João 1:6–13
"Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para testificar a respeito da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Ele próprio não era a luz; veio apenas como testemunha da luz. A luz verdadeira que ilumina a todos estava vindo ao mundo. Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus." Amém.
Intervenção Divina: A História Iniciada por Deus
Irmãos e irmãs, reunimo-nos aqui hoje para adorar a esse Deus. No mínimo, somos pessoas que acreditam saber quem Deus é, ou que se reúnem sob essa premissa. Talvez alguns de vocês tenham vindo com o coração sedento para descobrir mais sobre quem Ele é. Se alguém lhe perguntasse: "Como você passou a conhecer a Deus?", como você responderia? Alguns diriam que o encontraram ao ler a Bíblia, outros através de um sermão, e alguns poderiam dizer que chegaram à convicção, através de profunda reflexão, de que um Criador deve existir. No entanto, o texto de hoje apresenta uma resposta inteiramente diferente das nossas expectativas. Ele nos diz que, embora a Luz tenha vindo a este mundo, ela requer absolutamente uma "testemunha". Originalmente, a Bíblia define o mundo como trevas. Normalmente, quando a luz entra nas trevas, tudo se ilumina instantaneamente, e é natural que todos vejam e reconheçam sua chegada. Contudo, a Bíblia registra que não apenas a Luz requer uma testemunha, mas que, embora a Luz tenha brilhado, o mundo não a reconheceu. Devemos olhar profundamente para este texto para entender essa situação paradoxal — que mesmo com uma testemunha, o mundo falhou em perceber a Luz.
O Texto O versículo 6 começa: "Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João". A frase em que devemos focar aqui é "enviado por Deus". Aquele que é enviado não vem por sua própria vontade. Isso não significa simplesmente que ele não veio contra a sua vontade; significa que ele não veio por si mesmo. Implica que existe um Remetente, e a pessoa existe unicamente para cumprir o propósito e a vontade desse Remetente. A declaração de que "há um Remetente" é verdadeiramente algo maravilhoso. Em nossas vidas diárias, vivemos principalmente de acordo com nossos próprios julgamentos e previsões. Achamos que nossos negócios e planos diários fluem de acordo com nossos cálculos, mas, na verdade, existem vestígios em nossa história onde um "Remetente" interveio independentemente da nossa vontade. Isso é evidência de que a história que vemos não é tudo; existe uma realidade de intervenção divina planejada por Alguém que envia.
A razão pela qual isso é tão surpreendente é que chamamos essa história de "História de Deus". É possível porque Deus a enviou. A Bíblia chama essa intervenção divina de "a mão de Deus", ou como muitos crentes confessam, "a mão do amor". Essa mão tem estado ao nosso lado desde a criação e agora alcançou um homem chamado João Batista. Refletindo sobre a história do Antigo Testamento, Deus estendeu Sua mão inúmeras vezes, mas a humanidade repetidamente rejeitou, matou ou afastou essa mão. Mas o nosso Deus é verdadeiramente persistente e único. Apesar de ser rejeitado por tanto tempo, Deus envia alguém mais uma vez. E o enviado desta vez é uma pessoa com uma missão muito especial, distinta dos profetas que vieram antes.
João, o Último Profeta, e o Início do Evangelho
João é aquele que chegou pouco antes de Jesus Cristo para preparar o caminho para a Cruz. A Bíblia testifica dele como o último profeta a fechar a porta do Antigo Testamento. Lucas 16:16 afirma: "A Lei e os Profetas profetizaram até João. Desse tempo em diante estão sendo pregadas as boas-novas do Reino de Deus, e todos tentam forçar sua entrada nele". João é o último corredor da era do Antigo Testamento, mas, ao mesmo tempo, é a primeira pessoa a abrir uma nova era, sendo o primeiro a testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo.
Embora Jesus e João Batista fossem parentes na carne, suas trajetórias de vida foram marcadas pelo contraste. Enquanto Jesus passou a maior parte de Sua vida diária obedecendo a Seus pais dentro de casa, João viveu no deserto árduo, comendo gafanhotos e mel silvestre e vestindo pelos de camelo — uma figura que lembrava o retorno de Elias. Por que Deus enviou uma pessoa tão única? Aqui, descobrimos o amor implacável de Deus pela humanidade. O amor de Deus agora se move além da revelação indireta através das criaturas para o estágio em que a própria Luz se manifesta diretamente no mundo. O fato de o início do Evangelho ter se originado da decisão soberana de Deus, e não do desejo humano, é uma graça além das palavras. É porque Deus O enviou antes mesmo de O buscarmos.
João veio para testemunhar essa Luz. Aqui, enfrentamos uma questão fundamental: uma Luz absoluta realmente requer o testemunho de uma criatura? Como mencionado anteriormente, se uma luz brilha na escuridão total, o brilho se declara por si só; não há necessidade de argumentar ou provar sua identidade. A luz é autoevidente, então por que uma testemunha como João foi necessária?
Testemunho para um Mundo Incapaz de Ver
Quando você acende uma luz em um quarto escuro, ele se ilumina instantaneamente. Isso é senso comum. Que prova a mais é necessária? O problema, no entanto, reside na declaração da Bíblia de que o mundo "não conheceu" aquela Luz. Se a luz brilha nas trevas e, ainda assim, as trevas não a conhecem, há apenas uma conclusão: aquele que está diante da luz é 'alguém que não pode ver'. Se o brilho está lá, mas a pessoa não sente claridade, essa pessoa está espiritualmente cega. Inerentemente, a luz não requer validação externa. Ela brilha por sua própria natureza; não se torna luz porque João a chama assim. Portanto, se entendermos o testemunho de João simplesmente como uma tentativa intelectual de explicar que Jesus é a Luz, estaremos muito enganados. A missão de João não era meramente sobre a transmissão de conhecimento.
No capítulo 5 de João, Jesus deixou esse ponto claro. O Senhor não se torna o Messias ou a Luz devido ao testemunho de João. João 5:33–34 registra: "Vocês enviaram mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Não que eu aceite testemunho humano; mas digo isso para que vocês sejam salvos". Em outras palavras, todo esse testemunho não era para o bem de Jesus, mas era uma consideração para o nosso. Nos versículos seguintes, 35 e 36, o Senhor refere-se a João como uma 'lâmpada que ardia e brilhava', mas diz que Ele tem um testemunho maior do que o de João — as próprias obras que o Pai Lhe deu para concluir e o fato de que o Pai O enviou.
Devemos prestar atenção ao fato de que o testemunho de João foi dado estritamente para nós. É comum pensar: 'João foi um explicador que veio para nos ajudar a reconhecer e entender a Luz, mesmo que ele não pudesse tornar a própria Luz mais brilhante'. No entanto, as palavras do versículo 10 são sérias: "Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam". Esta é uma declaração chocante de que, apesar do testemunho sincero de João, o mundo ainda falhou em entender. A razão pela qual a Bíblia registra essa verdade pesada é clara: para nos forçar a encarar a realidade desesperadora de que, sem ajuda divina, não importa quão excelente seja a testemunha, a humanidade não pode reconhecer a Luz. Tratamos o conhecer a Deus como um direito natural, mas, na realidade, não é assim de forma alguma.
Depravação Total Humana e o Conhecimento de Deus
Pelo fato de você talvez acreditar em Jesus há muito tempo, conhecer a Deus pode parecer natural; ou talvez você ainda não seja um crente, mas se orgulha de acreditar bem. Geralmente, as pessoas pensam que conhecer a Deus não é uma tarefa difícil. No entanto, é inteiramente possível confundir hábitos religiosos com um encontro verdadeiro com o Deus vivo. Não devemos confirmar nossa fé apenas pelos atos de invocar o Seu nome, frequentar o culto, servir ou derramar lágrimas. É nesse ponto que começa uma crise de fé. Exorto-os a não descartarem este texto como uma introdução familiar ao Evangelho de João, mas a refletirem profundamente sobre seu estado espiritual. Na raiz do nosso equívoco fácil de que conhecemos a Deus, reside a 'religiosidade' inerente da humanidade. Todo ser humano tem um instinto natural de temer o desconhecido e de se apoiar em um Ser Absoluto. Isso ocorre porque os seres humanos são criaturas moldadas à imagem de Deus. Assim como o toque de um artesão deixa um vestígio em sua obra, a marca do Criador está embutida profundamente no corpo e na alma humana. Os seres humanos são programados para tatear em busca de Deus ao longo desses vestígios instintivos.
O problema é que nossa razão, emoções e vontade — que mobilizamos para encontrar a Deus — estão holisticamente corrompidas e falham em funcionar adequadamente. Aceitamos claramente verdades aritméticas como '1 mais 1'. No entanto, a magnífica declaração "No princípio criou Deus os céus e a terra" é difícil de ser aceita pela mente humana, embora seja mais certa do que qualquer matemática. Isso ocorre porque nossa razão caiu e perdeu sua função espiritual. Embora afirmemos ser racionais, podemos concordar com a premissa de que Deus é onipotente, mas quando confrontados com a história específica — como mortos ressuscitando ou Jonas sobrevivendo na barriga de um peixe — balançamos a cabeça, dizendo que é "irracionalmente inaceitável". Esta é a realidade do nosso estado. Afirmamos vagamente um ser invisível, mas rejeitamos Seu reinado específico; este é o retrato da razão humana atingindo seu limite. Devemos examinar seriamente o quanto nossos pensamentos e intelecto se tornaram distorcidos.
Ídolos Egocêntricos e Separação de Deus
Devido a essa deficiência holística, sem saber, transformamos nossas próprias teorias estabelecidas ou pensamentos subjetivos em ídolos. A chave aqui é que esse processo acontece "sem saber". Se percebêssemos, buscaríamos uma saída do erro, mas geralmente nem percebemos que estamos presos na estrutura de nossa própria criação. Por exemplo, Rudolf Bultmann, um gigante dos estudos do Novo Testamento, desenvolveu sua lógica teológica perguntando: "Como se pode acreditar na ressurreição de Jesus nesta era avançada de viagens à lua?". Esta é uma clara falácia lógica. O avanço científico e a verdade espiritual pertencem a dimensões diferentes, mas o intelecto da época tornou-se um motivo para negar a verdade espiritual. Orgulhamo-nos de viver em uma era intelectual, mas muitas vezes estamos cegos para as verdades essenciais. Isso prova que a humanidade perdeu a capacidade de usar o conhecimento, a emoção e a vontade harmoniosamente em Deus.
Para que nosso intelecto, sensibilidade e vontade recuperem suas funções originais, devemos primeiro definir claramente o que é um ser humano. O ser humano é um ser que absolutamente não pode existir de forma independente. Não podemos nascer sem a fonte de nossos pais, por isso estamos conectados a eles, e estamos tecidos em uma vasta rede de filhos, amigos e sociedade. Para entender plenamente a si mesmo, deve-se examinar o contexto de todos esses relacionamentos. Por exemplo, se uma personalidade tímida foi formada crescendo sob expectativas excessivas e elogios escassos de um pai, não se pode explicar o eu atual excluindo esse passado. Os princípios espirituais são os mesmos. Nunca poderemos definir plenamente um ser humano sem o Deus que nos criou. Tentar explicar a si mesmo deixando de fora a Fonte é como tentar provar a própria existência sem um pai.
A questão é que estamos atualmente alienados desse Deus. A Bíblia chama esse estado trágico de desconexão de 'pecado'. Seres humanos separados de Deus buscam constantemente por 'substitutos' para preencher esse vazio. Essa é uma tendência instintiva compartilhada tanto por estudiosos de alto escalão quanto por agricultores que cultivam a terra. É por isso que superstições e várias religiões nunca cessam. Todos temos um substituto que nos faz acreditar: "Não consigo encontrar sentido na vida sem isso". Para alguns, são seus filhos ou o trabalho, ou sua carreira ou saúde; às vezes, eles até adoram a si mesmos. E talvez o substituto mais formidável seja o 'dinheiro'. Dessa forma, estabelecemos substitutos vazios no lugar onde Deus deveria estar e vivemos tornando-os ídolos.
Fé em Deus Além da Religiosidade e da Moralidade
Indo mais fundo, há outro fator que faz os seres humanos se iludirem pensando que conhecem a Deus: a 'consciência' embutida em seu interior. Peço que ouçam estas palavras solenemente. Se vocês acreditam que passaram a conhecer a Deus baseados na religiosidade ou na consciência mencionadas anteriormente, isso não é conhecer verdadeiramente a Deus. Não se deve confundir autoconsciência moral com um encontro com Deus. É claro que um santo deve ter uma consciência mais sensível do que qualquer outra pessoa. No entanto, a consciência de um santo transcende a mera busca pela moralidade universal. Não se trata de manter uma consciência para se tornar um ser mais ético ou culto.
Por exemplo, quando confrontados com a exortação "Não minta", o mundo diz: "Mentir é ruim, então os cristãos deveriam ser naturalmente mais gentis". Mas esta é uma ideia perigosa que dilui a essência da fé em moralismo. A Bíblia não ensina o simples cultivo moral. A razão fundamental pela qual um santo evita a falsidade é que o ato é diametralmente oposto ao caráter santo de Deus. Eu o rejeito porque é algo que Deus odeia, não porque me orgulho de ser moralmente superior aos outros. Esta é a diferença decisiva entre um crente e um não crente.
O erro mais comum que cometemos em nossa caminhada de fé é equiparar 'crer em Deus' com 'viver uma vida boa'. No momento em que a fé é substituída por uma vida moral, o poder do Evangelho desaparece. É claro que quem confia plenamente em Deus possuirá um nível de ética mais elevado e uma consciência mais nobre do que o mundo. No entanto, o caminho de crer em Deus não é algo que possa ser trocado por boas ações. Devemos reconhecer claramente que refletimos naturalmente o Seu caráter porque estamos do lado de Deus; não nos aproximamos de Deus apresentando nossa própria bondade.
Os Limites do Conhecimento Legal e a Cegueira Espiritual
Agora, quero examinar uma realidade ainda mais fundamental e dolorosa. Muitos acreditam que, se acumularem conhecimento bíblico, certamente conhecem a Deus. Vocês poderiam perguntar: "Como eu não conheceria a Deus se conheço tão bem a Bíblia?". Mas reflitamos sobre nós mesmos usando o Israel do texto de hoje como um espelho. A Luz verdadeira veio para Israel, mas eles não perceberam nem conheceram aquela Luz. Foi porque não conheciam a Bíblia que falharam em reconhecer o Messias? De forma alguma. Deus confiou-lhes a Lei e as Escrituras. Dentro daqueles registros sagrados estavam a vontade de Deus, o Seu coração e o caminho específico da salvação. Então, por que eles, os guardiões da Lei, rejeitaram o Protagonista, Jesus, quando Ele chegou? Existe apenas uma razão: faltavam-lhes olhos espirituais para ler aquelas palavras. Eles podiam ver as letras, mas não a realidade; eram espiritualmente cegos.
De que serve um livro de letras para quem perdeu a visão? Sem a capacidade de ler, eles relegaram aqueles preciosos pergaminhos de palavras vivificantes a meras ferramentas para tarefas diárias ou para coçar as costas. No entanto, externamente, eles os tratavam como tesouros de família, estimando-os como as relíquias mais úteis. Se alguém se aproximasse e perguntasse: "Você conhece o verdadeiro propósito desta escrita?", eles reagiriam com raiva orgulhosa em vez de admitir ignorância, dizendo: "Você acha que eu não conheço o valor disso?". Esta era a realidade dos fariseus e a tragédia de Israel. Se o véu da Lei fosse removido, ver-se-ia a frase única "Você deve crer em Jesus para viver" fluindo através dela, mas ela era totalmente invisível para aqueles cujos olhos espirituais estavam fechados.
Irmãos e irmãs, sejam avisados pela teimosia de Israel. Não somos diferentes deles. Não estamos segurando a Palavra vivificante de Deus em nossas mãos enquanto ignoramos sua vitalidade essencial, contentando-nos com o conforto e o calor religioso, dizendo: "Estas são palavras verdadeiramente boas"? A humanidade é ignorante a esse ponto. Que ninguém pode ver a Luz por suas próprias forças é a conclusão severa que a Bíblia apresenta.
A Conclusão de João: O Cordeiro que Veio para Morrer
Refletamos agora sobre o verdadeiro significado do testemunho proclamado por João Batista. Seu testemunho é para a salvação da humanidade, mas não é o tipo de orientação doutrinária que muitas vezes esperamos: "Olhem, aqui está Jesus, então ouçam bem a minha explicação e descubram a luz". O paradoxo central que João testemunha é que 'a Luz chegou, mas ninguém entre a humanidade pode identificar essa Luz por conta própria'. João testificou os limites da humanidade tão profundamente que mostrou que até ele era impotente para reconhecer a Luz sem ajuda. O evento posterior em que ele enviou discípulos para perguntar a Jesus: "És tu aquele que haveria de vir?", mostra que a percepção humana não pode conter plenamente o Messias.
A verdade que João percebeu é clara: esta Luz não é um reino que se possa alcançar através do aprendizado humano, da disciplina ou da paixão religiosa. Quer você reforce a educação intelectual, passe por fogos de tribulação ou se lance nas lágrimas quentes de uma reunião de avivamento, você não pode 'obter' a Luz através de métodos humanos. Qual é, então, a conclusão final a que João chegou? É a declaração de que Jesus 'veio para morrer'. Se o Senhor tivesse se aproximado apenas com eloquência e sermões brilhantes, teríamos entendido? O Senhor foi o maior pregador da história humana, mas as pessoas ouviram Suas palavras e não entenderam, em vez disso, levaram-No à Cruz. O Senhor falou palavras más? Não. Ele proclamou o amor supremo de "Ame os seus inimigos", mas as trevas humanas não puderam suportar Sua bondade e assassinaram a Luz.
João 1:29 declara: "No dia seguinte João viu Jesus vindo em sua direção e disse: 'Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!'". Esta é a conclusão do Evangelho que João apresenta. O propósito pelo qual o Senhor pisou nesta terra não foi um reinado grandioso, mas uma morte miserável. Se o Senhor não tivesse bebido o cálice da morte naquele tempo, o cristianismo e a emoção da salvação que confessamos hoje não existiriam. Teria terminado como um registro seco em um livro de história: "Um sábio chamado Jesus apareceu, deixou ensinamentos nobres e terminou sua vida". Mas a Bíblia testifica: Jesus veio como um 'Cordeiro' desde o princípio. Um cordeiro é uma oferta cujo valor é provado apenas quando ele morre sobre o altar. O Senhor veio para morrer conosco e, ao passar por aquele vale da morte, Ele finalmente nos conduziu para uma nova vida.
O Milagroso Abrir de Olhos e a Alegria dos Santos
Irmãos e irmãs, o fato de termos passado a conhecer a Jesus e a encarar a Deus é um milagre gigantesco em si mesmo. Isso não é um resultado alcançado porque você ouviu um excelente sermão ou acumulou diligentemente conhecimento bíblico. Foi possível porque seus olhos espirituais foram abertos um dia pela intervenção do Espírito Santo. Para quem tem os olhos abertos para encarar a realidade, que outra explicação é necessária? Nenhuma lógica é necessária para dizer que o que é visível é visível.
Uma pessoa que testemunhou a majestade do Grand Canyon não consegue expressar plenamente essa inspiração em palavras. Será que a vasta ressonância seria transmitida listando números — quantos metros de profundidade ele tem e qual a sua largura? É quase impossível para quem não o viu entender plenamente a explicação. A única resposta clara e correta é dizer: "Vá e veja por si mesmo".
Um santo é aquele que teve os olhos abertos assim. A Luz verdadeira veio para alguém que originalmente vivia nas trevas sem nem perceber que era cego. Quando uma vida negra como breu é subitamente iluminada, aqueles que vivem alegremente, mergulhados na emoção dessa luz, são os santos. Devemos perceber profundamente o quão maravilhoso é este evento. Muitas vezes invertemos a ordem da fé. Calculamos que, porque acreditamos em Jesus, Deus acrescentará algo às nossas vidas, tornará nosso ambiente abundante e nos transformará em pessoas mais impressionantes. Mas a Bíblia, em vez disso, nos devolve ao ponto essencial.
Sempre que as ondas da vida quebram sobre nós e somos frustrados por uma realidade sufocante, a Bíblia nos pergunta: "Você passou a crer em Jesus, não foi?". Isso ocorre porque é o maior milagre da vida. O mistério que era impossível de conhecer agora é visível, e o evento de crer na Cruz que antes parecia tolice. Como podemos explicar esta situação sobrenatural — confessar que não podemos viver um único dia sem a Cruz do Senhor e que somente Ele é a nossa vida?
A Vida de uma Testemunha Servindo ao Mundo
Portanto, nós, que somos chamados como crentes, devemos inevitavelmente aceitar a perda porque vivemos como 'aqueles que veem' neste mundo. No entanto, temendo essa perda, não poucas pessoas vivem de olhos fechados assim que dão um passo para fora no mundo. Sua visão espiritual foi restaurada, mas fingem ser cegos, tentando se conformar aos caminhos do mundo enquanto mantêm suas convicções internas escondidas. Mas amigos, viver de olhos abertos é mais exaustivo do que vocês pensam. Isso ocorre porque a vasta maioria daqueles ao seu redor ainda está de olhos fechados. Do ponto de vista do mundo, um santo é um ser verdadeiramente humorístico. Embora não haja garantia mundana, eles proclamam: "O Senhor é a minha garantia", e mesmo no lugar do fracasso, confessam: "Existe a boa vontade de Deus". Pode ser uma linguagem que faça sentido entre nós, mas para o mundo, soa como conversa fiada.
No entanto, não podemos rejeitar a graça que flui dentro dessa confissão. Como podemos deixar de ter nossos olhos cheios de lágrimas diante da promessa de que "Deus nunca desistirá da minha vida"? Como podemos ser indiferentes quando sentimos esse amor — que Ele enviou Seu Filho unigênito por mim, e que Ele me busca constantemente, eu que sou tão propenso à traição? Não esperem que o mundo entenda essa emoção. Explicar o azul refrescante do céu para alguém que não pode ver pode soar como um insulto ou zombaria para essa pessoa.
O propósito para o qual fomos chamados não é julgar o mundo ou nos orgulharmos de superioridade. Porque eu também era a mesma pessoa cega, mas abri meus olhos apenas pela graça, estou posicionado aqui para segurar aqueles que estão indo em direção a um penhasco. Não é amor observar pessoas caminhando para o caminho da destruição e permanecer como um espectador. Mesmo que você ouça críticas, deve segurar as mangas deles e clamar: "Você não deve ir por esse caminho!". Esta é a missão de uma testemunha. Além disso, como as palavras de Jesus, devemos viver não como aqueles que reinam, mas como aqueles que servem. Assim como o Senhor, que é Luz, veio para nos servir nas trevas, nós, que vimos essa Luz, também devemos nos dar voluntariamente ao mundo. Mesmo que sejamos ignorados e mal compreendidos, é a vida adequada de um santo suportá-los com amor até o fim.
Vocês foram chamados como testemunhas como João Batista. Nós não somos a própria Luz, mas aqueles que presenciam e testificam dessa Luz. Portanto, em vez de uma alegria temporária vinda do sucesso mundano ou da prosperidade dos filhos, possuam essa alegria grandiosa de 'eu que era espiritualmente cego agora posso ver'. Que vocês sejam preenchidos com a alegria da salvação que nunca pode ser tirada, em vez de uma alegria que oscila de acordo com a situação. Como aqueles que viram a abundância de Deus, espero que vocês possuam a margem e o amor para voluntariamente perder pelo bem do mundo. Se houver alguém que sinta que essa luz ainda é tênue, eu o abençoo para que admita humildemente sua impotência e caminhe totalmente para a luz do Senhor.
Oremos.
Senhor, que examinas todos os nossos movimentos, estamos verdadeiramente arrependidos e gratos por chamares pessoas tão falhas de Teus filhos. Confessamos nossa teimosia em ressentir e desprezar a Ti, usando a desculpa de que não podíamos entender totalmente a Tua vontade. Perdoa nossa indelicadeza em exaltar o Senhor com nossos lábios enquanto Te tratamos meramente como um meio para nossa conveniência e conforto em nossas vidas.
Apesar disso, estamos maravilhados por esse grande amor — que não Te envergonhas de nós, mas nos selas como filhos e filhas e preparas um lar eterno para nós. Agora, permite-nos viver vidas dignas do nobre nome de Teus filhos, e concede-nos a ousadia de não nos envergonharmos do Senhor em lugar algum.
Segura nossas mãos fracas e ajuda-nos a caminhar nem que seja um único passo à Tua semelhança durante nossa jornada de fé. Que o conhecimento de Deus seja a alegria mais elevada de nossas vidas, e que a percepção desse amor imensurável por nós seja nosso único prazer diário.
Oramos no nome de Jesus Cristo, nossa verdadeira Luz. Amém.
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