João 4:10–19
“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não tenha mais sede, e não venha aqui tirá-la. Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.” Amém.
A Jornada da Salvação e as Etapas do Diálogo
Estamos estudando o Evangelho de João juntos. A mensagem de hoje está intimamente ligada ao texto da próxima semana, formando, essencialmente, um único sermão unificado. A conversa entre a mulher samaritana e Jesus pode ser dividida em três etapas principais; abordaremos a primeira e a segunda hoje e a etapa final na próxima semana. O propósito de Jesus ao conduzir este diálogo não é meramente apontar ou resolver os problemas pessoais de uma mulher. Pelo contrário, esta conversa encapsula vividamente como Deus desenvolve Sua obra de salvação centrada em Jesus Cristo e o quão profundamente Ele ama o Seu povo.
Em outras palavras, esta conversa com a mulher samaritana personifica a razão pela qual Jesus Cristo teve de vir a esta terra e o processo pelo qual Deus escolheu o povo de Israel e o moldou para ser Seu. Aqui, "etapas" não se referem a níveis de fé, mas à ordem cronológica em que a história da salvação se realiza. Não é uma progressão de perguntas simples para perguntas sofisticadas; em vez disso, mostra que até mesmo a mesma pergunta está profundamente relacionada ao fluxo do tempo — isto é, à história. Vocês encontrarão muitos paralelos entre a jornada dos israelitas saindo do Egito e passando pelo deserto em direção ao Monte Sinai e o processo da conversa da mulher samaritana com Jesus. Agora, ouçamos o julgamento de Jesus sobre a mulher samaritana.
Etapa 1: Os Limites do Senso Comum ao Malinterpretar o Dom de Deus e a Água Viva
Vejam João 4:10: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.” Através destas palavras, Jesus aponta duas coisas à mulher: primeiro, que ela não sabe o que é o dom de Deus; e segundo, que ela não percebe com quem está falando. A mulher reage imediatamente. Ela retruca, perguntando como Ele pode fornecer água viva se não tem com que tirar e o poço é fundo. Como podem ver, a mulher ouviu claramente as palavras de Jesus. Ela percebeu com precisão a palavra-chave desta conversa: "água viva". Enfatizo novamente: ela entendeu claramente o que foi dito.
Se ela realmente tivesse entendido a essência daquelas palavras, não seria natural perguntar: “O que é que eu não sei? O que é o dom de Deus e quem és Tu?” No entanto, a mulher não pergunta isso. Em vez disso, ela persiste em questionar sobre o mecanismo físico de tirar a água. Finalmente, no versículo 15, ela suplica: “Senhor, dá-me dessa água, para que não tenha mais sede, e não venha aqui tirá-la.” A mulher pediu a água porque reconheceu o seu valor à sua própria maneira. Como este diálogo mostra, ela não era uma pessoa ignorante; pelo contrário, era alguém com suas próprias convicções firmes.
A convicção e interpretação da mulher eram as seguintes: para ela, o "dom de Deus" era a "água" diante de seus olhos. Água que saciaria sua sede e exaustão — esse era o dom de Deus que ela imaginava. Além disso, quanto à questão de "quem está diante de mim", ela concluiu que Ele poderia ser alguém maior que Jacó. Nós, que conhecemos bem o fim da história, podemos achar difícil entender os pensamentos dela. Mas pensem sob a perspectiva dela. Para ela, esta situação era perfeitamente lógica. Um homem judeu, que inicialmente pediu de beber, agora diz que lhe dará uma água que a impedirá de ter sede novamente ou de precisar tirar água. Naturalmente, sua resposta foi pedir aquela água.
Mais ainda, quanto à pergunta de Jesus, "Você sabe quem eu sou?", ela pensou que, assim como o ancestral Jacó lhes deu este poço, talvez este homem fosse aquele que lhe daria uma água mais preciosa — um novo tipo de água que ela nunca imaginara. Seu problema mais urgente era a água para sua garganta. Ouvindo este jovem judeu, parecia que ela não precisaria mais vir tirar água. Como seu problema imediato parecia resolvido, a única resposta lógica era pedir a água.
Deus Aprisionado Dentro de Nós e a Estrutura da Fé que Busca Bênçãos
Como está a nossa própria aparência? Não somos também cheios de problemas? Há momentos em que estamos cansados e sozinhos, ou quando não sabemos o que fazer diante de desafios insuportáveis. Frequentemente ouvimos o ensinamento de que, se formos a Jesus, Ele nos dará paz, curará nossas doenças e que Ele possui a panaceia para todas as coisas. Assim, é natural que vamos a Ele porque temos sofrimentos e dificuldades imediatas. A mulher samaritana estava com sede, e o trabalho de tirar água todos os dias era exaustivo e oneroso. De acordo com as palavras de Jesus, se ela pudesse apenas obter aquela água viva, nunca mais precisaria vir ao poço; ela poderia beber confortavelmente em casa e, talvez, até lucrar vendendo aquela água.
Nós somos iguais. Dizem-nos que ir a Jesus traz paz, bênçãos e uma graça que tudo cura — quem recusaria tais boas notícias? Nós "entendemos". É o mesmo que a mulher dizendo: "Eu entendo o que este jovem chamado Jesus está dizendo". Foi por isso que ela pediu a água. É uma reação natural. Quem recusaria uma água que garante que você nunca mais terá sede?
Ver o seu apelo por água me lembra de uma conversa que tive uma vez. Alguém me perguntou: “Pastor, o céu e o inferno realmente existem? Quando vou a funerais, tudo parece terminar com a morte. Se o céu e o inferno realmente existissem, não seriam todos crentes em Deus? Isso é apenas lógico; portanto, o fato de as pessoas não acreditarem prova que eles não existem, não é?” O que vocês acham? Acreditar na existência do céu e do inferno significa que as pessoas realmente confiam em Deus? Deixem-me ser claro: mesmo que você acredite que o céu existe, você pode não entrar nele. Não importa o quão certo você esteja do inferno, você não pode escapar dele apenas por essa certeza. O que vocês e eu acreditamos ou sentimos certeza não pode, por si só, nos levar ao céu ou nos resgatar do inferno. Quer você tenha visto o céu em um sonho ou o tenha experimentado através de uma experiência de quase morte, gritar “Eu vi o céu” não o leva até lá. O inferno é o mesmo. Vocês já consideraram profundamente que esta é a nossa própria realidade?
A mulher samaritana possuía uma mentalidade muito semelhante. É como o processo dos israelitas entrando no deserto depois de cruzar o Mar Vermelho e seguindo em direção ao Monte Sinai. O primeiro problema que enfrentaram diante de Deus foi a "água". Quando sofreram porque não podiam beber a água amarga em Mara, clamaram a Deus, reclamando: “Como podemos beber esta água amarga?” Deus lhes deu água, mas isso não era a totalidade do problema deles. Da mesma forma, para esta mulher, a água para saciar sua sede física era o seu maior problema percebido.
Verdade Além do Raciocínio Comum e o Orgulho Humano
Esta mulher, como os israelitas, é uma pessoa de extremo senso comum. Frequentemente criticamos os israelitas, chamando-os de pecadores que desobedeceram aos mandamentos de Deus, e repreendemos sua obstinação em esquecer a graça concedida a eles. Mas, honestamente, coloquem-se no lugar deles. Embora vivessem como escravos, o Egito era um lugar com comida abundante e casas para morar. Comparado à desolação do deserto, mesmo com o trabalho árduo, retornar para lá não seria a escolha do "senso comum"? Críticas como “Por que eles se rebelam contra Deus depois que Ele os salvou?” são meramente perspectivas daqueles de nós que já conhecem a conclusão. Na realidade, os israelitas e esta mulher estão mostrando reações muito racionais.
“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede.” Ouvindo isso, a mulher solicita: “Senhor, dá-me dessa água.” É uma resposta perfeitamente sensata. No entanto, o problema é que Aquele que conduz esta conversa transcende completamente o senso comum humano. A mulher não conseguia aceitar as palavras sobre dar uma "fonte de água que salta eternamente" dentro de sua própria lógica. Então, ela cortou o significado transcendente e o substituiu por uma "fonte" que ela pudesse entender. Seu pedido para "fazer a água sair perto de minha casa para que eu nunca precise vir ao poço" é a sua vontade de interpretar a situação apenas dentro de sua própria lógica e razão. Ela apagou termos transcendentes como "eterna" ou "nunca ter sede" e reduziu o significado a uma expectativa mundana de obter um poço farto.
Todos os seres humanos anseiam pela resposta última para a vida. Mas porque essa verdade suprema reside além da nossa compreensão, a humanidade cai em desespero. Queremos encontrar a "resposta correta" e nos agarrar ao significado e valor da vida. Os israelitas que deixaram o Egito também queriam saber para onde suas vidas estavam indo e como desfrutar de felicidade e alegria. Mas nesse caminho, uma porta sempre aparece. Ao encontrar o Deus que transforma a água amarga de Mara em água potável, inevitavelmente enfrentamos a dúvida: “Posso realmente beber disto?”
Sem perceber, caímos na ilusão arrogante de que podemos explicar tudo dentro dos limites da nossa própria compreensão. Num momento admitimos: “Sou um humano frágil que não pode saber tudo”, e no momento seguinte agimos como se “pudéssemos explicar e entender tudo”. Quando Jesus diz: “Você nunca terá sede novamente”, em vez de aceitarmos essas palavras como elas são, cortamos as partes que não se encaixam em nossa estrutura e as adaptamos ao nosso próprio benefício, dizendo: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não precise buscá-la”. A Escritura chama isso de "presunção" ou "orgulho". A tragédia do orgulho é que aquele que é orgulhoso não o sabe. Uma vez que, no momento em que você percebe seu orgulho, você já começou a escapar dele, a ignorância de não reconhecer o próprio orgulho é o orgulho mais profundo de todos. Vocês e eu não estamos vivendo sem conhecer os cantos de orgulho profundos dentro de nós?
Etapa 2: Confronto Existencial e Sede Espiritual Oculta
Jesus entendia o problema que a mulher enfrentava mais profundamente do que ela própria. Ele viu através de onde os olhos e o coração dela estavam presos e sabia que, enquanto ela interpretava as palavras d’Ele à sua maneira — pensando: ‘Se eu beber essa água, viverei’ —, ela permanecia ignorante quanto à essência espiritual. No entanto, o interesse dela não estava meramente confinado ao físico. Vendo a progressão da conversa sobre a água para a história de seu marido e, depois, para questões sobre adoração, podemos ver que o anseio e a indagação espiritual estavam fervilhando dentro dela.
O problema é que ela não reconhece essa realidade espiritual. Quando apontamos isso como orgulho, ela protesta: “Não estou sendo orgulhosa; estou apenas tentando descobrir para entender claramente”. É como perguntar a Jesus, que diz “Eu sou a água viva”, “Como pode uma pessoa se tornar água viva?”. Frequentemente recebo perguntas semelhantes. Quando digo: “Viver em Jesus Cristo é a verdadeira alegria”, as pessoas retrucam: “Quem exatamente é Jesus para que possamos entrar n’Ele? Como pode uma figura de 2.000 anos atrás ser objeto de fé?”.
Sempre que batemos nas paredes das nossas próprias limitações, tendemos a adaptar a situação ao nosso alcance compreensível, em vez de reconhecer humildemente nossos limites. Repetimos o ato de cortar audaciosamente partes da fé que não se encaixam em nossa estrutura. Isso não é apenas o comportamento daqueles sem fé. Os cristãos de hoje também repetem isso constantemente em suas vidas espirituais. Quantos de vocês aceitam as palavras “Deus é todo-poderoso e você está totalmente protegido sob a mão d’Ele” pelo seu valor nominal? Se realmente confiássemos nessas palavras, nossas vidas teriam mudado além da imaginação. Não conseguimos nem aceitar plenamente as verdades que confessamos; estabelecemos nossas próprias estruturas para decidir o que aceitar e o que descartar. No fim, aprisionamos Deus dentro de nossos pequenos círculos e vivemos sob a ilusão de que "este é o meu Deus, e isto é tudo". Se esta não é realmente a nossa aparência, deveríamos ser gratos; mas se for, devemos nos questionar sinceramente.
Enquanto a mulher permanecia presa em sua estrutura de senso comum com seus olhos espirituais fechados, Jesus passa para a segunda etapa. É a pergunta: “Vai, chama o teu marido.” Assim como Deus perguntou aos israelitas, “Quem sois vós?”, enquanto apontava a traição e o ressentimento deles durante a luta com a água amarga, Jesus pergunta à mulher samaritana sobre a realidade de sua existência: “Onde está o teu marido?”. Esta pergunta indaga: “Quem és tu, que te vangloriaste de assumir a responsabilidade por tua vida através da razão e do senso comum?”. É uma ordem solene para “Abrir a sua vida e ver o que há dentro”. Esta pergunta contém a terrível régua da ‘Lei’. Ela pergunta que tipo de ser você é quando sua vida é exposta diante de Deus.
Autorreflexão Honesta e o Espelho da Lei
Claro, existem aqueles ao nosso redor que vivem em busca do prazer ou apenas da própria ganância e benefício — pessoas que, mesmo aos nossos olhos, não parecem particularmente boas. Talvez existam pessoas assim entre nós. Às vezes julgamos os outros, dizendo: “Aquela pessoa é pior que eu” ou “Aquela pessoa está mais manchada pelo mundo do que eu”. Certamente, existem hedonistas no mundo que vivem como querem. Mas eles não são os únicos. Existem também pessoas éticas e morais, as chamadas ‘pessoas que poderiam viver sem leis’, ou aquelas que se agonizam todos os dias para viver retamente. O livro de Romanos examina esses tipos de pessoas uma a uma em profundidade, um tópico que exploraremos na próxima vez; por isso, hoje apenas o abordarei brevemente.
Este segundo grupo de pessoas valoriza a ética e a moralidade e vive considerando-as preciosas. Eles têm seus próprios padrões claros. Jesus fala àqueles que têm esses padrões: “Exponha a sua vida.” Como a mulher responde? À ordem “Chama o teu marido”, ela responde: “Não tenho marido.”
Ela esconde minuciosamente a sua verdade. Ela nunca imaginou que Jesus saberia tudo. As palavras “Não tenho marido agora e não sou casada” eram, na superfície, uma resposta precisa. Até Jesus reconheceu: “Disseste bem”. Mas, na realidade, ela estava ativando imediatamente um mecanismo de defesa para se proteger contra a exigência de revelar seu verdadeiro eu.
Não somos iguais? Muitas vezes pensamos: ‘Não vivi tão mal assim; tentei viver de forma limpa à minha maneira, busquei valores espirituais e estou frequentando a igreja. Então, como minha vida poderia ser lamentável ou sem sentido?’ Existem duas razões pelas quais a Bíblia chama até mesmo essas pessoas morais de ‘pecadores’. Primeiro, porque qualquer padrão que você estabeleça fica aquém da justiça de Deus. Se você não praticou perfeitamente o grande mandamento da Lei — 'Amar a Deus e amar ao próximo' —, então os padrões estabelecidos pelo homem nunca são válidos. Segundo, porque não conseguimos cumprir perfeitamente nem os padrões que criamos para nós mesmos. Não importa o quão baixo o nível seja estabelecido, os seres humanos carecem de poder para cumpri-lo totalmente. Portanto, somos pecadores pela nossa consciência e pecadores pela Lei de Deus.
Rendição Honesta Através do Portal da Graça
A declaração de ser um ‘pecador’ nunca é uma palavra agradável. Mas é a nossa realidade inegável. Para levar a mulher samaritana à verdadeira essência espiritual, Jesus Cristo traz os problemas da vida que ela deve confrontar para o primeiro plano. Se você realmente deseja conhecer a Deus, nunca poderá encontrá-Lo profundamente sem passar por este portal solene — não através do conhecimento, da experiência ou de qualquer caminho que tenha seguido até agora. Mesmo que você jejue por quarenta dias em uma montanha, dedique-se ao estudo vitalício ou assista a todos os cultos e ouça sermões maravilhosos, você não poderá entender verdadeiramente sem passar por este portão.
Assim como a mulher samaritana enfrentou a pergunta “Vai, chama o teu marido” diante de Jesus, nós também devemos nos colocar honestamente diante da pergunta do Senhor: “Quem é você?” Até que essa rendição sincera ocorra, não podemos saber verdadeiramente o que é a obra do Espírito Santo. O Deus que encontramos ou estabelecemos através de nossa própria pesquisa é meramente falso. Um deus criado pela razão humana nada mais é do que Baal ou Aserá — um ídolo fabricado. Desde o início, a Bíblia explica minuciosamente como o Deus verdadeiro é diferente dos ídolos que nós mesmos criamos.
A conversa entre a mulher samaritana e Jesus é consistente com o amor persistente que Deus mostrou ao conduzir os israelitas a Canaã. Assim como Ele deu a Lei e ensinou a adoração no Monte Sinai, a mulher logo avançará para a questão fundamental: “Qual o lugar certo para adorar?” Assim como o povo redimido enfrentou a realidade do pecado imediatamente após resolver o problema da água, a jornada de Israel se reflete no diálogo da mulher samaritana e em nossas vidas hoje.
Viemos diante do Senhor com sede física, exaustão da vida e problemas que não podemos resolver sozinhos. E esperamos por respostas enquanto expomos esses fardos. Acreditamos que, se fôssemos a Jesus, segurando as palavras “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, encontraríamos paz e alegria. Mas, naquele momento, o Senhor para e nos pergunta: “Vai, chama o teu marido.” Não se trata apenas de ter a dor da vida removida e os problemas resolvidos. A fé verdadeira começa naquele momento em que nos colocamos diante da pergunta fundamental do Senhor: “Quem é você?”
O Amor Persistente de Deus e a Pergunta Fundamental da Vida
Não é um amor verdadeiramente persistente? No entanto, finalmente chamamos isso de "amor". Porque Deus resgatou os israelitas do Egito, Ele intervém em suas vidas e os confronta um a um. Não pensem nisso apenas como 'a história de Israel' ou 'a anedota da mulher samaritana'. Este diálogo pode ser o registro de um breve momento, mas é um evento que penetra em toda a sua vida e na minha. Assim como Deus constantemente lançou perguntas aos israelitas até que chegassem a Canaã para despertar sua identidade, e os fez perceber através da história que eram pecadores que não podiam viver sem a ajuda de Deus, o Senhor ainda está fazendo a mesma pergunta à sua vida hoje.
Frequentemente respondemos às palavras “Qual é o problema? Eu te darei água viva que salta para a vida eterna” dizendo: “Obrigado, dá-me essa água”. Nós nos alegramos, imersos apenas no fato de que nossa oração foi respondida. Mas o Senhor não para por aí e inevitavelmente pergunta de novo: “Quem é você, que agora está se apegando a Mim para resolver a sede desta terra e buscando essa água viva? Quem é você, clamando que encontrará Deus, e quem é você, querendo saber quem é Deus? Qual é o seu verdadeiro eu que afirma viver dependendo de Deus nesta terra?” Desta forma, o Senhor exige que revelemos honestamente a realidade de nossas vidas.
A Graça de Deus Visitando uma Vida Fragmentada
A vida exposta diante da mulher era uma vida fragmentada, representada por cinco casamentos e seu relacionamento atual. Isso era um pecado contra a Lei, mas o problema mais fundamental era que ela não amava a Deus nem ao seu próximo. Claro, ela pode ter tentado amar. Como a desculpa que todos amamos usar: “Tentei o meu melhor à minha maneira”. Mas será que o "melhor" feito dentro da nossa fragilidade pode realmente satisfazer a Deus? E poderia nos levar à verdadeira paz? A mulher pode ter lutado para amar, mas sua vida provou que não era suficiente. Agora, dois caminhos estão diante dela: o caminho da resignação, pensando ‘os humanos são todos assim mesmo’, ou o caminho de perguntar ‘como esse problema fundamental poderá ser resolvido?’
Observem o processo de mudança dos títulos que a mulher dá a Jesus. Ela confessa a Jesus: “Senhor, vejo que és profeta.” Ao contrário do início, quando esperava apenas o prestígio de Jacó, ela começa a reconhecê-Lo como um profeta que penetra em sua vida oculta. “Quem és Tu? Como conheces tão bem a minha vida?” Mas a percepção dela não parou por aí. Foi porque ela era particularmente brilhante, ou porque frequentava diligentemente os cultos de domingo e ouvia sermões? Absolutamente não. É apenas porque Jesus não desistiu dela. Quando ela não entendeu quando Ele pediu água pela primeira vez, Ele não a dispensou, dizendo: “Você não entende; volte na próxima vez”. Quando Ele perguntou “Vai, chama o teu marido” e ela deu uma desculpa dizendo “Não tenho marido” em vez de se arrepender imediatamente, o Senhor não a rejeitou.
O Amor Persistente do Deus que Nunca Desiste
Você também sente uma sensação de rejeição ao ouvir a palavra ‘pecador’ e se vê procurando desculpas como “Não sou tão pecador assim”? Ou talvez você queira se esconder em uma concha criada por você mesmo, negando sua realidade. Mas o Senhor não desistiu ali. Ele acaba extraindo e ouvindo a confissão que ela deve fazer. Não foi porque a mulher se apegou ao Senhor, mas porque o Senhor mesmo se apegou à mulher. Chamamos isso de amor e graça. Esta é a razão pela qual vocês e eu podemos ser gratos e nos alegrar mesmo depois de ouvir pontos tão dolorosos.
A igreja é, talvez, um lugar onde enfrentamos as verdades mais cruas. É natural sentir-se ferido quando se vem esperando conforto, mas se ouve: “Você é um pecador não diferente desta mulher. Você está falhando em ver as coisas do céu porque está cego pelos desejos do mundo.” No entanto, por que nos rendemos e viemos à frente, dizendo: “Sim, Senhor. Embora eu fale de santidade com meus lábios, minhas mãos, pés e olhos ainda são pecadores voltados para a ganância e o mundo”?
O Senhor vê através de nossas desculpas e da covardia de nos escondermos em nossas conchas. Ele sabe que, enquanto confessamos com nossos lábios que Ele é o Deus Todo-Poderoso, na vida real, nunca confiamos em Seu poder — que, na verdade, nunca confiamos n’Ele sinceramente. No entanto, é por causa do Deus que nunca retira Sua mão e Seu amor persistente por Seus filhos. Por causa d’Ele, permanecemos firmes neste lugar onde nunca podemos desistir. Amados, se vocês estão recebendo um amor tão persistente e tenaz, como responderão diante desse Senhor hoje?
Enfrentaremos a conclusão desta conversa juntos na próxima semana. Naquele momento, espero que vocês e eu também permaneçamos no lugar onde a mulher samaritana esteve, passemos pela jornada do deserto que os israelitas experimentaram e desfrutemos plenamente das bênçãos de Canaã, da glória de Deus e da alegria de entrar em uma verdadeira profundidade espiritual.
Oração
Querido Senhor, como podemos conhecer o alto, o existente e o precioso sem termos estado no baixo, na morte e no nada? Como podemos conhecer a glória da ressurreição sem morrer?
Senhor, a mulher samaritana está morrendo diante de Ti agora mesmo. Seu senso comum teimoso e sua razão estão secando e morrendo, e seu passado está morrendo. Senhor, eu desejo estar lá também. Queremos que nossos traços vergonhosos, as feridas que queríamos esquecer ou o passado do qual queríamos nos vangloriar em vão sejam completamente quebrados diante do Senhor. Queremos que todo o orgulho que Te julgou e mediu com nosso senso comum e conhecimento superficiais desapareça um a um em espanto, exatamente como esta mulher samaritana.
Às vezes, podemos não confiar plenamente no Senhor até o último momento, incapazes de dar um passo de fé e apenas observando de longe. Mas lembremo-nos de que o Senhor já habita entre nós, nos sustenta e nunca desiste. Querido Senhor, tem misericórdia de nossa falta de fé e ajuda-nos. Ao fazer isso, que esta seja uma semana abençoada onde percebamos com todo o nosso coração o que o amor e a graça de Deus realmente são.
Oramos em nome de Jesus Cristo. Amém.
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