamos vê-lo como se o oficial, mesmo após ouvir Jesus, duvidasse internamente: “Poderá curar de verdade?”, e se desanimasse. No entanto, olhando o fluxo da palavra, parece antes uma característica típica de quem busca sinais. As pessoas que buscam sinais frequentemente perdem seu desespero e interesse tão logo obtêm o que querem. Uma vez recebem resposta à oração, a resposta em si se torna mais importante do que Deus. Depois buscam um novo objeto para satisfazer outro desejo.
"Como o negócio foi bem após orar na última vez, agora oremos pelo menino; e resolvido isso, busquemos outro problema como tema de oração". É uma forma de dizer: "Ouvi dizer que há dificuldades na igreja, então oremos para resolver isso". Assim, a oração degenera em um meio para cobrar uma dívida, como se Deus nos devesse. Esta é a característica da fé que busca bênçãos. Ao obter o que se quer, o coração passa ao próximo objetivo. O oficial também, ao estar certo de que seu filho sararia, tornou-se negligente em obedecer à palavra do Senhor e correr para casa. Assim, parece que perdeu um dia atendendo a outros assuntos ou distraindo-se no caminho.
Paixão em Aparência e Santidade Descuidada
Amigos, este é um fato muito importante. Antes de mais nada, aquele oficial acreditava nos milagres. Não era uma pessoa sem fé. Acreditava firmemente: “Certamente tal milagre ocorrerá”. Infelizmente, sua fé parou ali. Foi mais desesperado do que ninguém ao buscar o Senhor, mas no momento da obediência completa, não obedeceu. Qual é a nossa aparência hoje? Se vem um avivalista famoso e diz que orará impondo as mãos, vê-se gente enfiando a cabeça primeiro. Mostram grande zelo tentando desfrutar de uma bênção recebendo essa imposição. Se é celebrada uma reunião de dons espirituais, colocam todas as suas forças prometendo receber um. Por fora, parece que anseiam pela graça profundamente.
Além disso, se se trata de dar a conhecer seu nome, tomam a iniciativa sem importar os meios. São mais rápidos do que ninguém informando a outros que se estão dedicando tanto. No entanto, se lhes dizem para fazer a obra do Senhor silenciosamente, com seu nome oculto, zangam-se rapidamente. Protestam: “Por que eu deveria seguir tal caminho de sofrimento?”. Quando se lhes exorta a lutar pela santidade, poucos dão o passo para essa batalha espiritual. A realidade é que não obedecemos nas áreas essenciais onde deveríamos. Enviamos missionários de forma grandiosa e estilizada, mas somos indiferentes à dor do membro da comunidade que sofre secretamente ao nosso lado enquanto está enfermo ou morrendo. Como aconteceu isso? Para onde se dirige nossa fé? Fazemos realmente o que Deus nos confiou? De fato, não temos interesse nessa essência. É porque apenas seguimos sinais visíveis. Estão sentados aqui agora, adorando e invocando a Deus, mas o que perseguem realmente? Onde está o centro do seu coração agora mesmo?
Recordando a Palavra: O Momento de Encontrar o Senhor da Vida
A história do oficial não para aqui, mas entra em uma fase mais essencial. O versículo 53 marca um ponto de inflexão muito importante em sua jornada de fé. “Entendeu, pois, o pai que era aquela mesma hora em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.” A fé verdadeira aparece finalmente, e o processo é muito interessante. Dentro deste curto versículo, registram-se princípios espirituais preciosos um após outro.
Primeiro, a palavra de Deus começou a ser recordada no espírito do oficial. Isso não se deveu à sua experiência subjetiva ou julgamento pessoal, mas ao fato de que a palavra proclamada por Jesus voltou à vida. Amigos, a palavra de Deus não é recordada simplesmente por capacidade intelectual. Quem faz com que a palavra seja recordada em nós é o Espírito Santo. A obra do Espírito Santo, o Consolador, não se limita a curar doenças ou pedir bênçãos mundanas. O Espírito Santo faz com que a obra de Jesus Cristo — a quem Deus enviou — e Suas palavras venham vividamente à mente. Agora, a obra do Espírito ocorre no coração do oficial e a palavra começa a ser recordada.
Tendo recordado a palavra pela guia do Espírito, ele a cita de imediato: “Aquela mesma hora em que Jesus lhe disse: O teu filho vive”. Aqui devemos notar a expressão ‘vive’. A Escritura não registra simplesmente que ele foi ‘curado’, mas enfatiza que ele ‘viveu’. A razão é que, no início, descreveu-se o filho como ‘à morte’. Ou seja, o filho que estava praticamente morto voltou à vida. Além de uma cura, o Senhor mostra uma história simbólica de salvação onde uma vida morta revive.
Cativados por Cristo, que é a Própria Vida
O oficial, recitando essa palavra, percebe profundamente que Jesus é o Mestre dessa palavra de vida. Amigos, foi então que este homem encontrou de verdade o Senhor, que é a ‘Própria Vida’, mais do que apenas Jesus como um realizador de milagres. A compreensão o atingiu: “No momento exato em que disse ‘vive’, meu filho reviveu. Ah, esta pessoa é quem governa a vida!”. Agora, ele não cobiça algum poder de Jesus, mas anseia pelo próprio Jesus. Não se fixa nos benefícios incidentais, mas fica cativado pela existência do próprio Jesus Cristo. Porque Ele era a vida.
E aqui se revela uma verdade importante com a qual todos empatizamos. Ele finalmente percebe quão tolo tinha sido. No entanto, apesar de tal tolice, enfrenta o Senhor que ainda trabalha proclamando: “Ele viveu”. Só agora viu o verdadeiro ‘sinal’. Seu começo foi errático e seu propósito desviado. Vagava pelo caminho da fé errada, igual a nós.
No entanto, o Senhor nunca desistiu dele. Para ele, que apenas tentou obter algo do Senhor, Ele veio pessoalmente e o guiou para a vida de Jesus Cristo. O Senhor não o deixou como aquele que apenas come as migalhas que caem da mesa, mas o convidou como protagonista do próprio banquete. Mergulhou-o profundamente na água viva da vida.
O Gozo Verdadeiro de Estar com o Protagonista do Banquete
Amigos, o que dizer de nós? Após buscar algo do Senhor, uma vez resolvido o problema, não estamos seguindo o sinal em vez do Senhor, dizendo: "Como eu esperava, o Senhor escuta qualquer coisa"? Depois, quando nossa paixão esfria, não caímos na preocupação: "Pensei que acreditava ardentemente, mas por que não ocorre nada emocionante ultimamente? Por que minha fé se tornou tão asfixiante?"
Santos, vocês não são pessoas que visitam o banquete do Senhor, embrulham um pouco de comida e saem pela porta para sentar em um canto e comer. Vocês e eu somos pessoas convidadas diretamente ao lugar do banquete que o Senhor proveu, para partir o pão com Ele lá dentro. O pão é importante para vocês, ou é o Senhor quem proveu o banquete? Estar com o Senhor é o seu verdadeiro gozo, ou é apenas o pão que Ele dá?
Quero fazer a mesma pergunta aos que são comissionados hoje. O cargo que recebem é importante, ou é Jesus Cristo? O ato em si da 'minha adoração e louvor' na igreja é o importante, ou são Jesus Cristo e Deus, os objetos dessa adoração, o seu objetivo final? Espero que todos experimentem o banquete do Senhor plenamente. Não fiquem como convidados tentando embrulhar comida do lado de fora, mas entrem no centro do banquete e contemplem o rosto de Jesus. Oro para que sejam protagonistas de uma comunhão verdadeira, sentindo Seu amor, falando com Ele e compartilhando a mesa da vida com Ele.
A Mesa da Vida Desfrutada com o Senhor
Amigos, quando a comida sabe melhor? Quando se tem muita fome, mas o sabor não muda também dependendo de com quem você come? Se você se senta em frente a um inimigo, que sabor haveria? Mas e se comemos e bebemos com Jesus? Se é certo que você caminha nesta vida com Jesus Cristo e vive cada dia no Senhor, essa vida será um festival.
Há gozo verdadeiro quando vivemos uma vida onde o Senhor me guia, intervém e conduz, e quando obedecemos plenamente à Sua palavra. Quando você não se desvia para viver segundo sua vontade em um momento decisivo como este oficial, mas luta com todo o seu ser pela santidade, você será quem se regozija no banquete do Senhor. Espero que todos participem com alegria neste maravilhoso banquete de vida provido por Jesus Cristo.
Oremos.
Pai Celestial, abundante em amor e graça, recebemos Tua graça e amor e vimos e ouvimos Tua palavra. Originalmente éramos quem buscava apenas a própria felicidade e proveito, vindo diante do Senhor segundo nossa cobiça. No entanto, apesar de nossos motivos errados, o Senhor nos concedeu vida dizendo: “Vai, o teu filho vive”. Além disso, através do Espírito Santo, nos despertaste e fizeste saber onde devemos realmente estar. Senhor, concede-nos uma fé correta. Agora que conhecemos a verdade, faz-nos Teu povo que se deleita apenas em Jesus Cristo e ama o Senhor com todo o coração.
Oramos no nome de Jesus Cristo. Amém.
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