A Palavra de Deus está em Gênesis 45, dos versículos 16 a 28.
"Chegou aos ouvidos da casa de Faraó a notícia de que os irmãos de José haviam chegado, e isso agradou a Faraó e a seus servos. Faraó disse a José: 'Dize a teus irmãos: Fazei isto: carregai vossas bestas e ide, voltai à terra de Canaã, e tomai vosso pai e vossas famílias, e vinde a mim; e eu vos darei o melhor da terra do Egito, e comereis da fartura da terra. E tens ordem de lhes dizer: Fazei isto: tomai carros da terra do Egito para vossos pequeninos e para vossas mulheres, e trazei vosso pai. E não vos preocupeis com vossos bens, porque o melhor de toda a terra do Egito será vosso.' Assim fizeram os filhos de Israel. E José lhes deu carros, conforme a ordem de Faraó, e também lhes deu provisão para o caminho. A todos eles deu a cada um roupas novas, mas a Benjamim deu trezentos siclos de prata e cinco mudas de roupas. E a seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do Egito, e dez jumentas carregadas com trigo, pão e provisão para seu pai, para o caminho. Depois despediu seus irmãos, e enquanto se retiravam, disse-lhes: 'Não brigueis pelo caminho.' Subiram, pois, do Egito e vieram à terra de Canaã, a seu pai Jacó. E lhe informaram, dizendo: 'José ainda vive, e é governador em toda a terra do Egito.' Mas o coração de Jacó estava frio, porque não lhes dava crédito. Porém, quando lhe contaram todas as palavras que José lhes havia falado, e vendo Jacó os carros que José havia enviado para levá-lo, o espírito de seu pai Jacó reanimou-se. Então Israel disse: 'Basta! Meu filho José ainda vive; irei e o verei antes que eu morra.' Amém."
A História da Salvação e o Padrão de Deus
A região de que estamos falando, que compreende o atual Israel, Síria, Jordânia, Arábia Saudita e Egito, foi atingida por uma grande fome generalizada. Dois anos após o início da fome, Jacó parece ter percebido que não conseguiriam superar a situação por conta própria e, de fato, se rendeu. Consequentemente, ele enviou seus filhos ao Egito para conseguir alimento.
Nesse processo, os irmãos de José passaram por várias reviravoltas, percalços e conflitos, e finalmente se reencontraram com seu irmão mais novo, José. Esse encontro incluiu perdão, hesitação e o ressurgimento de novos conflitos. Por fim, José revelou aos seus irmãos que era o irmão que eles haviam vendido, declarando que não foram seus irmãos, mas Deus, quem o havia enviado ali, e que Deus o havia enviado adiante para salvar seus irmãos — sua família.
Isso nos leva a pensar: "Ah, Deus salvou a família de Israel da fome." No entanto, devemos questionar: "Será que apenas ser salvo da fome era o propósito total?" A história de José na Bíblia é uma narrativa altamente dramática, envolvendo questões de rivalidade fraternal, perdão e reconciliação. Mas devemos sempre examinar como todos esses eventos se conectam com a ampla história da salvação em toda a Bíblia, e não nos deter apenas na reconciliação entre irmãos ou na conclusão de que "José era um homem admirável."
Repetidas Partidas e Restauração para a Terra Prometida
Por causa de José, Jacó e sua família desceram ao Egito. O lugar onde Jacó e sua família deveriam habitar era a Terra Prometida, e não o Egito. De fato, 400 anos depois, toda esta família retornaria a Canaã, pois esse é o plano original da história de Deus. Por que, então, Deus os chamou ao Egito?
Podemos conectar isso à história de Adão. Adão também estava no Éden, a Terra Prometida, mas ele saiu para o mundo, e sua salvação significa, em última análise, o retorno à restauração do Éden. Desta forma, as histórias de Adão e José não são narrativas separadas.
Além disso, onde essa história atinge sua consumação? Como sabemos, um Filho (Jesus Cristo) nasceria mais tarde. Devido à intensa perseguição contra Ele, Ele também fugiu brevemente para o Egito. E a Bíblia, conforme a profecia do profeta, "Do Egito chamei o Meu Filho," convoca esse Filho de volta à terra de Canaã. Esta é a história de Jesus Cristo. Jesus também foi ao Egito e retornou.
Ao ouvirmos esta porção da narrativa bíblica, podemos pensar: "Ah, Deus está explicando um padrão na história da salvação e o que é a salvação." Portanto, se o incidente de José trazer sua família ao Egito for visto isoladamente, José pode parecer uma pessoa má que arrastou pessoas que viviam bem em Canaã para o mundo. No entanto, a Bíblia, de uma forma verdadeiramente misteriosa, nos mostra a história da salvação de Deus através desses eventos que parecem se repetir.
O Respeito de Faraó e de José
Agora, Jacó, José e os irmãos de José se encontraram. Neste encontro, ocorreu o perdão e a reconciliação familiar. José agora chama por toda a família. Inicialmente, ele pretendia chamar apenas Benjamim, mas agora convoca toda a família. Neste momento, José diz as famosas palavras: "Chegai-vos a mim. Nada vos faltará." Estas palavras não são diferentes daquelas de Jesus: "Eu vos aliviarei, vinde a Mim." Aqui, podemos ver que José é uma sombra de Jesus Cristo.
José despede seus irmãos de volta para Canaã. Os presentes que ele dá aos seus irmãos neste momento carregam um significado muito intrigante. Faraó, mesmo sabendo que Jacó viria em breve, preparou e enviou uma enorme quantidade de presentes e provisões. Isso indica que Faraó estava tratando Jacó com grande importância e honra. Portanto, José, junto com a ordem de Faraó, nesta cena de chamar sua família em Canaã, nos dá a expectativa de que seus irmãos retornarão em breve com Jacó.
Presentes Significativos e a Intenção de José
No entanto, José dá aos irmãos uma ordem que nem mesmo Faraó havia dado: ele lhes diz para dar roupas novas. De fato, este assunto das roupas evoca memórias dolorosas para os irmãos de José.
Ele adiciona mais um elemento: José diz para dar a Benjamim trezentos siclos de prata e cinco mudas de roupas. O que os elementos prata e roupas nos fazem lembrar? Isso traz à mente o incidente em que os irmãos venderam José pela primeira vez. José está agora, de forma muito intencional, lembrando-os: "Vocês devem se lembrar deste incidente." Ele está dizendo-lhes que seus irmãos não devem esquecer este evento e quão importante é esta história para eles.
Interpretação da Ordem: "Não Brigueis Pelo Caminho"
Então José diz aos seus irmãos: "Irmãos, não brigueis pelo caminho." Isso pode soar abrupto. Por que ele diria a seus irmãos, com quem se reconciliou e a quem deu carros (carruagens) para trazer suas famílias, "Não brigueis no caminho"?
Primeiro, podemos interpretar este versículo através do contexto mais próximo. José carregou dez jumentos e dez jumentas com muitos itens, incluindo o que havia de melhor no Egito e provisões para o caminho de volta. Portanto, poderia ser interpretado como: "Não brigueis por causa da divisão desses bens." Ou seja, um aviso para não brigar por causa dos muitos presentes diante de seus olhos.
No entanto, essa interpretação é um tanto fraca. Surge a questão se os irmãos brigariam por posses temporárias quando logo voltariam para o Egito.
Avançando um pouco mais, podemos ver este versículo no contexto de Benjamim. José deu especialmente a Benjamim trezentos siclos de prata e cinco mudas de roupas, mais do que a seus outros irmãos. Portanto, pode ser um aviso para não brigarem por causa da quantidade de posses de Benjamim, partindo do pensamento dos irmãos: "Estamos sendo discriminados aqui também?" Esta interpretação parece plausível à primeira vista.
No entanto, consideremos todo o desenrolar dos eventos. Antes de Judá implorar a José que o tomasse como escravo para salvar Benjamim, Benjamim já havia recebido cinco vezes mais comida do que os outros irmãos. Apesar disso, os irmãos não mostraram sinais de ciúme ou inveja de Benjamim. Assim, este versículo pode não se tratar principalmente de brigar por causa dos bens de Benjamim.
Os Três Significados da Palavra 'Brigar'
Então, por que José disse a seus irmãos: "Não brigueis pelo caminho"? Para responder a essa pergunta, podemos primeiro olhar para o significado da palavra 'brigar'. Esta palavra, na verdade, tem três significados:
Brigar (Disputa/Briga): O significado geral de disputa que conhecemos comumente.
Culpar (Acusar): Significa acusar uns aos outros, dizendo: "Isto é culpa sua, aquilo é culpa minha." A Nova Versão Revisada Coreana (Saebyeok Seongyeong) segue essa interpretação.
Tremer de medo (Temor): Também pode se referir a um estado emocional de ser oprimido e tremer de pavor.
Aviso Para Não Culparem Uns Aos Outros
Agora vamos olhar para a palavra 'brigar' ou 'culpar'. A palavra 'culpar' está claramente profundamente ligada à situação de José. Quando José ordenou a seus irmãos que fossem ao seu pai, contassem tudo sobre ele e descessem juntos ao Egito, os irmãos inevitavelmente tiveram que contar a Jacó como José estava vivo. Em última análise, o pecado deles no passado seria exposto.
Neste momento, os irmãos poderiam começar a culpar uns aos outros, dizendo: "Você estava errado, eu estava errado." Essa interpretação é plausível por causa do que Rúben disse no contexto anterior, quando José disse aos irmãos: "Fiquem apenas com um de vocês, e os demais voltem." Rúben disse: "Eu não me opus claramente na época? Eu disse para não fazermos isso, mas vocês fizeram," agindo como se não tivesse nenhum envolvimento no assunto. Esta foi uma tentativa de transferir a culpa para seus outros irmãos.
Portanto, José estava preocupado que os irmãos pudessem começar a transferir responsabilidades, como Rúben, dizendo: "Você falou isso com mais insistência, não foi?", "Você sugeriu vendê-lo, não foi?", ou "Judá, você disse isso naquela época."
A Autojustificação de 'Sou Um Pouco Melhor'
No entanto, olhando novamente para o caso de Rúben, ele também foi cúmplice de seus irmãos quando o incidente começou. Inicialmente, eles prenderam José para matá-lo, pararam brevemente, mas acabaram vendendo-o. Rúben está essencialmente alegando: "Todos nós erramos, mas eu retirei meu dedo no último momento," sugerindo que ele era diferente de seus outros irmãos.
A razão pela qual muitos estudiosos dão grande crédito à interpretação de que José os advertiu "Não brigueis" com o sentido de "Por favor, não façam isso" é porque a possibilidade pode ser vislumbrada através do incidente de Rúben.
A Lição de Não Esquecer que Somos Pecadores
Este comportamento dos irmãos é muito semelhante ao nosso. Embora todos confessemos que somos pecadores, constantemente abrigamos pensamentos em nossos corações como: "Você é um pecador maior. Eu ainda consegui tirar meu dedo até certo ponto. Eu não menti naquela época. Eu nunca pensei isso de você naquela época. Eu fiz algo um tanto bom naquela época. Pelo menos me opus naquela época." Assim, em qualquer circunstância, tentamos fugir dizendo: "Eu sou um pouco melhor," ou "Você é um pouco pior." Falar em ser um tanto inocente quando todos são igualmente culpados é provavelmente um desejo psicológico de constantemente querer esquecer o fato de que somos todos pecadores.
Nesse sentido, as palavras de José significam: "Por favor, não se esqueçam de que todos vocês são pecadores." Ao lidar com nossos filhos, em nossos lares e com os irmãos na igreja, sabemos que somos todos pecadores iguais, tolos, e que ninguém é superior a outro em qualquer assunto? Ou ainda não conseguimos nos livrar do pensamento: "Você também é, mas eu sou um pouco melhor"? A Bíblia parece estar apontando exatamente para este aspecto em nós. O silêncio de Rúben depois talvez seja porque ele percebeu que ele também era o mesmo pecador.
Exortação Para Não Tremer de Medo
Anteriormente, mencionei que a palavra 'brigar' contém os significados de 'disputar', 'culpar' e 'tremer de medo'. Acredito que esta interpretação deve receber maior peso e é uma interpretação crucial. Ou seja, José está dizendo aos seus irmãos: "Não tremam de medo no caminho."
Isso significa não se deixar dominar pelo medo porque agora eles têm que confessar seu grande pecado ao seu pai, e isso os faz tremer. José está lembrando-os: "Lembrem-se de que Eu já os perdoei."
Eu acredito que este significado é o mais poderoso por uma razão. Estes irmãos foram claramente perdoados por José, e como registrado na Bíblia, eles se abraçaram e choraram, reconciliando-se. No entanto, mais tarde, em Gênesis 50, depois que Jacó morreu, os irmãos vieram a José e disseram: "Talvez José nos odeie e nos pague por todo o mal que lhe fizemos." Ou seja, embora tivessem ouvido que foram perdoados e de fato foram perdoados, eles não desfrutaram plenamente da verdadeira liberdade e alegria que o perdão proporciona, vivendo em vez disso com dúvidas.
A Vida do Crente: Não Possuir o Resultado do Perdão
Acredito que este é um dos problemas mais sérios para nós, crentes: uma vida em que não conseguimos possuir plenamente o resultado do perdão apesar de termos sido perdoados. Tal vida é como viver constantemente na ponta dos pés ao redor de José. Se José disser uma única palavra, eles continuamente se preocupam e temem por questões triviais, perguntando: "O que aquela palavra quis dizer? Será que ele está planejando nos enforcar amanhã?" ou, "O olhar de José esta manhã estava diferente."
Os crentes também exibem esse comportamento. Deus claramente diz: "Vossos pecados se tornarão brancos como a neve." Jesus Cristo morreu na cruz por nós e nos ordenou a nos apegarmos àquela cruz. Dizemos: "Obrigado, Senhor, por morrer por mim," mas quem de nós está realmente desfrutando o caminho da justiça dado por Deus, tendo se desviado do caminho do pecado e entrado nele? Quem está agora experimentando a alegria e o prazer de Deus nos declarar justos pelo fato de nosso pecado ter sido perdoado? A confissão: "Sou um pecador, mas obrigado, Senhor, por me perdoar," manifesta-se em vocês como alegria e poder espiritual surpreendente?
Talvez, mesmo como crentes em Jesus, vivamos como se viéssemos à igreja porque Deus tem vantagem sobre nós. Tememos que Deus tenha uma lista de todos os nossos pecados e que, se fizermos algo errado, Ele diga: "Você se lembra disso de antes? Você está fazendo a mesma coisa." O pensamento: "Deus sabe tudo sobre mim, então eu não devo brincar, não devo agir de forma imprudente" pode ser um sentimento profundamente arraigado que faz com que vocês confundam com vida de fé o andar com cautela diante de Deus, apesar de o Senhor ter claramente perdoado vocês.
Deus claramente aceita o vosso arrependimento, ajuda-vos a voltar, faz-vos lutar contra o pecado e está vos protegendo da tentação do pecado. No entanto, vocês estão sempre acanhados. Se a razão pela qual vivem diligentemente pela graça de Deus, praticam sua fé fervorosamente e adoram a Deus na igreja não está enraizada na alegria e gratidão, mas no medo, devemos examinar seriamente nossa condição mais uma vez.
Chamados a Ser Pacificadores
Os crentes não são pessoas que creem em Deus por constrangimento ou desculpas. Não são pessoas que vivem sua fé tremendo de medo de que Deus possa castigá-los novamente. Se a vossa vida de fé não está fluindo da gratidão, do amor e da graça, vocês devem fazer perguntas fundamentais novamente. É por isso que as palavras de José: "Irmãos, por favor, não vivam com medo," são tão profundamente importantes.
O que é exatamente que vos causa medo? Vocês são os poucos que realmente sabem que Deus perdoou o vosso pecado e, portanto, sabem "por que nasceram nesta terra" e "por que estão vivos." Vocês são as pessoas que receberam a graça surpreendente de conhecer "a razão, o propósito e o destino final de vossa vida." Vocês realmente encontraram um Pai que vos ama, e são pessoas que adoram o Senhor junto com verdadeiros irmãos e irmãs. Vocês encontraram um Pai que não apenas abraça nossa fraqueza, mas também faz o Espírito Santo habitar em nós, envolvendo-nos tanto interna quanto externamente com convicção inabalável, trilhando este caminho conosco. Vocês são aqueles que conhecem o Pai que realmente vos ama.
Aos olhos de José, seus irmãos estavam completamente com medo de que o coração de José pudesse mudar. Então José disse: "Não vivam com medo. Por favor, não trilhem esse caminho com acusações mútuas de culpa ou com medo." No caminho de volta para Canaã, e no caminho que eles tomariam de volta para o Egito, a Bíblia transmite uma verdade importante através da voz de José ao longo de toda essa jornada. Pois esse é também o caminho da fé que devemos percorrer.
Nós também estamos constantemente trilhando este caminho de peregrinação. Podemos brigar no caminho e culpar uns aos outros. Podemos dizer: "A culpa é sua. Este caminho ficou assim por sua causa." O que é mais assustador é a possibilidade de vocês trilharem este caminho com medo. A ordem: "Não vos culpeis uns aos outros," significa "Não trateis uns aos outros como pecadores."
Entre as pessoas com quem vocês compartilham uma vida de fé, pode haver aquelas que parecem deficientes, insignificantes ou espiritualmente inferiores. Pode haver pessoas que pareçam menos capazes do que vocês. Vocês podem pensar: "Pelo menos eu faço isso." No entanto, em Jesus Cristo, vocês não devem mais tratar ninguém como pecador. Eles estão aqui por meio de Jesus Cristo. Mesmo que tudo seja tirado, são pessoas nas quais Jesus Cristo habita.
Portanto, eles são preciosos. Somos pessoas que receberam perdão e foram chamadas a perdoar os outros, e fomos chamados como aqueles reconciliados com Deus. Portanto, somos pessoas que se reconciliam com nossos vizinhos neste mundo, e somos pacificadores. Vocês foram chamados para ser 'Pacificadores.' Talvez as palavras de José sejam, portanto, uma mensagem para "Não esqueçam quem vocês são," o que pode ser expresso simplesmente em termos do Novo Testamento como: "Vocês são pessoas que se amam umas às outras."
Quantas coisas serão do vosso agrado quando vocês encontrarem todas as coisas que vos desagradam, e quando se encontrarem com a esposa e o marido em casa, e conviverem? Por outro lado, a quantas pessoas vocês agradam verdadeiramente? Se ampliarmos um pouco nossa perspectiva, quão agradáveis são vocês para Deus? A única pessoa aqui que agrada a Deus é Jesus. A Bíblia diz: "Meu Amado, em quem tenho prazer," é Jesus. Porque vocês estão em Jesus Cristo, Deus diz: "Eu tenho prazer em você." Dado isto, podemos trilhar este caminho, culpando uns aos outros ou temendo, só porque o que queremos não está se cumprindo em nossas vidas?
As Roupas de José e a Sombra de Cristo
Não devemos esquecer este fato e, ao mesmo tempo, uma das coisas mais surpreendentes que José disse e que devemos entender é o incidente de "dar-lhes roupas novas," que discutimos anteriormente. De fato, o incidente de dar roupas novas foi um dos elementos mais importantes quando José olhou para trás em sua vida. Quando ele vestiu a túnica de cores, José expressou quem ele era através daquela veste, e por causa disso, ele quase foi morto e foi vendido. Mas a história da roupa continua ao longo de sua vida. Ele se veste quando sai da prisão e veste linho fino quando se torna Primeiro Ministro.
Mas desta vez, José está vestindo seus irmãos com roupas. Através deste evento, entendemos que este não é meramente um incidente de dar comida durante uma fome, mas que Deus está, na verdade, usando José para colocar roupas em seus irmãos e nos fazer ver a mensagem contida nelas. Todos nós estamos vestindo as roupas de Jesus Cristo dadas por Deus. E ao mesmo tempo, sabemos que despojamos Cristo de Suas roupas, zombamos de Cristo e desprezamos a Jesus Cristo que se humilhou por nós. A vida de José se sobrepõe significativamente à vida de Jesus Cristo, razão pela qual chamamos José de uma 'sombra' de Cristo.
Cristo Rejeitou a Luz, mas a Compartilhou
Considerem o incidente em que Cristo foi despojado de Suas roupas e desprezado. Quando a Luz brilhou nesta terra, porque o pecado e a consciência foram expostos, as pessoas não seguiram Aquele que lhes mostrou a luz, mas O atacaram. A escuridão odiava a Luz e tentou extingui-la. Mas, como sabemos, a escuridão não venceu a Luz, e a morte não venceu a vida.
O ponto verdadeiramente surpreendente deste incidente não é apenas que a escuridão não venceu a Luz. É que Jesus Cristo, a Luz, compartilhou Sua glória e luz com aqueles que tentaram matar a Luz. Jesus, a Luz, não apenas revelou Sua própria glória, mas, em vez disso, buscou compartilhar essa glória e essa vida com aqueles que tentaram matá-Lo.
Isso é como se José não fosse Primeiro Ministro sozinho, mas compartilhasse suas roupas com seus irmãos. Assim, o livro de Isaías diz:
“Exultarei grandemente no Senhor, a minha alma se regozijará no meu Deus; porque me vestiu de vestes de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como noivo que se adorna com um turbante e como noiva que se enfeita com as suas joias.”
A razão pela qual minha alma se regozija em meu Deus é que Ele me vestiu com as vestes da salvação.
Nossa Salvação é Apenas Por Causa do Amor
Amigos, nossa salvação não foi ganha porque recebemos Jesus quando Ele veio. Não foi ganha porque obedecemos tão bem às palavras de Jesus, nem porque amamos Jesus. Não foi ganha porque valorizamos Suas palavras e as obedecemos um pouco melhor.
Pelo contrário, nós matamos Jesus, despojamo-Lo de Suas roupas, sujamos Suas roupas com sangue e O vendemos. No entanto, o Senhor foi bom conosco até o fim, nos valorizou, nos chamou e nos amou. É por isso que a salvação veio até nós. É porque o Senhor me vestiu com a roupa de Cristo e tirou a minha roupa (o pecado).
Nossa salvação não é porque vocês vieram a este culto, nem é por causa dos seus esforços para fazer o bem, nem é por aquilo que vocês serviram ao Senhor. A razão pela qual estamos aqui é porque matamos Jesus Cristo. Porque despojamos Cristo de Suas roupas. Porque éramos pecadores. E porque sabíamos que éramos pecadores, confessamos perante o Senhor: "Senhor, afasta-te de mim. Sou um pecador. Como pôde o Filho de Deus vir por mim?"
A razão pela qual vocês e eu obtivemos a salvação não é porque amamos a Cristo, mas, surpreendentemente, porque odiamos a Cristo. Mas é porque o Senhor nos amou, a nós que O odiamos, porque Ele não nos abandonou e porque nos perseguiu e nos segurou até o fim. Essa repulsa, nosso coração que resistiu até o fim — mesmo que vivamos assim depois de crer em Jesus, mesmo que ainda vivamos mais próximos do pecado, mesmo enquanto confessamos Jesus como nosso Senhor, mesmo que não possamos abandonar nossa ganância, mesmo que ainda tratemos o ato de odiar os outros como se fosse nosso trabalho — é a nós que o Senhor amou. Ele nos amou.
A Reação do Pai Jacó
Amigos, os irmãos finalmente chegaram a Jacó. Conforme registrado na Bíblia, os irmãos parecem ter transmitido a notícia sobre José ao pai sem brigar ou tremer de medo no caminho. Não há menção alguma de Jacó ter tremido ou se zangado enquanto ouvia a história. Pode até ser surpreendente que eles tenham contado tudo ao pai que tanto amava José.
Os irmãos finalmente disseram a Jacó que José estava vivo e havia se tornado o Primeiro Ministro do Egito. Ao ouvir isso, Jacó quase perdeu o juízo. Embora a tradução coreana use a palavra 'ficou atordoado', na verdade, está mais perto do significado de 'perdeu a noção da realidade'. Quanto Jacó amava José? Ele foi o homem que disse, quando pensou que José havia morrido: "Rapidamente descerei ao Seol (morte) para me encontrar com meu filho." Portanto, era natural que ele não entendesse e não acreditasse nessa notícia. O texto diz: "Não lhes dava crédito e estava atordoado."
O Sinal Indicado Pelos Carros
Os irmãos continuaram a contar a Jacó tudo o que José havia pedido que dissessem. Mas no final, surge uma história verdadeiramente estranha.
"Contaram-lhe todas as palavras que José lhes havia falado: e quando seu pai Jacó viu os carros que José havia enviado para levá-lo, o espírito de seu pai Jacó reanimou-se."
Se tomarmos esta passagem literalmente, parece que ele não acreditou em nada da história até que, de repente, um carro magnífico apareceu diante de seus olhos, e só então ele começou a acreditar, dizendo: 'Oh, sério?'
Devemos entender com precisão o significado do 'carro' mencionado aqui. Este carro não era um carro de carga, mas uma carruagem ou carroça que José havia enviado para levar Jacó e sua família. Na terra de Canaã, onde viviam os nômades, as pessoas não construíam nem usavam carruagens. As pessoas viajavam carregando seus pertences em animais ou jumentos.
A chegada deste carro é comparável, nos termos de hoje, ao evento chocante de um avião particular presidencial aterrissando no quintal de vocês para levá-los para casa. Foi uma evidência surpreendente que era totalmente inesperada, suficiente para causar tumulto em toda a aldeia.
Jacó olhou para este carro e pensou: 'Finalmente, o problema da fome está resolvido,' 'Não preciso mais me preocupar com comida,' ou 'Todas as minhas preocupações sobre o que aconteceria a Benjamim desapareceram'? E foi por isso que ele acreditou em José?
Não. A reação de Jacó se desenvolveu de forma totalmente diferente do que poderíamos esperar. Jacó não disse coisas como: "Ah! Finalmente foi resolvido," ou "Agora eu posso descer." As primeiras palavras de Jacó deveriam nos chocar a todos com grande impacto. Jacó disse:
"Basta!"
A frase 'Basta!' significa que nada mais é necessário. Mas isso não foi porque havia muita comida, nem porque o carro (carruagem) havia chegado.
Ele estava olhando para aquela carruagem, aquele carro, não pensando: 'Uau, vendo um carro tão enorme, eu posso acreditar em José,' mas sim, ele estava procurando o sinal que este carro estava apontando — o que este carro estava indicando. Ele percebeu para quem, para o que o carro estava apontando, não pensando: 'Se eu andar neste carro, eu viverei,' ou 'Se eu possuir toda esta comida, eu viverei.'
Jacó Viu José, e Não os Carros
Amigos, como bem sabem, o Evangelho de João relata o incidente da multiplicação dos pães e peixes. Cinco pães e dois peixes alimentaram cinco mil homens, e talvez dez a vinte mil pessoas se contarmos mulheres e crianças. As pessoas começaram a seguir Jesus depois de comerem aquela comida. Mesmo quando Jesus foi para o outro lado do mar e retornou, as pessoas O seguiram persistentemente. Isso porque pensavam que, se O seguissem, o problema da comida seria resolvido, e queriam fazê-Lo rei.
O que Jesus disse naquela época?
“Vós me buscais, não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes.”
Jacó não está olhando para estar farto e alimentado; ele está olhando para o sinal. Ele disse: "Basta!" porque entendeu o que a carruagem, o carro e todos os presentes estavam dizendo. Por que era suficiente? Por causa do fato de que José estava vivo. Não a comida, o grão, o carro ou qualquer outra coisa, mas "José ainda vive, então eu sou suficiente, não preciso de mais nada." A Bíblia diz que seu espírito se reanimou. A única razão pela qual seu espírito se reanimou e ele se levantou foi porque José estava vivo.
O que vocês veem nesta história e em vossas vidas?
O sinal que Jacó viu foi o carro. Era uma carruagem incrível que ele raramente veria em sua vida. Mas ele não viu a grande carruagem destinada a transportá-lo; ele viu José. O que poderia reanimar seu espírito não era a comida, nem o carro, nem os presentes. Era José.
O Sinal de Jonas que Devemos Olhar
Amigos, qual é o sinal que o Senhor nos mostrou?
Quando as pessoas perguntaram a Jesus: "Que sinal nos mostrarás?" Jesus disse:
“O único sinal que vos será dado é o sinal de Jonas.”
Isso se referia ao incidente de Jonas morrendo na barriga de um grande peixe e ressuscitando três dias depois, e falava de Cristo morrendo na cruz e ressuscitando. Jesus foi o Jonas final, e Ele estava ali como o Senhor que completou a história de Jonas. Isso porque Jesus cumpriu a oração que Jonas ofereceu dentro da barriga do peixe.
Qual foi a oração de Jonas?
“Embora eu seja expulso da Tua vista por causa do meu pecado, eu voltarei a olhar para o Teu santo templo.”
Simplificando, o significado é: "Mesmo que Tu me abandones, eu olharei para Ti, Senhor."
O que vocês e eu estamos tomando como nosso sinal? É o céu que vocês construíram? É o vosso sucesso? É a vossa riqueza? É o vosso tesouro? Ou é o vosso fracasso? É a vossa morte e vida? É a vossa paz?
O que vocês estão realmente olhando, e no que vocês estão realmente participando?
“Senhor, mesmo que Tu não me concedas o céu, eu olharei para Ti. O que eu desejo não é nada que Tu me dês, mas Tu mesmo, Senhor.”
O que me fortalece, o que me devolve a vida, o que me restaura não é o cumprimento dos pedidos de oração que vocês têm feito com tanto fervor. Também não é a realização das coisas que vocês tanto desejaram.
É perceber, através dessas coisas (sinais): "Ah, o que eu desejo em última análise é o Senhor." Esse é o verdadeiro significado do sinal.
A Confissão do Crente Que Venceu o Sofrimento- Esperança no Senhor Vivo
Na semana passada, tivemos um evento muito alegre em nossa igreja. O irmão Jin-oh Lee, que tem frequentado nossa igreja, tem feito diálise por cerca de dois anos e meio a três anos. Mesmo em diálise, ele sempre chegava mais cedo aos domingos para servir como porteiro e auxiliar no primeiro culto. Apesar de uma lista de espera muito longa, ele de repente recebeu uma ligação esta semana e foi submetido a uma cirurgia com sucesso. Ele recebeu um transplante de rim. Entre aqueles que estavam na frente dele na lista, alguns desistiram, dizendo: "Não farei a cirurgia nesta idade," porque esperaram demais, e para outros, o transplante foi impossível porque seus corpos não eram compatíveis. Finalmente, o nome deste irmão surgiu, ele recebeu a ligação de repente e a cirurgia correu muito bem. Quando o visitamos no hospital, o irmão disse isto:
"Pastor, para ser honesto, eu estava praticamente desistindo. E pensei que seria muito grato se eu falecesse e fosse para o Senhor assim. Porque até então, eu realmente tinha vivido minha vida para mim, mas quando realmente conheci o Senhor, experimentei a alegria de viver no Senhor. Portanto, se eu encontrasse o Senhor aqui, isso também seria motivo de gratidão e muito bom, e não seria um problema."
Agora que isso aconteceu, ele está ainda mais grato a Deus. O pastor, por sua vez, disse: "Ah, visto que Deus o deixou nesta terra, o Senhor deve ter algo para ele fazer."
Amigos, o que o irmão desejava não era meramente a cura de sua doença. Embora a doação de um rim fosse uma bênção, o objetivo não era prolongar sua vida física. Seu objetivo era Jesus Cristo, que lhe disse, a ele que tinha vivido uma vida egocêntrica e cuja vida sem solução o tinha deixado ignorante de "por que vim e para onde vou": "Eu dei a Mim mesmo por você."
Cristo Apontado Pelo Sinal
"Mesmo que Tu me abandones, eu olharei para Ti, Senhor." O que vocês veem nesta oração de Jonas? Jesus Cristo fez o mesmo.
“Mesmo que o Pai me abandone, eu sairei com estas pessoas diante do Senhor.”
“Eloi, Eloi, lamá sabactâni!” (“Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste!”) Aquele Jesus, o que foi abandonado, vos salvou. Aquele Jesus vos fez ir diante de Deus.
Vocês participam desta oração do Senhor?
"Pai, nenhuma das riquezas que possuo, meu sucesso ou fracasso, nada que constitua minha aparência externa, nenhuma das coisas que tanto valorizo, e nenhum dos problemas pelos quais estou agonizando agora, que me prendem e que sinto que não posso fazer nada por causa deles... Senhor, como pode qualquer uma dessas coisas impedir-me de ir a Ti, ou impedir-me de olhar para o Senhor?"
Pelo contrário, foi por causa dessas coisas que eu cheguei a saber. Essa é a sinal para mim. Isso me faz ver a Cristo.
O Cântico do Profeta Habacuque
Amigos, o cântico de Habacuque não surgiu deste mesmo lugar?
Embora a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado...
Esta passagem não termina com: "Ah, houve pessoas tão grandes no passado. Por que eu não consigo ser assim?" Ele foi capaz de falar dessa forma não porque não soubesse o quão preciosos eram as uvas, o cereal e o gado. Não foi porque ele não soubesse o benefício que o que ele valorizava lhe trazia. Tampouco foi porque ele não soubesse que alegria é quando todos os problemas são resolvidos.
Foi porque havia Jesus, incomparável.
“Todavia, eu me alegrarei no Senhor.”
Foi porque havia Jesus, a quem nada poderia encobrir e nada poderia substituir. Eu olharei para Jesus na cruz, para Jesus ressuscitado, para Jesus na glória.
Na tempestade, mesmo quando todos os meus planos são frustrados e tudo o que eu havia construído desmorona, eu encontrei o Senhor vivo. Eu olharei para aquele Senhor vivo. Estou satisfeito. Sou suficiente. Porque o Senhor está vivo, eu não tenho escolha a não ser estar satisfeito. Mesmo que eu desista de tudo, ou melhor, mesmo que tudo me seja tirado, eu confesso porque o Senhor está presente.
Deus Está Vivo
Amigos, como era o Domingo da Reforma, vou contar mais uma vez uma famosa anedota que vocês talvez conheçam. Martinho Lutero foi um reformador muito valente e notável, e ele travou muitas guerras. Guerras travadas com palavras e caneta, é claro. No entanto, até mesmo Lutero caía em depressão com muita frequência e dizem que ele desistia e se desesperava muitas vezes.
Um dia, depois de casado, a esposa de Lutero chegou em casa e viu Lutero sentado à sua mesa, com um olhar desapontado novamente. A esposa deve ter ficado chateada. Então, de repente, a esposa trouxe um caixão para casa. Ela cobriu o caixão com um pano branco e começou a chorar ali. Lutero a viu de dentro de casa e saiu, perguntando: "Mas, quem morreu?"
Então sua esposa disse uma frase muito famosa:
"Deus morreu."
Lutero ficou assustado e disse: "Mas o que você está dizendo? Deus morreu! Você está em seu juízo perfeito?" Naquele momento, sua esposa disse uma frase ainda mais famosa:
"Então por que você está se desesperando? Se você sabe que Deus está vivo, como pode se desesperar?"
O que o mundo vos fará? Deus está vivo. Se Deus está vivo, mesmo que vocês percam tudo, o que é que vocês perderam? Se vocês falham, o que é que vocês perderam?
Lembrem-se disto:
Deus está vivo.
Oremos.
Senhor, assim como o espírito de Jacó se reanimou, que nossos corações e almas também sejam renovados por Tua mão. Ajuda-nos a olhar somente para Ti e a avançar com ousadia, mesmo em meio às dificuldades e ao medo, e a experimentar a graça e a paz que Tu nos dás em nossas vidas.
Em nome de Jesus Cristo oramos. Amém.
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