Gênesis 49:10–12

 

“O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de comando de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos. Ele amarrará o seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta à videira mais seleta; lavará as suas vestes no vinho e a sua capa no sangue de uvas. Seus olhos serão mais escuros que o vinho, e os seus dentes mais brancos que o leite.” Amém.

 

Daquele que Louva àquele que é Louvado: A Transformação e Profecia de Judá

Uma criança nasceu. Sua mãe, com o coração ansiando que seu filho vivesse uma vida de eterno louvor a Deus, deu-lhe o nome de ‘Judá’, que significa ‘louvor’. No entanto, ao crescer, ele infelizmente abandonou o amor fraternal e nutriu um profundo ódio por seu irmão, chegando ao ponto de cometer o grave pecado de vendê-lo como escravo. Posteriormente, as sombras da adversidade caíram sobre sua vida. Ele se afastou de seu lar, entrou em um casamento sem bênção e perseguiu os desejos da carne, experimentando as profundezas mais miseráveis da existência.

 

O mais doloroso é que ele viveu em total esquecimento da nobre promessa de Deus. Após um longo silêncio, ele finalmente despertou de seu sono espiritual através do incidente com sua nora, Tamar. Este evento expôs a crua realidade da fé de Judá. Até então, ele talvez se sentisse orgulhoso de ser filho do grande Jacó e descendente da promessa; no entanto, o que ele enfrentou — como se olhasse em um espelho — foi a miserável realidade de seu verdadeiro estado espiritual. Mas, paradoxalmente, aquele evento doloroso tornou-se o ponto de virada decisivo para que Judá restaurasse a promessa de Deus e retornasse ao abraço do Senhor.

 

A providência de Deus é verdadeiramente profunda e misteriosa. Anos mais tarde, Judá encontrou-se diante de um teste essencialmente idêntico ao do passado. Era a questão crítica de se ele abandonaria seu irmão em crise. Desta vez, o alvo era Benjamim, o mais novo. Mas o Judá transformado já não era o homem que costumava ser. Ele fez um apelo desesperado, mas corajoso: se o menino pudesse retornar em segurança, ele preferiria tornar-se escravo em seu lugar. Este nobre sacrifício de oferecer a própria vida por outro foi um reflexo sagrado, uma sombra do Messias que haveria de vir.

 

Agora, Jacó, diante do chamado do Senhor, reúne seus filhos para proclamar a bênção profética final. Para Judá, Jacó declara que ele, que originalmente era ‘aquele que louva’, agora se tornou ‘aquele que é louvado’. Como ele pôde ascender a tão glorioso posto? Foi porque a vida de Judá tornou-se um conduto santo através do qual flui a história do Messias. Jacó profetizou que, através da linhagem de Judá, o Messias vindouro seria aquele que justamente receberia o louvor de todas as nações. De uma existência destinada ao esquecimento na fraqueza, Judá emergiu como um gigante espiritual. O homem que uma vez habitou nas profundezas mais baixas da vida elevou-se para tornar-se o mensageiro mais precioso que prepara o caminho para o Rei dos reis.

 

Até que venha Siló: A Soberania Eterna Prometida a Judá

Na semana passada, compartilhamos a narrativa de Judá, que foi transformado de um homem fraco em um homem forte. Hoje, desejo iniciar a mensagem examinando seu aspecto como ‘homem forte’. A profecia sobre o homem forte, isto é, o Messias forte, está vividamente projetada no primeiro versículo do texto de hoje. As Escrituras registram: “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de comando de entre seus pés”. Aqui, o fato de o ‘cetro’ e o ‘bastão de comando’ não se afastarem sugere que a autoridade soberana e a realeza perdurarão nele. Além disso, esta continuidade da realeza carrega um limite de tempo: “até que venha Siló”.

 

Na verdade, a palavra ‘Siló’ é uma das expressões mais difíceis de interpretar em todo o livro de Gênesis. Alguns a associam a ‘Siló’, o local geográfico onde os israelitas colocaram temporariamente o Tabernáculo após o Êxodo. Embora alguns interpretem no sentido de até que Israel alcançasse sua independência política ali, infelizmente, a grafia hebraica do lugar Siló difere da grafia de ‘Siló’ em nosso texto. Além disso, observando o fluxo do contexto, parece evidente que Siló aqui não se refere a um nome geográfico.

 

Existem inúmeras interpretações teológicas para esta palavra, e gostaria de examinar as duas perspectivas mais representativas. A primeira é a visão que interpreta Siló como ‘tributo’. Vendo-o como um objeto, traduz-se como “até que ele receba o tributo”. Neste caso, o sujeito histórico poderia ser Davi ou Salomão, que receberam tributos das nações vizinhas. No entanto, se aprofundarmos isso em um sentido redentor-histórico, aponta para o Messias, diante de quem todas as nações se ajoelharão e adorarão. Como implica um tempo até que todos os povos se prostrem em adoração diante d’Ele, esta é uma visão muito válida.

 

O segundo método é interpretar Siló como o sujeito da frase, significando “aquele a quem pertence”. Isto é, significa “até que venha aquele que tem o direito de exercer a realeza”, ou “até que venha Aquele a quem toda autoridade soberana pertence por direito”. Quem é, então, esse grande protagonista? É o Messias por quem tão fervorosamente esperamos. Muitas versões bíblicas se alinham a esta tradução, e a Bíblia coreana traduz como um nome próprio: “até que venha Siló”.

 

Quando existem diversas possibilidades de interpretação, há um princípio de exposição que enfatizo frequentemente: mais do que se prender a diferenças periféricas, é importante descobrir a essência fundamental que flui sob elas. Em vez de nos apegarmos a partes polêmicas, devemos sustentar a mensagem central que nunca deve ser perdida. O ponto comum onde todas as interpretações convergem é o fato de que esta profecia aponta claramente para o tempo “até que venha Jesus Cristo”.

 

Que este versículo aponta para o Messias torna-se ainda mais certo através da frase seguinte. A Escritura declara: “A ele obedecerão os povos”. Aqui, ‘povos’ não se limita a uma categoria genealógica, como a tribo de Judá ou a nação de Israel. Significa as ‘nações’, abrangendo todos os gentios. Esta é também uma expressão magnífica usada por Deus quando fez a aliança com Abraão. Assim como a aliança prometeu que todos os povos da terra seriam abençoados através de Abraão, agora se proclama que todas as nações virão diante d’Ele para adorar e obedecer.

 

Portanto, esta profecia vai além de Davi, que foi o rei da tribo histórica de Judá, e aponta para o verdadeiro Messias, o Governante eterno. Judá foi selado como possuidor de uma realeza mais radiante e forte do que qualquer outra que tenhamos presenciado antes. Ele, que estava no lugar mais baixo da vida, teve seu nome inscrito na linhagem do Governante mais honrado que prepara o caminho para o Rei dos reis.

 

O Rei Humilde que Vem sobre um Jumento

Em meio à bênção de Judá, que possui uma realeza monumental diante da qual todas as nações adoram e obedecem, aparece um trecho um tanto peculiar. No versículo 11 do texto, aparece a frase “amarrando o seu jumentinho à vide”. Após mencionar o cetro do Rei e o bastão de comando adornado com joias brilhantes, a descrição de uma cena cotidiana de amarrar um jumento a uma videira pode parecer estranha. Para captar o verdadeiro significado, devemos examinar o contexto cultural da época.

 

Originalmente, ao contrário dos cavalos, os jumentos não eram para a guerra, mas eram um meio de transporte ou carga. No entanto, assim como os jumentos nunca faltavam ao contar as posses de Abraão e Jacó, o jumento também era um símbolo de riqueza e estabilidade naquela época. O registro de que os filhos dos juízes no Livro dos Juízes montavam jumentos mostra claramente a autoridade social e o simbolismo de abundância que o jumento possuía.

 

A figura mais familiar para nós em relação ao jumento é, sem dúvida, Jesus Cristo. Quando o jumento encontra o Messias na Bíblia, essa narrativa transcende um simples símbolo de riqueza e se converte em um significado espiritual totalmente novo. No texto, a expressão de amarrar o jumento à videira e lavar a roupa no vinho significa um estado de inexpressível e suprema abundância. Compara um estado tão pleno que o vinho é tão comum quanto a água e videiras preciosas estão por toda parte, de modo que não importa se o jumento pasta suas folhas. Isso simboliza a imagem de um Rei que pode parecer humilde por fora, mas que, na realidade, possui uma plenitude espiritual e material incalculável.

 

Quando o jumento, outrora símbolo de riqueza, encontra a profecia do Messias, seu caráter experimenta uma transformação única. A passagem que mostra mais claramente este ponto de virada é a profecia no livro de Zacarias. Zacarias 9:9–10 proclama: “Alegra-te muito, ó filha de Sião! Exulta, ó filha de Jerusalém! Eis que o teu rei virá a ti”. Este é um arauto majestoso para o Messias vindouro. A Escritura testifica que Ele é um governante justo e salvador, mas ao mesmo tempo é sumamente humilde, cavalgando sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta.

 

Esta profecia encontra seu cumprimento perfeito mais tarde através de Jesus Cristo. No passado, juízes e o rei Salomão também montavam jumentos durante suas cerimônias de entronização para mostrar sua autoridade. Portanto, embora o jumento fosse um símbolo de um cargo importante, a imagem do Rei descrita por Zacarias é de uma trajetória diferente da realeza secular. Ele é o verdadeiro Governante que concede a salvação a todo o mundo, mas não é um rei que domina possuindo tudo, mas sim um que subiu ao jumento na forma do servo mais humilde.

 

O versículo 10 seguinte define o caráter desse governo ainda mais claramente. “E de Efraim destruirei os carros, e os cavalos de Jerusalém, e os arcos de guerra serão quebrados; e falará paz às nações, e o seu domínio será de mar a mar, e desde o rio até aos confins da terra”. Este Rei é quem anula as ferramentas de violência e traz a verdadeira paz ao mundo. Através das escrituras do Antigo Testamento, os fariseus e o povo de Israel já reconheciam que este maravilhoso Rei de paz entraria humildemente cavalgando sobre um jumento.

 

É por isso que os judeus aclamaram tão fervorosamente ao presenciarem Jesus entrando em Jerusalém. Gritavam: “Hosana ao Filho de Davi!”, enquanto acenavam ramos de palmeira e estendiam suas capas pelo caminho. Aqui, ‘Hosana’ é uma súplica desesperada e um louvor que significa: “Salva-nos agora”. A razão pela qual o fervor era tão intenso que Herodes e os líderes religiosos temeram uma revolta era que estavam convencidos de que esta pessoa que entrava em um jumento era o Messias que os livraria da opressão.

 

Os valores nos quais as pessoas daquela época focavam eram a vitória, a salvação e uma entrada digna como rei. Relembrando o simbolismo de riqueza e autoridade que o jumento possuía, ansiavam que este Rei viesse, derrotasse seus inimigos e lhes concedesse liberdade política e abundância material. Infelizmente, porém, estavam ignorando uma única palavra que atravessa o núcleo da profecia. Essa palavra era ‘humilde’.

 

Mais tarde, quando Mateus cita esta passagem, ele omite intencionalmente os adjetivos ‘justo’ e ‘salvador’ e foca na expressão ‘humilde’. Isso ocorre porque a essência do Messias, que as pessoas perdem mais facilmente, encontra-se exatamente neste ponto. Frequentemente entendemos a humildade apenas como uma personalidade mansa, mas a palavra hebraica original ‘Ani’ tem uma camada muito mais profunda. Vai além da simples modéstia de atitude e significa um sofrimento existencial de ser ‘pobre’ ou ‘afligido’.

 

Este significado se alinha ao cântico do ‘Servo Sofredor’ em Isaías 53. A imagem daquele sofrimento, daquele que levou nossas enfermidades e sofreu nossas dores, é a realidade de ‘Ani’, isto é, a humildade. Em última instância, Ele subiu ao jumento não pela glória do mundo, mas para carregar a pobreza e as feridas da humanidade. A Escritura testifica solenemente que o verdadeiro Rei que veio como descendente de Judá é aquele que veio ao lugar mais baixo para caminhar pelo sendiro solitário do sofrimento, carregando nossa dor em nosso lugar.

 

O Rei que Carregou Nossa Dor e Nossas Feridas

Esta imagem do Messias era uma forma que nem Israel nem os gentios teriam podido antecipar. Que tipo de rei eles ansiavam? Como observamos antes, esperavam um poder formidável. Ansiavam por uma força esmagadora. Aclamavam com cantos de vitória, desejando um rei que terminasse de golpe com todas as carências e dificuldades enfrentadas, e desejavam que a ordem do mundo fosse subvertida através de exércitos poderosos e força.

 

A aparência dessas multidões é uma cena angustiante que mostra quanto os seres humanos podem distorcer a palavra de Deus de maneira egocêntrica, em vez de simplesmente culpar sua ignorância. Se tivessem meditado ao menos uma vez na verdadeira trajetória da palavra ‘humilde’ e no significado do ‘sofrimento’ contido nela, teriam percebido claramente que o Messias viria como um servo sofredor. A razão pela qual os estudiosos da lei, que estudaram a Bíblia toda a vida e memorizaram o Pentateuco, ignoraram a essência do Messias é clara: interpretaram a Bíblia arbitrariamente, adaptando-a estritamente às suas próprias situações e desejos.

 

O tempo de devoção dedicado a enfrentar a palavra de Deus cada dia é certamente um hábito nobre. No entanto, quando alguém começa a lê-la projetando-a apenas em sua própria situação, em vez de se refletir no espelho da Palavra, a Bíblia pode, pelo contrário, tornar-se uma ferramenta que cega nossos olhos espirituais. Isso ocorre porque escolhemos seletivamente o consolo que queremos ouvir, as respostas que ansiamos e as palavras apenas dentro do quadro de pensamento que construímos. É como o erro de uma pessoa prestes a se mudar que acredita que sua mudança é a confirmação de Deus simplesmente ao ver a viagem de Abraão. Embora o Senhor certamente guie nosso caminho, com muita frequência usamos mal a Palavra para nossos próprios fins.

 

Quando o coração está cansado e a dor é profunda, tendemos a mergulhar apenas nas palavras de consolo: “Não desanime, não tema”, em lugar de examinar nosso estado espiritual ou refletir sobre nosso ser interior diante de Deus. No entanto, a verdadeira voz de Deus pode ser um grito solene para que você olhe diretamente para si mesmo e perceba onde está parado espiritualmente, além de um suave consolo. Lamentavelmente, tendemos a aceitar o Evangelho apenas da maneira que queremos. Por isso devemos vigiar sempre estritamente para onde se dirige nosso olhar ao ouvir um sermão ou meditar na Palavra.

 

Portanto, agora devemos ouvir a assombrosa voz do Rei, que é totalmente diferente das expectativas do mundo. “Não vim para reinar liderando um exército. Vim para servi-lo, e vim para me dar inteiramente a você. Já conheço sua dor. Vejo suas almas feridas, sendo atravessadas por flechas e lanças todos os dias em ataques constantes. Por isso vim para servi-lo, para quebrar a corrente dessa dor e para conceder-lhe a verdadeira paz”, diz o Senhor.

 

O Senhor viu através da realidade de Judá, que havia experimentado o fundo no deserto da vida. O Senhor veio a esta terra precisamente por tais pessoas. Ele conhecia todas as feridas e o ciúme venenoso assentados profundamente no coração de Judá. O Senhor não é um espectador que simplesmente observa nossa dor do lado com simpatia. Ele é aquele que mergulha pessoalmente em nossas feridas e suporta essa dor em seu próprio corpo. Foi pendurado na cruz por nós, sua carne foi rasgada pelo açoite e suportou o amargo desprezo e a vergonha.

 

Considerem, por favor, as feridas que o Filho de Deus, que criou o universo, deve ter sofrido em sua alma ao ser desprezado por criaturas inferiores. É uma dor fundamental que nem sequer podemos começar a comparar com as feridas do nosso orgulho. No momento em que desmoronamos no desespero, pensando: “Ninguém jamais conhecerá meu coração”, devemos enfrentar este Cristo. Porque o Senhor não apenas conhece todas as dificuldades que experimentamos, mas Ele é aquele que já gravou essas feridas em seu próprio corpo.

 

O Messias, profetizado como o Rei mais forte e rico, tornou-se paradoxalmente aquele que melhor conhece nossas feridas ao ser ferido em seu coração. Aquele que é sumamente forte, porém ferido, que carregou pessoalmente a cruz do desprezo e da maldição, é o nosso Senhor. Embora seja raro receber uma maldição sincera de alguém na vida, Jesus carregou sozinho todas as maldições da humanidade. Como poderia tal Senhor não conhecer as pequenas feridas e dores que recebemos de outros? O Senhor é o mais forte do mundo, no entanto, compartilhou nossa dor na forma do mais fraco para estar conosco.

 

Em efeito, o forte Jesus tornou-se voluntariamente o fraco por nós. Sofreu uma vergonha inexpressável e carregou a cruz maldita, colapsando conosco e arquejando entre criminosos. Devido a que se humilhou conosco e se deitou conosco, finalmente é capaz de nos levantar de novo. A base sobre a qual este grande mistério foi possível não é simplesmente porque Ele seja o Filho de Deus.

 

As Vestes da Vida Lavadas no Sangue de Cristo

Esta misteriosa obra de redenção está profundamente relacionada com o ‘vinho’ que aparece no texto. No texto, Judá, o rei e tipo do Messias, lava suas roupas no vinho. Jacó profetiza que Judá será um dia aquele que lavará suas roupas no vinho. Embora isso simbolize principalmente a abundância esmagadora mencionada anteriormente, também contém um significado espiritual totalmente novo. O que aconteceria se você lavasse roupa branca em vinho tinto? De uma perspectiva de senso comum, pareceria não limpar a roupa, mas sim manchá-la de vermelho.

 

As Escrituras testificam eventos no mesmo contexto em muitos lugares. Para rastrear profundamente o significado deste símbolo, devemos examinar cuidadosamente Isaías 63 e Apocalipse 19, mas reservarei esse detalhe teológico para um momento posterior. Do que me dou conta ao compartilhar a Palavra é que é mais importante gravar a conclusão central em nossos corações do que ter uma exegese complexa.

 

A conclusão final à qual devemos prestar atenção está concentrada em Apocalipse 7:14. Quero que leiamos esta preciosa palavra juntos com todo o nosso coração: “Eu lhe respondi: ‘Senhor, tu o sabes’. E ele disse: ‘Estes são os que vieram da grande tribulação; eles lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro’”.

 

Surpreendentemente, este versículo registra que eles ‘lavam suas vestes no sangue’. Como o vinho e o sangue compartilham o mesmo significado espiritual é mostrado claramente no livro de Isaías. Sabemos que o evento de converter a água em vinho nas bodas de Caná também tem uma profunda orientação para o sangue de Cristo. Assim, na Bíblia, o vinho é um meio sagrado que simboliza o sangue do Cordeiro, o precioso sangue de Jesus Cristo.

 

O Senhor lavou nossas roupas com o precioso sangue que Ele pessoalmente derramou. Porque Jesus Cristo deu sua vida por nós, Ele limpou nossas vidas manchadas pelo pecado. Isso também significa que, para lavar nossas roupas, Cristo primeiro manchou suas próprias roupas com sangue fresco. O Senhor foi açoitado antes de nós, e encharcou suas vestes derramando sangue em nosso nome. A imagem do vencedor cavalgando em um cavalo branco vestindo roupas manchadas com sangue, que aparece em Apocalipse 19, mostra a culminação de tal sofrimento e sacrifício.

 

Para Judá, esta ‘veste’ simboliza sua vida passada e a trajetória que ele percorreu. Além disso, abrange a vergonha, a dor e as lembranças de sofrimento que ele experimentou. O Senhor usou pessoalmente essas roupas vergonhosas por Judá, e essas roupas nasceram de novo em pureza através do sangue do Senhor. Assim, essas roupas já não são as roupas pessoais e surradas de Judá, mas foram sublimadas nas gloriosas roupas de Jesus Cristo. Esta antiga profecia para Judá aponta finalmente de maneira perfeita para Cristo, que derramaria seu sangue por nós.

 

Uma Vida que se Tornou um Rastro de Cristo, não um Passado Apagado

Este princípio de graça se aplica por igual a nós que vivemos hoje. É porque o Senhor usou a veste da vergonha por nós e lavou nossa existência e nossas vidas com seu precioso sangue. Cristo purificou nosso passado com aquele sangue. Nossas roupas — isto é, o processo completo de nossas vidas, cada momento pelo qual passamos, inclusive os momentos vergonhosos que nem sequer queremos lembrar — o Senhor os lavou e os fez puros com seu sangue.

 

Frequentemente, quando enfrentamos a palavra: “Nossos pecados se tornaram brancos como a neve”, associamos a um estado onde todos os rastros do passado desapareceram por completo como se tivessem sido apagados com uma borracha. Mas será que a verdade ensinada pela Bíblia é realmente a eliminação completa do passado? Devemos refletir profundamente se o fato de o Senhor apagar nosso passado sem deixar rastro seria realmente a melhor graça para nós.

 

De fato, o simples apagar de nosso passado como uma lousa em branco poderia ser algo temível. O que gravaríamos naquele espaço vazio de novo? Não deixaríamos feridas mais profundas do que antes ou o encheríamos com rabiscos sem sentido? Aquele espaço vazio se encheria inevitavelmente rápido com rastros de outros pecados.

 

Frequentemente aceitamos a promessa de que “o Senhor se deita e se levanta conosco” apenas conceitualmente. No início, aquele amor chega como uma emoção, mas com o tempo, torna-se monótono na repetição da vida diária. No entanto, o fato de o Senhor estar conosco transcende o significado de simplesmente ficar ao nosso lado. Significa que cada momento que nos deitamos e nos levantamos, cada momento de vergonha, dor e feridas que devemos experimentar, o Senhor está sendo atravessado enquanto os carrega em seu lugar. Mesmo quando somos tolos e vagamos, o Senhor está chorando conosco, carregando pessoalmente aquelas faltas.

 

Por que deve o Senhor suportar silenciosamente um processo tão doloroso? É precisamente para nos levantar de novo. Para nos deixar caminhar de novo e desfrutar da vida verdadeira, Ele grava até os rastros de nossas feridas em seu próprio coração. O Senhor não para em simplesmente lavar nossas vidas; Ele pretende usá-las diretamente sobre seu corpo. Os conflitos com os pais, o ressentimento da ira profundamente enraizada e a dor que se afundou sem ser falada com ninguém — o Senhor não os ignora. O Senhor conhece todas aquelas feridas que nós mesmos abandonamos porque não pudemos encontrar uma pista para a solução.

 

Frequentemente vivemos um dia misturado com suspiros, trocando dor com outros enquanto até esquecemos a fonte da ferida. No entanto, o Senhor não descarta tudo isso como se nunca tivesse acontecido. Como a tarefa de lavar a roupa, Ele traz aquelas lembranças diante da Cruz e as toca uma por uma. Através dos rastros daquelas feridas, Ele antes nos permite experimentar Jesus Cristo profundamente e nos faz perceber quão preciosos somos. Ele confirma o amor incalculável de por que Deus carregou a Cruz por nós e nos permite lutar e ganhar contra o pecado. Em última instância, nossas vidas feridas não são apagadas, mas são sublimadas em rastros sagrados que formam a imagem de Jesucristo.

 

Aquele que Veste uma Veste de Linho Fino com o Rastro de Jesus

A veste de linho fino que usaremos no futuro não é simplesmente uma veste branca que está limpa e sem mancha. Aquela veste é uma gravada com os rastros sagrados de Jesus Cristo. É uma veste cheia da vitória e das lágrimas de Cristo, os numerosos eventos da Cruz que Ele suportou por nós e a assombrosa graça de lavar nossas vidas com aquele sangue. Isso se alinha com a magnífica proclamação do apóstolo Paulo: “Daqui em diante, ninguém me cause problemas, pois trago em meu corpo as marcas de Jesus”.

 

A roupa que você está vestindo é a roupa de Cristo, muito mais honrosa do que você pode imaginar. Aquela roupa, gravada com os rastros de Cristo, protege você hoje dos ataques de Satanás e das tentações do pecado e está lutando ferozmente por você. Mesmo nos momentos solitários quando o mundo lança torrões de lama em você, derrama desprezo e zombaria, e ninguém parece reconhecer sua existência, o Senhor diz: “Você nunca é tal existência. Você é meu, e eu me tornei seu rastro e veste, vivendo sua vida junto com você”. É porque Deus lavou nossos trapos sujos com a sangue de Jesus e nos vestiu de novo com a gloriosa veste do Senhor.

 

É por isso que o Senhor nos diz: “Pelas suas feridas fomos curados (Pelo seu castigo temos paz)”. Não fique apenas no fato doutrinário de que o Senhor morreu por mim. Lembre-se de todos os fragmentos de dor — os momentos de lágrimas que você derramou em segredo hoje, as vezes que perdeu o sono devido à ansiedade e os momentos em que esteve ansioso ante a ameaça da doença. O Senhor caminhou pessoalmente pelo sendiro do sofrimento para purificar todos esses fragmentos de dor com seu sangue, e através desse sacrifício, nos concedeu a verdadeira paz.

 

Meu corpo será atravessado, minha roupa será dividida e meu sangue fluirá por você. Portanto, você viverá”. Esta é a promessa inalterável do Senhor para nós. As lanças e espadas do mundo que tentaram nos atravessar se quebrarão contra os rastros de Jesus gravados em nossas almas. Os exércitos das trevas que nos perseguiram perecerão finalmente. Satanás nunca pode nos fazer render ou nos quebrar, e nenhum poder do pecado pode nos condenar. É porque o Senhor mesmo se tornou nossa veste e escudo e nos purificou com seu sangue.

 

Esta é a coisa grande e misteriosa que o Rei dos reis fez por todos e cada um de vocês.

 

Uma Comunidade de Amor que se Deita e se Levanta com Cristo

Portanto, nem seu passado, nem seu presente, nem mesmo o futuro vindouro podem condená-lo ou julgá-lo jamais. Nenhuma ferida, nem as cicatrizes do fracasso que parecem unicamente grandes aos seus olhos, podem definir seu valor. É porque os critérios para julgá-lo em Cristo Jesus não podem ser a trajetória dos anos passados ou as conquistas do mundo. Você é o objeto do amor extremo de Deus, sua imagem e herança, e o único orgulho de Deus. O Senhor lhe diz: “Você é meu amor e minha imagem. Encontro a beleza que se parece comigo em sua aparência”. Deus o chama como seu filho e confirma que sua própria existência é seu gozo e orgulho.

 

Por Judá, que não tinha nada e estava quebrado após perder tudo, Jesus levantou-se junto a ele. Embora Ele seja o rico que possui todas as coisas como o Rei dos reis, veio voluntariamente ao lugar mais baixo por nós. É para nos dar gratuitamente tudo o que Ele tem. Lembre-se, o Senhor até deu sua vida por nós. Você está confessando verdadeiramente quão incalculável mistério é a graça que recebemos? Se alguém prometesse dedicar seu tempo, juventude e toda a sua vida por mim, seria um amor inexpressável em si mesmo. No entanto, o Senhor nos deu não apenas sua vida, mas até a última gota de sangue, a paz justa que alcançou por nós e até o último verso de louvor. Assim, devemos louvar ao Senhor por direito. Devemos ouvir aquela voz. Ante aquele amor avassalador, como não poderíamos amar ao Senhor?

 

O Senhor se tornou o fraco voluntariamente por nós. E agora nos chama ao lugar dos fracos que estão com Cristo. É porque aquele lugar é onde o Senhor nos amou. Nós também desejamos participar voluntariamente daquele lugar de humilhação (kenosis) porque amamos ao Senhor. Assim como o Senhor tocou nossas feridas e empatizou profundamente conosco, nós também queremos ir àquele lugar para abraçar e compreender as feridas de outros. Estando no lugar do perdão onde o Senhor cobriu nossas faltas, nós também queremos seguir aquele sendiro de amor perdoando nossos próximos.

 

Em nossa visão, as faltas do mundo para serem julgadas se refletem com clareza excessiva. Estamos acostumados a julgar os outros, acreditando sermos bastante brilhantes. Somos pessoas capazes, o suficiente para construir uma vida maravilhosamente inclusive nesta terra estrangeira distante após deixar nossa pátria. No entanto, o lugar ao qual o Senhor nos convidou não é o topo do mundo, mas o lugar de ajoelhar-se com Cristo e lavar os pés cansados de outros. Como você responderá a este santo chamado? Se esse caminho se sente oneroso, confesse honestamente ao Senhor: “Senhor, minhas forças não são suficientes”. Então o Senhor governará mais uma vez seu coração com sua palavra. Se esta palavra é crida como verdade, é a voz sutil do Espírito Santo que reside dentro de você.

 

Portanto, agora devemos nos sentar com Jesus e envolver uma toalha em nossa cintura com Jesus. Devemos tocar os pés fracos de outros junto com o Senhor. Devemos empatizar profundamente com a dor e a dificuldade de outros e não esquecer que estamos parados no lugar de servi-los. Mesmo que não seja uma grande conquista, uma palavra calorosa entregue a um próximo cansado será seu precioso ministério. Além disso, olhar para si mesmo com honra diante do Senhor, vestindo a nobre veste de linho fino lavada pelo sangue de Jesus Cristo, é o verdadeiro começo de uma vida seguindo ao Senhor.

 

Queridos santos, quem são vocês? Somos os que nos deitamos com o Senhor e nos levantamos com o Senhor. Somos os que recebemos um amor incalculável. E agora, somos o povo de Cristo que vive se amando fervorosamente uns aos outros dentro daquela glória inenarrável.

 

Oremos

Santo Senhor, Tu usaste a veste surrada da vida dele por Judá. Tu também usaste pessoalmente a veste da minha vida cansada por mim. Senhor, lembro-me das lembranças dolorosas do passado. Lembro-me dos momentos em que cuspi palavras duras enquanto brigava com um amigo, e das lembranças amargas das palavras de feridas que aquele amigo plantou em meu coração e que nunca pude esquecer. Senhor, faze-nos compreender plenamente que lavaste inclusive aqueles momentos dolorosos com teu sangue. Lembro-me dos tempos de dor quando observava o sofrimento dos meus pais do lado e gemia junto a eles. Tu ainda conheces todos aqueles fragmentos do passado que quero apagar agora mesmo.

 

Mas agora, aquele passado já não é a dor aguda de antes. Confesso por fé que as feridas passadas não determinam minha vida, mas que o sangue de Jesus Cristo lavou minha vida de novo. Agora, deixa que aquelas lembranças dolorosas se tornem antes um canal de graça para me aproximar do Senhor, deixa-nos amar ao Senhor mais profundamente e deixa-nos saber que nos chamaste para uma missão preciosa para abraçar e amar aqueles que experimentam a mesma dor. Senhor, sê nosso grande Curador. Creio que todos os momentos do passado, a vida do presente e inclusive as provações que enfrentaremos no futuro se tornaram puros dentro do sangue de Cristo. Deixa-nos tocar os rastros de Jesus claramente gravados em nossas vidas com a mão da fé e dar graças verdadeiras. Agradeço-te verdadeiramente por tocar os tempos teimosos em que eu só podia ver minha própria dor e sublimá-los em teus rastros sagrados.

 

No nome de Jesus Cristo, que é a verdadeira veste das nossas vidas, oramos. Amém.

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