João 4:35–42
“Não dizeis vós: ‘Ainda há quatro meses até que venha a ceifa’? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. Porque nisto é verdadeiro o ditado: ‘Um é o que semeia, e outro o que ceifa’. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhaste; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.”
E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa da palavra da mulher, que testificava: “Ele me disse tudo quanto tenho feito”. Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra. E diziam à mulher: “Já não é pelo que disseste que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo”. Amém.
A Essência da Colheita: Acerto de Contas e a Proclamação do Fim
O texto de hoje, como lemos juntos, fala do "tempo da colheita". A própria palavra "colheita" significa um acerto de contas que conclui uma era. O fato de o Senhor descrever o evento da evangelização da mulher samaritana como uma "colheita" nos oferece uma visão significativa da essência do ministério de Cristo, bem como da natureza da vida evangélica que os discípulos deveriam empreender.
Vivemos em uma era transbordante de evangelismo e missões. Talvez, desde a igreja primitiva, raramente tenha havido um tempo em que o interesse por missões e evangelismo fosse tão intenso quanto agora. Essa paixão é certamente bem-vinda, mas, por outro lado, há pontos de preocupação. Na verdade, missões e evangelismo compartilham a mesma essência. Embora as pessoas frequentemente distingam "missões" como ir para o exterior e "evangelismo" como compartilhar o evangelho com os vizinhos, eles podem ser entendidos praticamente como o mesmo termo. Se for necessário dividi-los, poderiam ser chamados de "evangelismo internacional" e "evangelismo doméstico".
A Luz e o Legado do Grande Despertamento
Na história do cristianismo americano, encontramos dois eventos cruciais. O primeiro é o "Primeiro Grande Despertamento" no século XVIII. Durante este movimento, que começou antes da independência americana e continuou depois dela, o renomado pregador inglês George Whitefield visitou a América para acender o fogo do evangelho. Além disso, Jonathan Edwards, um homem de Deus excepcional na América, foi usado grandemente de acordo com a vontade e o propósito de Deus.
Jonathan Edwards foi empossado como presidente da Universidade de Princeton ainda jovem, mas, tragicamente, morreu cedo após se voluntariar para um teste de vacina contra a varíola. Por causa disso, ele não deixou livros completos em forma acabada, e apenas alguns volumes de suas dissertações restam; contudo, esses volumes por si só exerceram uma influência profunda em inúmeros cristãos até os dias de hoje. A linhagem de Edwards foi estudada por muitos estudiosos e, entre seus descendentes espirituais, estava David Brainerd, a quem conhecemos bem. Ele se dedicou às missões entre os nativos americanos e terminou sua vida aos vinte e sete anos de idade devido a uma pneumonia.
O Diário de David Brainerd, que contém sua jornada espiritual, vale a pena ser lido ao menos uma vez por qualquer crente. É um excelente guia espiritual que mostra como a vida de um jovem que amava a Deus foi transformada e como essa vida de tirar o fôlego se desenrolou. Através do Grande Despertamento, ocorreu uma obra histórica onde inúmeras pessoas aceitaram Jesus Cristo e retornaram ao evangelho.
O Verdadeiro Cristianismo Sustentado em Tempos de Crise
Frequentemente percebemos os Estados Unidos como uma nação cristã construída sobre o espírito puritano e abençoada por Deus. No entanto, um exame atento dos fatos históricos sugere que essa interpretação é um tanto otimista demais. Na verdade, uma "nação cristã" no sentido mais estrito não existe neste mundo. Os Estados Unidos também não operam seu Estado nem estabelecem políticas baseadas apenas em princípios cristãos; como outras nações, movem-se estritamente com base em seus próprios interesses nacionais. Esta é uma característica natural de um Estado.
Se olharmos para o estado religioso logo após a independência americana, podemos ver quão séria era a situação, apesar de terem experimentado o Primeiro Grande Despertamento. Um registro de 1789 descreve a cena daquela época: “Contemplamos com corações doloridos e ansiosos o descaso pelos princípios religiosos e pela adoração entre nossos concidadãos. A irreverência e uma atitude de desprezo para com as leis e instituições da religião são predominantes e, em muitos casos, uma infidelidade que beira o ateísmo é desenfreada. Na proporção do declínio da religião, a moralidade está decaindo e derivando para a libertinagem”.
Este registro cria a ilusão de estarmos ouvindo uma história de hoje. Frequentemente falamos da crise do cristianismo moderno, mas, de fato, o cristianismo enfrentou inúmeras crises ao longo da história, às vezes sentindo a ameaça de extinção. No entanto, através de tudo isso, o "verdadeiro cristianismo" testificado pela Bíblia sempre manteve sua linhagem. Quando o cristianismo declinou, um "novo" cristianismo não surgiu de repente. O "verdadeiro cristianismo" existiu imutável desde o princípio, guardando o centro da história e liderando seu fluxo em cada momento de adversidade.
A Introdução e Corrupção do Evangelismo Artificial
No final do século XVIII, quando as coisas pareciam caminhar para tal ruína espiritual, Deus permitiu o Segundo Grande Despertamento. O início do movimento viu obras poderosas onde a intervenção notável de Deus era claramente visível. Registros afirmam que os locais de reunião estavam repletos de hinos solenes, pregação apaixonada e oração sincera. No entanto, em seus estágios posteriores, esse movimento foi sistematizado por vários avivalistas e começou a se desviar de sua essência, assumindo uma aparência diferente. Elementos de entretenimento começaram a se infiltrar nas reuniões.
As pessoas começaram a cantar canções que podiam desfrutar sensualmente, em vez de hinos solenes. Começaram a preferir sermões dramáticos, e os evangelistas pregavam de acordo para satisfazer o gosto do público. Notavelmente, durante esse tempo, o elemento da "decisão artificial" foi introduzido em grande escala pela primeira vez na história cristã. Métodos familiares para nós, como "Aqueles que creem em Jesus, por favor, levantem a mão" ou "Se você realmente crê, por favor, venha à frente", originaram-se aqui. Este Segundo Grande Despertamento tornou-se o protótipo para as reuniões de avivamento modernas e formou a base para a ordem e a forma dos cultos de hoje.
Conflito Cultural e o Excesso de Testemunho
Para os americanos, este ato de "tomar uma decisão" tinha um significado importante, pois se alinhava bem com suas tendências pragmáticas e racionalistas. No entanto, quando esse método foi introduzido na Coreia, ele entrou em conflito com o sentimento nacional único. Quando os primeiros missionários perguntaram: "Levantem a mão se vocês vão crer em Jesus", eles ficaram radiantes ao ver todos levantando as mãos, pensando que os corações estavam prontos. Mas meses depois, encontravam as mesmas pessoas levantando a mão cada vez que eram questionadas. Quando um missionário perguntou por que levantaram a mão novamente, eles responderam: "Você veio da distante América e sofreu tanto; como poderíamos recusar seu pedido de levantar a mão? Como não iríamos à frente, mesmo que apenas por simpatia?".
Para os coreanos daquela época, que priorizavam "manter as aparências" e "sentir pena" sobre a essência do evangelho, esse método de "decisão" não era inteiramente adequado. Consequentemente, alguns decidiam repetidamente crer, mas sentiam-se ansiosos ao sair, pensando: "Acho que não sou crente; posso ir para o inferno", apenas para retornar a uma reunião e "decidir" mais uma vez.
Nesse fluxo, os "testemunhos" naturalmente transbordaram na igreja. As pessoas ficaram fascinadas por narrativas dramáticas: "Uma pessoa que costumava ser assim encontrou Jesus e foi milagrosamente transformada". Embora o testemunho em si não seja desprovido de valor, surgiu um problema quando ele se tornou um elemento excessivamente importante. Aqueles que enfatizavam como se converteram e decidiram aumentaram e, eventualmente, começaram a julgar a fé dos outros com base em sua própria experiência de decisão. Eles afirmavam: "Eu decidi e mudei; o que você está fazendo? É assim que se crê? Se você crê em Jesus, deve haver uma mudança repentina e clara", tratando assim aqueles sem tais experiências como não-crentes.
O perigo mais sério reside na "criação artificial de atmosfera". Métodos que criam um certo "clima" de acordo com um programa definido são assim. Ao elevar as emoções com hinos e agitar a atmosfera com instrumentos, as pessoas reagem apaixonadamente. Nesse processo, a frase "Abra o coração das pessoas com hinos" espalhou-se como uma moda. No entanto, isso é essencialmente uma tentativa de estimular a psicologia humana com música, um conceito sem base bíblica. Os hinos ensinados pela Bíblia são um ato de adoração supremamente reverente e belo a Deus, não um meio para abrir corações ou preparar um público. O louvor em si deve ser o ato essencial de adoração e veneração.
Os Limites da Estimulação Emocional e a Perda do Verdadeiro Evangelismo
"Abrir o coração com hinos" significa, em última análise, abrir o coração através da estimulação musical. Em princípio, isso não é muito diferente de adolescentes torcendo e perdendo os sentidos no show de um cantor famoso. Simplesmente porque acontece na igreja, pensamos facilmente que é sagrado. No entanto, o mau uso disso apenas resulta em uma atmosfera artificial, correndo o risco de as pessoas ficarem mais preocupadas com o quão alto suas emoções voaram do que em buscar a Deus.
Ao realizarmos reuniões de louvor, devemos estar muito atentos a isso. Ironicamente, é por essa razão que alguns jovens ou líderes de louvor tentam elevar as emoções confiando em substâncias, tal como cantores seculares. Este é um assunto muito preocupante, e é um ponto onde os líderes da igreja devem pensar mais seriamente e guiar seus filhos corretamente.
Mesmo dentro da igreja, vozes se levantaram contra tais métodos artificiais. Mas o problema maior estava em outro lugar. Aqueles que criticavam essas tendências começaram a desistir do evangelismo por completo simplesmente porque não gostavam dos elementos artificiais. Enquanto apontavam os erros no método, caíram no paradoxo de ignorar a própria missão do evangelho. É realmente uma tendência lamentável que tenham perdido a missão de espalhar o evangelho enquanto estavam mergulhados na crítica.
Evangelismo: Proclamando o Fim e a Vontade de Deus
Hoje, através da conversa entre a mulher samaritana e Jesus, e Seu diálogo com os discípulos, buscamos examinar os princípios do evangelismo e da colheita. A igreja de hoje está em um momento onde a Palavra de Deus, a oração e as missões são desesperadamente necessárias. É profundo que o Senhor tenha falado de "colheita" antes de definir evangelismo. Colheita significa o fim do cultivo. Descrever o momento em que a mulher conheceu a Cristo como uma "colheita" nos ensina que a natureza fundamental do evangelismo é o "fim". Ou seja, evangelizar é proclamar o fim e anunciar a finalidade.
Dizer a alguém "Creia em Jesus" não é uma sugestão casual feita em um momento de lazer. Esse momento é um fim espiritual e uma oportunidade final. A Palavra de Deus é proclamada como um ultimato final. A razão pela qual me esforço para entregar fielmente a Palavra de Deus é que temo ser desqualificado depois de pregar, mas, mais do que isso, temo que qualquer um de vocês possa entender mal o evangelismo ou a salvação por aprender a Palavra incorretamente.
Vocês devem sempre lembrar dessa gravidade do evangelismo. Frequentemente dizemos que fomos abençoados ao ver os necessitados durante missões de curto prazo. No entanto, a essência do evangelismo não está no que fazemos, mas em anunciar que o "fim" foi proclamado pela vinda de Jesus Cristo. Não há mais oportunidades. A obra de salvação de Deus já está completa, e Ele nunca enviará outro Jesus para dar uma segunda chance. Este é o fim. Portanto, quando ouvimos o evangelho, devemos focar neste fato: "Este é o fim!".
O Cerne do Evangelismo: Cumprimento do Reino de Deus e da Sua Vontade
Em João 4:34, Jesus disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra”. Aqui vemos que o evangelismo de que Jesus fala não possui apenas uma natureza escatológica, mas também visa "terminar a obra de Deus" em vez de meramente salvar a alma de um indivíduo. Normalmente limitamos o evangelismo ao "ato de salvar uma alma". No entanto, no texto, Jesus deu mais importância à implementação do reino de Deus e ao cumprimento da Sua vontade do que ao fato de uma alma individual ter sido salva. Este é o cerne do evangelismo testemunhado pela Bíblia.
Portanto, o evangelismo não é um ato de resgatar uma alma em perigo e limpá-la. Em vez disso, é proclamar corajosamente o reino de Deus que ali chegou, permitindo ao ouvinte entrar no momento histórico onde a santa vontade de Deus está sendo cumprida.
A Verdadeira Salvação: Restauração ao Caráter de Deus
Embora simplesmente dizer "Creia em Jesus e seja salvo" seja fácil de entender, Jesus chama o "cumprimento da vontade de Deus" de evangelismo. Portanto, quando falamos de evangelizar, quase não há espaço para o nosso próprio mérito. Isso porque a premissa é que o próprio Deus cumpre a Sua vontade. Além disso, a salvação de uma alma não para no significado passivo de não ir para o inferno, mas ir para o céu. Ela contém o grandioso significado de que a santa vontade de Deus é cumprida em minha vida, fazendo com que essa santidade transborde em todas as áreas. A confissão de que "o Reino de Deus está vindo para a minha vida" vai além do indivíduo para incluir a sociedade, a família e todo o nosso caráter.
Assim, o primeiro propósito do evangelismo não é meramente resgatar uma alma, mas cumprir a obra e a vontade de Deus. A verdadeira salvação significa que agora vivemos com Deus dentro do Seu plano, recebendo o Seu reino e orientação. Por que isso é importante? Qual o benefício em apenas manter vivas pessoas como nós? Ainda somos seres frágeis que discutem e ferem uns aos outros. Ser verdadeiramente salvo significa que a presença de Deus habita minha vida com glória e santidade. É ressuscitar para o "caráter de Deus" além da sobrevivência biológica. O evangelismo e a salvação contêm este significado amplo e profundo.
A Essência do Evangelismo: Testemunhar Deus Além da Experiência Pessoal
Se o evangelismo visa cumprir a vontade de Deus, seu conteúdo também deve possuir uma dimensão diferente. Frequentemente entendemos mal que testemunhos pessoais ou experiências de como mudamos são o todo do evangelismo. Embora seja maravilhoso ser transformado após crer em Jesus, o conteúdo essencial da salvação e do evangelismo não deve permanecer apenas no fato de que uma pessoa mudou.
O cerne do evangelismo não é sobre como passamos a crer ou como mudamos, mas sim sobre 'Quem Jesus Cristo e Deus são'. Este deve ser o verdadeiro conteúdo. O evangelismo nunca pode ter sua experiência pessoal como assunto principal. Embora você possa usar sua experiência para explicar Jesus Cristo, ela não pode ser a essência. O evangelismo é o ato de testificar o que a Bíblia diz sobre Jesus Cristo. Assim, o evangelismo inclui não apenas seus lábios, mas também seu corpo, família e negócios. Cada área de nossas vidas deve ser usada para testemunhar o Jesus Cristo revelado nas Escrituras.
O Cerne do Evangelismo: Conhecer Jesus Cristo Diretamente
Vejam os versículos 40 a 42. Os samaritanos foram a Jesus e rogaram-lhe que ficasse, e como Ele ficou por dois dias, muitos mais creram por causa da Sua palavra. Eles disseram à mulher: “Já não é pelo que disseste que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo”.
A razão pela qual pediram que Ele ficasse é clara. Eles não queriam depender da experiência subjetiva de outra pessoa, mas queriam saber diretamente quem era Jesus Cristo. Devemos lembrar: se não sabemos claramente quem é Jesus Cristo, não podemos alcançar a salvação apenas através das experiências de outros. O verdadeiro evangelismo é habitar com Jesus Cristo e conhecê-lo em primeira mão.
Portanto, antes de evangelizar, não devemos verificar quão forte é nossa fé, mas sim se conhecemos claramente Aquele em quem cremos. Isso não significa possuir vasto conhecimento como um teólogo. Significa perceber quem está por trás de todas as coisas que você experimenta e quem é Aquele que realiza essas obras. "Fui curado" ou "Tornei-me pacífico" são experiências pessoais preciosas, mas não são o conteúdo essencial do evangelismo. Em vez disso, explicar "Por que me tornei pacífico, quem é Aquele que encontrei e que tipo de pessoa Ele é" deve ser o conteúdo. O evangelismo deve ir além do convite para "vir à nossa igreja" e mostrar quem é o Deus que você conhece através de sua vida e caráter.
O Ponto de Partida do Evangelismo: A Alegria de Participar do Zelo de Deus
Olhando para João 4:35, outra característica importante do evangelismo é que este ministério não começa em nós. O Senhor disse: “Os campos já estão brancos para a ceifa!”. Isso significa que o tempo da colheita já chegou porque o Messias veio. O ponto de partida do evangelismo não somos nós, mas Jesus Cristo.
Evangelismo não é sobre eu liderar e Deus enviar o Espírito Santo para me ajudar. É o oposto. Deus mesmo planeja e realiza a obra, e nós somos simplesmente chamados a participar de Seu zelo ardente. Portanto, o verdadeiro motivo do evangelismo é perceber profundamente o que é o "amor do Pai". Quando sabemos que estamos sendo usados como ferramentas sob o plano de Deus, o evangelismo torna-se uma emoção além do dever.
A Recompensa do Evangelismo: Desfrute com Deus
No versículo 36, diz: “O que ceifa recebe galardão”. Os ceifeiros são os discípulos e nós hoje. Já recebemos o dom da salvação, o "galardão", e fomos chamados para este ministério de colheita. O propósito por trás disso é claramente revelado: “Para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem”. Evangelismo não é um meio para encher os bancos da igreja ou uma competição para ver quem evangeliza mais. O verdadeiro propósito é que Deus, que semeou a semente, e nós, que colhemos, compartilhemos essa alegria juntos.
A essência do evangelismo não é aumentar meu próprio desempenho, mas unir-me ao processo alegre de colher as sementes que Deus já semeou. Através desse processo, percebemos quão grandes são o amor e a graça de Deus. Medir o tamanho da fé pelo fato de alguém ter evangelizado cem pessoas ou uma pessoa não é bíblico. O evangelismo é um banquete sagrado onde Deus e nós nos regozijamos juntos.
Portanto, quando você compartilha o evangelho com vizinhos ou família, sua atitude deve ser clara. Abordá-los com a mentalidade de "Eu os mudarei com meu poder" apenas leva ao conflito e faz com que sintam rejeição em relação à igreja. Em vez disso, desfrute deste processo como o Senhor disse. Olhe para frente com expectativa de como as sementes que Deus semeou trabalharão e regozije-se com Deus. O fato de você poder compartilhar o evangelho é uma oportunidade para você aprender paciência e evidência de que o caráter de Deus está sendo formado em você.
Evangelismo: Graça em Participar do Trabalho do Senhor
Uma fraqueza comum para aqueles que evangelizam é esquecer que este trabalho começou estritamente em Deus. O versículo 37 diz: “Um é o que semeia, e outro o que ceifa”. Aquele que semeou é Jesus, e os ceifeiros somos nós. No versículo 38, “Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhaste” carrega um significado literal.
De fato, não realizamos o trabalho essencial para as sementes do evangelho. Nossos esforços em pagar uma refeição para alguém, fazer um telefonema ou nos esforçarmos para fazê-los crer são meras "expressões de amor". Esse trabalho em si não é a causa do fruto. Somos aqueles que vão colher o que não trabalhamos. Quando Ele diz "outros trabalharam", esses "outros" incluem Jesus Cristo e as muitas figuras do Antigo Testamento que deram testemunho dele. Entramos no campo de colheita que Jesus Cristo já alcançou e iniciou. O evangelismo é um evento cheio de graça, onde somos convidados para o banquete da história da salvação que o Senhor completou.
Nova Criação: A Graça da Recriação, Não do Reparo
Nesse contexto, a salvação que proclamamos não é um pedido de esmola. A salvação de Deus não pode ser um apelo barato. Deus não é um ser fraco que deve conceder incondicionalmente todas as nossas exigências em nome do amor. Deus planejou nossa salvação Ele mesmo e é Aquele que não descansa até que seja completada, derramando Seu amor, santidade, justiça e Sua própria vida. Esse é o nosso Deus. Não considere Deus como um amigo ou um servo que cumpre suas ordens. Ele é o nosso Rei, nosso Salvador e nossa verdadeira Fortaleza.
Deus não é aquele que meramente conserta ou pole uma "vida um pouco melhor". Ele é Aquele que nos recria como uma "nova criatura" completamente nova para superar o problema fundamental do pecado e todas as situações da vida. Somente Ele pode fazer isso. Ele não nos remenda; Ele nos transforma em um novo ser como nenhum outro antes. Portanto, a Bíblia declara: "Eis que tudo se fez novo!".
Você pode ter dúvidas porque sente que ainda é o mesmo. Mas isso é porque você coloca sua consciência subjetiva antes da Palavra de Deus. No momento em que cremos em Jesus Cristo, o Senhor nos fez nascer de novo como uma nova criação. Você e eu somos agora seres essencialmente diferentes. Isso significa que nos tornamos cidadãos de um país completamente diferente, com cidadania celestial. É claro que todos os hábitos de vida não mudarão de uma vez. Devemos aprender os deveres de nossa nova cidadania. O fato claro é que o Senhor não para em curar os enfermos; Ele ressuscita os mortos. Ele nos concedeu a vida da ressurreição e nos conduz ao reino eterno.
O Senhor Cristo e o Evangelismo Encarnacional
Como visto no texto, no momento em que a mulher samaritana percebeu quem Jesus Cristo era, ela deixou seu cântaro e correu. Ela voluntariamente deixou para trás seus velhos hábitos, seu velho eu e os pensamentos que estimava. Isso mostra que sua fé não foi apenas uma concordância intelectual. Tendo chegado a saber quem Jesus era, ela respondeu com toda a sua pessoa — seu coração, seus pensamentos e especialmente seu corpo. Ela não ficou parada; ela largou o cântaro e correu para a aldeia. Para ela, Jesus era o Senhor (Mestre) que governava toda a sua vida.
Quando confessamos que cremos em Jesus, Ele não é alguém que toma uma parte de nossa alma para nos levar ao céu mais tarde. Ele é Aquele a quem toda a nossa personalidade deve responder. O evento em que esse Soberano veio diretamente a nós é a Encarnação, e esse foi o início do evangelismo. Por isso, frequentemente chamamos Jesus de o "Primeiro Missionário". Porque Ele deixou Seu trono celestial para vir a nós e experimentar pessoalmente nossa dor e sofrimento. Portanto, nosso evangelismo também deve ser um "evangelismo encarnacional". Não existe tal coisa como evangelizar porque somos melhores e eles são carentes. De fato, não há maior pecador neste mundo do que nós mesmos.
Uma Atitude Bíblica em Relação ao Pecado e um Coração de Compaixão
Hoje, a questão da homossexualidade surgiu como um debate acalorado dentro da igreja. A Bíblia afirma claramente que atos homossexuais são pecado. No entanto, há uma questão mais fundamental: nossa atitude de pensar que aqueles que cometem a homossexualidade são pecadores mais graves ou hediondos do que nós. Olhar para os pecados deles como sujos enquanto pensamos que nossos pecados ocultos são melhores é um problema verdadeiramente sério. De fato, não somos melhores do que eles e podemos até ser mais perversos no sentido de que escondemos nossos pecados. Somos todos os mesmos pecadores, sem exceção. É por isso que todos precisamos de Jesus Cristo e da graça da cruz. Somente quando percebermos isso poderemos tratá-los com amor verdadeiro.
Você odeia seus pais ou cônjuge não crentes? Não, você os ama. Então, por que não pode ter um coração de amor por aqueles que lutam com a homossexualidade? Por que não pode abraçar aqueles que ainda não conseguem crer e estão presos na frustração do pecado? Esta é uma pergunta que devemos nos fazer. Saber que um ato é pecado e lembrar que eu sou o mesmo pecador não são questões separadas. Essa atitude nos lembra de quão profundamente Jesus Cristo entrou no estado miserável dos pecadores.
A Conclusão do Evangelismo: Vivendo com a Mente de Cristo
Leiamos Filipenses 2:5–11. “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual... esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens... humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. Este é o cerne do evangelismo que Jesus pessoalmente nos mostrou.
Evangelizar significa ter a mente de Cristo em nós. É saber chorar e sentir dor onde Cristo chorou e sentiu piedade. É arrepender-se sinceramente, perguntando: “Senhor, sou verdadeiramente uma pessoa que crê em Jesus?”, olhando para nossos corações endurecidos e secos. É viver com aquele coração anelante do Senhor que abraçou as almas perdidas como uma galinha ajunta seus pintinhos. Ter esse coração é, em si, evangelismo e missões.
Portanto, não devemos estar obcecados com o ato formal de "estou evangelizando". Nossa preocupação não deve ser "quanto desempenho eu alcancei". Em vez disso, devemos derramar nossos corações em quanto possuímos o coração de Deus, quão profundamente entendemos Sua vontade e quanto estamos provando Sua santidade através de nossas vidas. Esse é o verdadeiro êxito do evangelismo bíblico.
Evangelismo: Um Banquete de Bênção, Não um Fardo
Quando vivemos com o coração de Deus, o verdadeiro evangelismo ocorre. Se o ato de evangelizar em si se torna o objetivo, estamos colocando a carroça na frente dos bois. É uma obra que Deus começou, onde Ele semeou as sementes e eventualmente colherá; para nós, discutir sobre os resultados é constrangedor. A razão fundamental pela qual Deus nos chamou para este ministério é para se alegrar conosco. Portanto, quão alegre é o evangelismo? O evangelismo não é um fardo pesado que devemos carregar, mas uma bênção maravilhosa que Deus nos concedeu.
Não se aproxime dos outros como se estivesse avaliando a salvação que recebeu de graça, dizendo: "Você é carente, então eu vou te ensinar". Não os trate como se uma pessoa onisciente estivesse dando uma palestra para um ignorante. Com a atitude mais humilde, encare uma alma com a mente de Jesus Cristo. Perceba profundamente a verdade correta e transmita esse evangelho de vida.
O evangelismo não é complexo. É entender claramente o evangelho correto, provar esse evangelho com sua vida e torná-lo ouvido e visto por seus vizinhos através da confissão de seus lábios e da prática de suas ações. Todos, vamos evangelizar agora. Porque o evangelismo não é trabalho árduo, mas nosso privilégio e bênção. Vamos tornar Jesus Cristo conhecido aos nossos vizinhos. É um plano maravilhoso de Deus nos fazer experimentar Sua glória e participar da alegria celestial. Vamos louvar e adorar a Deus juntos. Experimentem o que é viver pela Palavra de Deus. Quando fizermos o que o Senhor deseja, finalmente participaremos do banquete celestial onde o semeador e o ceifeiro se regozijam juntos. Eu os abençoo em nome do Senhor para que esta maravilhosa graça transborde em suas vidas.
Oração
Deus de amor, agradecemos-Te por nos fazer perceber que, como devedores do evangelho, o evangelismo não é um fardo pesado, mas uma alegria santa a ser desfrutada Contigo.
Senhor, derrama em nós a mente de Cristo Jesus. Transplanta em nós o coração do Senhor que chorou pelas almas, para que nossas palavras e vidas se tornem um canal que testemunhe o Jesus encarnado.
Ajuda-nos a confiar em Deus, que trabalha à frente do nosso zelo, e permite-nos participar humildemente desse banquete de glória. Assim, que a alegria celestial, onde o semeador e o ceifeiro se regozijam juntos, transborde em nosso dia a dia.
Oramos em nome de Jesus. Amém.
'IV. Coleção de Sermões do Pastor > O Evangelho de João' 카테고리의 다른 글
| O Evangelho de João-27 – Queres ser curado? (0) | 2026.03.23 |
|---|---|
| O Evangelho de João-26 – Além dos sinais, contempla o Senhor (0) | 2026.03.23 |
| O Evangelho de João-24 – O alimento celestial que o mundo não conhece (0) | 2026.03.22 |
| O Evangelho de João-23 – Do monte da lei à adoração em espírito (0) | 2026.03.22 |
| O Evangelho de João-22 – Vai, chama o teu marido (1) | 2026.03.18 |
