A Palavra de Deus: Gênesis 37:29–36

 

“Quando Rúben voltou à cisterna e viu que José não estava lá, rasgou suas vestes. Voltou para os seus irmãos e disse: ‘O menino sumiu! E eu, para onde irei?’ Então eles pegaram a túnica de José, mataram um bode e molharam a túnica no sangue. Enviaram a túnica colorida e a levaram ao seu pai, dizendo: ‘Encontramos isto. Veja se é a túnica de seu filho ou não.’ Ele a reconheceu e disse: ‘É a túnica de meu filho! Alguma besta-fera o devorou. Certamente José foi despedaçado.’ Então Jacó rasgou suas vestes, pôs pano de saco sobre os lombos e lamentou seu filho por muitos dias. Todos os seus filhos e todas as suas filhas se levantaram para o consolar, mas ele recusou ser consolado. E disse: ‘Descerei enlutado a meu filho, até o Sheol.’ Assim o seu pai chorou por ele. Os midianitas, por sua vez, venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda.” Amém.

 

O Sonho de José e a Tempestade da Vida

A parte final de Gênesis, capítulo 37, conta a história de como o sonho de José foi desfeito.

 

José teve um sonho, mas sobre ele se abateu a tempestade de sua vida — talvez a pior que ele jamais enfrentaria. E nessa tempestade, seu sonho foi frustrado. Em vez de se tornar um rei, ele foi vendido como escravo, como servo. Ele sonhou um sonho de realeza, mas a realidade foi a queda na escravidão.

 

O fato mais lamentável é que a tempestade que ele enfrentou começou em sua própria família. Das pessoas mais próximas, ele recebeu a mais difícil tempestade da vida. Para ser mais verdadeiro, a causa talvez estivesse também nele mesmo.

 

E quanto a nós, irmãos? Imaginávamos que nossa vida seria como a de José: banhada pelo amor de nosso pai, vestida com as melhores roupas, triunfando em meio a grande afeição. Contudo, a vida dele não seguiu esse curso. Quanto mais vivemos, mais nos perguntamos: ‘O que é que realmente sabemos?’ A vida é, de fato, como um vaso frágil que se quebra com facilidade.

 

Mesmo em tempos de paz, podemos ser repentinamente atingidos por uma doença inesperada, ou um ente querido pode partir subitamente. Podemos enfrentar crises no casamento. Há aqueles que sofrem abusos que não podem contar a ninguém e, por isso, carregam feridas profundas na alma, vivendo a vida com grande dificuldade.

 

Os jovens e os que ainda trabalham almejam melhores carreiras e empregos, mas sofrem quando isso não se concretiza. Os planos e ambições que traçamos fracassam, e somos derrotados. Toda vez que encontramos uma tempestade na vida — seja grande ou pequena —, somos facilmente abalados, virados de cabeça para baixo e, como José hoje, quebrados.

 

Algumas tempestades são tão cruéis que nos fazem pensar: ‘Será que isso pode ser restaurado algum dia?’, e nos encontramos em momentos de grande sofrimento.

 

O sonho de José encontrou uma tempestade de vida igualmente cruel e, no fim, foi quebrado.

 

A Traição dos Irmãos e o Engano a Jacó - A Conspiração Contra o Sonhador

A história do sonhador que encontrou aqueles que quebrariam seu sonho está registrada em Gênesis 37:18, da seguinte maneira:

 

Quando José se aproximava deles, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar.”

 

Antes mesmo que José se aproximasse, eles o viram de longe e já estavam planejando matá-lo.

 

Disseram uns aos outros: ‘Lá vem o sonhador! Venham agora, vamos matá-lo e jogá-lo numa dessas cisternas, e diremos: Uma besta-fera o devorou. E veremos o que será dos seus sonhos.’”

 

Estes eram, nada mais nada menos, que os irmãos de José. Os dez, excluindo Benjamim e José, estavam tramando uma conspiração. O plano deles era matar José e, no final, eles sustentaram a mentira de que ele havia sido “devorado por uma besta”, conforme o plano original.

 

As Ações de Rúben e Judá

Como vocês sabem, Rúben propôs que o salvassem e que não o matassem. No entanto, embora Rúben tenha dito essas palavras, como primogênito e o mais velho, ele não fez nada para salvar José nem tomou nenhuma atitude prática. Em vez disso, ausentou-se sem motivo. Quando voltou, José já havia desaparecido.

 

Nesse meio-tempo, Judá interveio e disse:

 

Que proveito teremos em matar o nosso irmão e encobrir o seu sangue? Venham, vendamo-lo aos ismaelitas, e que a nossa mão não se levante contra ele, pois ele é nosso irmão, nossa própria carne.”

 

A todos os outros irmãos pareceu bem essa ideia. De fato, quanto mais ouvimos essa história, mais nos perguntamos: ‘Será que isso é possível?’, mas como ninguém mais se opôs, eles venderam José.

 

Depois de venderem José, Rúben voltou e ficou espantado. Pode parecer que Rúben se importava e amava José, mas na verdade, não era por José. Era por sua própria causa.

 

O relacionamento de Rúben com seu pai era muito ruim. Ele temia o que seria do seu futuro se fosse repreendido pelo pai por causa desse incidente. Ele cometeu um erro quando Raquel morreu, porque queria toda a herança de seu pai, e em Siquém, foi um dos quatro filhos que lideraram a matança do povo. Jacó não tinha visto essas ações com bons olhos. Parece que ele estava com muito medo de enfrentar algo semelhante.

 

O Engano Contra o Pai Jacó

Mas, no final, eles venderam José como escravo e, para enganar o pai, levaram-lhe a túnica ensanguentada, com a mentira de que uma fera o havia devorado. Esta é a história de Jacó, mas não há pontos surpreendentemente semelhantes com o seu passado? O que Jacó fez para obter a primogenitura? Matou um animal, cobriu-se com a pele peluda e enganou seu pai.

 

A Dor de Jacó e a Recusa ao Consolo

A Profunda Angústia de Jacó

Talvez pensemos: “É o castigo, está colhendo o que plantou. Não se deve viver usando truques astutos.” Contudo, do ponto de vista de Jacó, se ele se lembrasse daquele fato, seu coração deve ter se sentido como se o céu estivesse desabando.

 

Por que isso aconteceu justamente no lugar para onde enviei José?” Jacó reconheceu a túnica de José de imediato. E sua manifestação de luto foi, como sabemos, rasgar suas vestes em sinal de luto. Esta é uma das atitudes tomadas em choque ou tristeza. Mas a história continua dizendo que seus filhos tentaram consolar o pai, mas o pai recusou-se a receber consolo.

 

Também está escrito que Raquel recusou-se a ser consolada ao dar à luz Benjamim, seu último filho. Uma situação semelhante ocorreu aqui. E chorando amargamente, ele diz: “Descerei enlutado a meu filho, até o Sheol.”

 

A palavra Sheol (Seol) significa sepultura, ou a morte. No Novo Testamento, às vezes é traduzida como Geena (inferno), mas no Antigo Testamento, usa-se a palavra Sheol, que significa o lugar profundo, o túmulo, ou a morte. Ele diz que irá para lá. O significado é: “Até a morte, irei junto com meu filho.”

 

No entanto, se essa fosse uma responsabilidade paterna, ele teria aceitado o consolo de seus irmãos. Mas ele rejeita todo o consolo de seus filhos, dizendo: “Eu só quero morrer.” De qualquer forma que se olhe, vemos em Jacó uma reação que é difícil considerar uma reação de fé.

 

O Motivo da Recusa ao Consolo: Ignorar a Verdade

Jacó se tornou, por fim, alguém que rejeitou o consolo. Mas por que ele o rejeitou e por que se tornou incapaz de ser consolado? Talvez seus filhos o tenham abordado dizendo: “Pai, José é o seu único filho? Não se preocupe tanto.” Mas o texto diz que ele não quis ouvir consolo algum.

 

No entanto, para que ele pudesse receber o verdadeiro consolo, seus filhos não deveriam ter se aproximado dessa maneira. O consolo dos filhos era claramente falso, porque eles não contaram a verdade. O verdadeiro consolo deve começar por falar a verdade. Sob esse ponto de vista, os filhos também estavam ignorando a verdade.

 

Além disso, Jacó também não estava olhando para si mesmo com sinceridade. Ele não examinou em nada o tipo de relacionamento que tinha com seus filhos, o significado de suas ações diante da suposta morte de José, e com que coração estava recebendo essa dor. Ele estava completamente imerso em suas próprias emoções.

 

Nem os filhos, mentindo, se examinavam, nem Jacó se examinava a si mesmo. Todos eles estavam ignorando a verdade.

 

Repito: O verdadeiro consolo começa confrontando a verdade. Quando ficamos doentes, antigamente no sentimento coreano, havia muito o ditado: “Esconda a doença da criança. Pode ser um choque e ela pode sofrer mais.” Mas isso é algo que deve ser julgado com sabedoria, dependendo do tempo e da situação. Às vezes é preciso adiar, e às vezes é melhor falar rapidamente.

 

Mas, no final, é preciso enfrentar a verdade. No entanto, Jacó não pôde enfrentar essa verdade até que finalmente se encontrasse com José novamente.

 

Coragem para a Verdade: ‘Quem Sou Eu?’ - A Lição da História de Jean Valjean

Vocês conhecem o famoso personagem, Jean Valjean. Eu, quando criança, nunca li o romance Os Miseráveis, mas li o livro de contos infantis com o título "Jean Valjean."

 

A história de Jean Valjean sempre foi lembrada como a de um homem injustiçado — preso por cinco anos por roubar um pão, que tentou escapar quatro vezes, acabando por ser preso por 19 anos.

 

Ao sair da prisão, ele não conseguia se ajustar ao mundo até que, um dia, entrou numa catedral e roubou a prata. Mas o sacerdote lhe disse: “Está tudo bem. Leve e comece uma vida nova.” Comovido por essas palavras, ele começou uma nova vida.

 

Eu pensei que ali terminava a história. Achei que “Jean Valjean” acabava ali. Mas eu não soube que aquilo era o início da história até assistir ao musical Os Miseráveis. Como foi mostrado no filme, aquilo era apenas o ponto de partida.

 

A história que se segue começa com ele escondendo sua identidade. Mais tarde, ele muda seu nome para “Madeleine” e se torna prefeito de uma cidade. No entanto, há um detetive que o persegue implacavelmente. O detetive suspeita: “Por mais que eu olhe, aquele homem é Jean Valjean.”

 

Nesse momento, o tribunal envia um aviso: “Capturamos Jean Valjean.” Mas o verdadeiro Jean Valjean estava ali ao lado. Enquanto o detetive se dirige ao tribunal, Jean Valjean começa a se debater com um dilema.

 

Eu sei perfeitamente que aquele homem é um impostor. Devo declarar a verdade? Se o fizesse, tudo o que havia construído desmoronaria. Mas se não o fizesse, alguém inocente poderia ser levado ao patíbulo em seu lugar. Angustiado, ele finalmente se dirige ao tribunal.

 

A Canção da Confissão

Lá, ele canta a famosa canção, “Who Am I?” (Quem Sou Eu?).

 

My soul belongs to God, I know — Minha alma pertence a Deus, eu sei; I made that bargain long ago — Fiz esse acordo há muito tempo. He gave me hope when hope was gone — Ele me deu esperança quando a esperança tinha ido embora; He gave me strength to journey on — Ele me deu força para continuar a jornada. Who am I? Who am I? — Quem sou eu? Quem sou eu? I'm Jean Valjean — Eu sou Jean Valjean. That man bears no more guilt than you — Aquele homem não carrega mais culpa do que você. Who am I? 24601! — Quem sou eu? 24601!

 

Eu sou 24601, que não tem sequer o direito a um nome.” O que é 24601? É o seu número de prisioneiro. “Eu sou aquele prisioneiro.”

 

Neste trecho, a canção atinge a nota mais alta. O tenor clama:

 

Eu sou Dois Quatro Seis Zero Um (24601), indigno até do meu próprio nome!”

 

Para corrigir tudo, era necessária a verdade, e essa verdade exigia coragem.

 

A Importância da Consciência de Pertencimento a Deus

E o ponto em que a verdade se torna importante é que, como exemplificado pelo caso de Jean Valjean, não se trata apenas de dizer os fatos, mas sim de que a consciência ‘Como eu sou de Deus, não posso enganar a mim mesmo, nem posso enganar a Deus’ era extremamente crucial.

 

Jacó não tinha isso. Seus filhos também não. Eles não entendiam que, por pertencerem a Deus, deveriam olhar para si mesmos com sinceridade, e que ‘Como eu sou de Deus, não posso esconder esta verdade.’ Em vez disso, eles só pensavam: ‘Vou salvar a mim mesmo porque sou meu.’ Os filhos eram ainda mais extremos: pensavam: ‘Preciso esconder este fato para sobreviver neste mundo.’ Porque eles se consideravam sua própria propriedade.

 

Mas quando se chega a saber que a vida pertence a Deus, a partir desse momento, se é a verdade, podemos falar a verdade. Porque esta vida não é minha, mas de Deus, e o que é de Deus não é motivo de vergonha. Meus fracassos, minhas frustrações, meus desejos, toda a minha dor e tristeza, não me envergonham mais. Porque eu sou de Deus. É verdade que pode haver erros para me arrepender e dívidas a pagar, mas estou no Senhor. Eu sou do Senhor.

 

Por isso ele diz: “Dois Quatro Seis Zero Um.”

 

Qual é o seu nome? Quem é você? Até que ponto você é honesto consigo mesmo?

 

O Verdadeiro Reconhecimento da Condição de Pecador

Todos dizemos que somos pecadores. Eu também confesso que sou uma pessoa cheia de pecados. Mas quando vocês confessam ser pecadores, derramando lágrimas diante de Deus, o que acontece se a pessoa ao seu lado disser: “É verdade, você é um pecador”? Vocês se levantam imediatamente.

 

O quê? Quem é você para me chamar de pecador?”

 

Irmãos, até que ponto reconhecemos que somos pecadores? Vocês reconhecem que são pecadores a ponto de não conseguirem suportar um ataque com essa verdade?

 

Quando vocês dizem a Deus: “Eu sou um pecador que se arrependeu de tudo,” será que na verdade não estão dizendo: “Deus, eu estou bem, não estou? Eu sou quem se arrependeu. Aquele ali ainda não o fez”?

 

É somente quando nos permitimos que “quem eu sou seja mostrado” que podemos entender com mais clareza qual é a graça e o amor de Deus para conosco.

 

Até que ponto Ele me amou? Até o lugar onde não tenho nome, apenas um número, até a prisão, até a vida de um condenado, até o fundo de tudo o que é considerado nada — Quem desceu até lá?

 

Portanto, precisamos nos encontrar conosco mesmos. Como pode alguém que não se encontrou consigo mesmo encontrar-se com Deus?

 

Irmãos, por isso Jacó não pôde receber consolo. Porque naquele momento, ele não estava mostrando a postura e a vida necessárias para se aproximar de Deus e confrontar sua própria realidade.

 

Restauração da Confiança e Esperança em Deus - O Motivo Pelo Qual Podemos Confiar em Deus

Mas mesmo assim, mesmo reconhecendo isso — e sim, pode haver injustiça. Como eu poderia saber de tudo se meus filhos me enganaram? — No entanto, Jacó, e nós, podemos recuperar o consolo e a esperança da mesma forma.

 

Por quê? Porque mesmo que não saibamos os fatos, mesmo que não compreendamos tudo, podemos sempre confiar em Deus.

 

Como disse o pastor Calvino: Vocês preferem andar por um caminho escuro, sem ver nada, segurando uma lanterna e procurando o caminho na floresta com suas próprias forças?

 

Ou preferem a mão de Deus? Querem que Deus segure suas mãos e caminhe com vocês por essa floresta?

 

A Escolha de Jacó e a Nossa Escolha

De fato, a história de Jó e de muitos crentes na Bíblia sempre abordam essa questão.

 

Você quer entender e saber de tudo, e iluminar o caminho da sua vida com sua própria força?

 

Ou, naqueles momentos em que o caminho não é visível, em que tudo está escuro, em que você nem sabe o que deve fazer—

 

Deus, não me dês apenas uma lanterna para iluminar a frente, mas segura minha mão. E vai na frente; eu te seguirei.”

 

Onde você está?

 

Sabemos que Jacó escolheu um caminho muito diferente. Ele não segurou a mão de Deus, mas disse: “Descerei ao Sheol, eu quero morrer.” Pelo resto de sua vida, ele rejeitou o consolo, dizendo, na verdade: “Deixem-me ficar na minha emoção, diante desta morte, na dor do meu filho.”

 

Esperança no Coração Quebrantado

Irmãos, na verdade, é difícil para qualquer um criticar Jacó. A tristeza é muito real, e é uma emoção que temos que levar a sério. Não há nada mais doloroso para uma pessoa com o coração partido do que ouvir: “Ah, já passou. Está tudo bem, levante-se.” Dizer a um crente que está em grande dor e sofrimento: “Você não consegue vencer isso? Você tem que se levantar pela fé,” pode ser o que o faz desabar ainda mais.

 

Se você e eu quisermos dar tal conselho, precisamos ter empatia com aquela dor e tristeza. É claro que devemos sentir essa dor e tristeza com um coração sincero, e ter compaixão e amor.

 

Mas, ao mesmo tempo, não podemos ficar presos apenas no coração quebrantado. Porque se não houver esperança nesse coração quebrantado, isso se torna, no final, o Sheol (a morte). Isso é a morte. Se o amor do Senhor e Sua graça estiverem ausentes desse coração quebrantado, não há caminho de volta.

 

Isso se aplica não apenas à morte, mas a qualquer situação. Mesmo nos momentos de fracasso nos negócios, quando você se ataca, se frustra e se aflige incessantemente, pensando: “Por que alguém como eu faria isso?”, você deve retornar à verdade: Minha esperança está em Deus. Eu não estou apenas aqui, despojado e reduzido a nada; eu tenho Deus. Isso é o que o levanta. Como poderíamos perder isso de vista?

 

O Lugar Onde Deus Está Perto

É por isso que o Senhor também diz: “O coração de Deus está perto dos que têm o coração quebrantado.” Lendo o Salmo 34, está escrito exatamente: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado.” Ah, que linguagem doce!

 

O coração de Deus não está em conceder todos os seus pedidos de oração simplesmente porque você está alegre e feliz.

 

Senhor, por favor, tira as minhas preocupações. Não me deixes ficar triste. Que eu esteja sempre cheio de amor. Que eu esteja sempre confortável.”

 

Não são estas as nossas petições? Se for assim, então será difícil se aproximar de Deus. Nossas orações não devem ser assim.

 

Senhor, sabemos que nesta vida sempre experimentaremos dor. A raiz disso é, claro, o nosso abandono de Ti, e mais de perto, muito vem de nossa ganância, de nosso orgulho e de nossa autoestima. Mas, apesar de tudo, eu me agarro àquilo que não pode ser apagado, que não pode ser limpo: o nome de Jesus Cristo, a Sua cruz, o amor de Deus, Senhor, eu me apego a isso. Desejo caminhar e viver Contigo, que estás presente comigo em tudo.”

 

O Senhor está perto do seu coração quebrantado.

 

Jacó está falando de viver o resto de sua vida no túmulo. Ele está escolhendo o desespero em vez da esperança. Mais precisamente, ele está escolhendo suas próprias emoções ou a si mesmo em vez de Deus. Em termos do Novo Testamento, ele está escolhendo não se afastar do túmulo cheio de tristeza, em vez de abraçar o túmulo vazio da Ressurreição.

 

A Felicidade de Conhecer a Deus, Não de Entender

Irmãos, Jacó pode não ter entendido toda a situação. Ele simplesmente estava lutando com a realidade visível. Isso não acontece conosco também?

 

Vocês compreendem a sua vida e o que vai acontecer amanhã? Vocês sabem? Não, não sabem.

 

Estamos lançados em um mundo onde não sabemos de nada. Nesta vida inexplicável, o que é que você deseja?

 

Você quer um jornal que diga: “Isto é o que vai acontecer amanhã de manhã?” Você quer que um jornal mostrando todos os eventos de amanhã chegue à sua casa todas as noites? Você realmente acha que sua vida mudaria e que você poderia vivê-la bem?

 

Se você soubesse tudo o que está por vir, está realmente certo de que poderia tornar sua vida bonita? Se o seu conhecimento e habilidade fossem tão grandes que você pudesse compreender e entender tudo o que ouve e sabe, e se viesse a conhecer todos os eventos da vida, está realmente certo de que seria feliz?

 

A resposta da Bíblia é muito clara: Você não é feliz por saber de tudo, mas por conhecer a Deus.

 

O fato de que o Deus que caminhará comigo amanhã, o Deus que não solta a minha vida, está comigo — isso é o que me torna abençoado. Se você soubesse tudo o que vai acontecer amanhã, provavelmente seria ainda mais infeliz. Porque também não poderia evitar o que está por vir.

 

O que devemos fazer? Mas se você segurar a mão de Deus, o Senhor, como prometeu, certamente o guiará com justiça e paz.

 

A Fé Esquecida: Isaque e Jeová Jireh

Irmãos, nós conhecemos esta verdade muito bem. No entanto, em vez de buscar a Deus, nós buscamos a nós mesmos.

 

Jacó era o mesmo. Ele deve ter ouvido a história de como Isaque quase morreu, mas foi salvo, mas parece que ele não se lembra disso de forma alguma. Mais recentemente, ele se esqueceu até da história do perigo em Siquém, onde sua família foi protegida por Deus.

 

Ele viu o sangue do cabrito. Não estava o sangue do cabrito na túnica? Embora ele pensasse que era o sangue de José, ele se esqueceu completamente do Jeová Jireh de Abraão e Isaque, que sacrificaram um carneiro. Ele não pensou no seu avô Abraão e no seu pai Isaque, que subiram a montanha crendo na profunda sabedoria de Deus e que Deus proveria para eles. Seu interesse estava fixo apenas no sonho quebrado e em José, o sonhador. Por isso, ele via apenas a morte.

 

Eu realmente quero perguntar a Jacó:

 

Se estivéssemos lá, segurando Jacó, teríamos perguntado: ‘Jacó, o que você quer dizer com isso? O que significa dizer que você quer descer ao Sheol com seu filho, que quer morrer com ele? Onde está o Deus vivo na sua vida?’”

 

E quanto a você? Onde está o Deus vivo, o Deus que ainda age hoje, na sua vida? Com o que você está se preocupando? O que o enfraqueceu, e o que está causando seu sofrimento?

 

O Pai Deus Que Entregou Seu Filho - O Pai Que Conhece a Tristeza

Portanto, creio que devemos lembrar de outro Pai além de Jacó. Jacó chorou pela morte de seu filho e talvez fosse um pai amoroso, mas ele também se tornou um pai que causou tanta perda nas vidas que nos foram dadas.

 

Mas há outro Pai. Temos um Pai que conhece a tristeza mais profundamente do que a nossa própria tristeza. Este Pai é Aquele que perdeu Seu Filho, que experimentou a perda. Portanto, Ele é um Pai que pode ajudar aqueles que perderam um filho. Temos o Pai que entregou Seu Filho na cruz, um Pai que cura os de coração partido e enfaixa suas feridas.

 

Aquele Que Veio Conosco Para a Morte

Além disso, como vimos, ao percorrer o caminho da morte, Jacó declarou por conta própria: “Eu descerei ao Sheol (morte),” mas, na verdade, Jacó não pôde nem foi junto.

 

No entanto, sabemos que Aquele que realmente percorreu esse caminho de morte conosco é o nosso Pai.

 

O Salmo 23 também nos testemunha isso:

 

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”

 

Esta foi a promessa do Senhor. Ele não só venceu a morte com Sua autoridade e Seu amor, mas com Sua graça e Seu coração ardente, Ele também entrou na morte conosco. Este é o Jesus Cristo que conhecemos.

 

A Festa da Mesa Eterna

Irmãos, eu amo o fato de que o Salmo 23 não termina no vale da sombra da morte. O Salmo continua declarando que Deus preparará uma mesa para ti.

 

Quando li a Bíblia em coreano pela primeira vez, sem ver a versão em caracteres chineses, ao ler a frase “Preparas uma mesa” (sang eul bepusi-go), pensei que se referia a um “prêmio” (sang), como um prêmio de assiduidade, e não a uma mesa de refeição. Pensei: “Uau, o Senhor está dando uma recompensa!” Mas descobri que era preparar uma mesa para a refeição.

 

Imaginem Deus preparando comida para vocês, arrumando a mesa e convidando-os a compartilhar a refeição com Ele. Acho difícil imaginar. Meu pai nunca entrou na cozinha, então eu mesmo não consigo visualizar facilmente. Eu respeitava muito meu pai e, seguindo-o, pensava: “Entrar na cozinha não é trabalho de homem.”

 

Mas considerem isto: Deus, nosso Pai, está vestindo um avental, preparando pessoalmente toda a comida, a melhor, a mais nutritiva, a mais vital, e põe essa mesa para vocês. Ele unge suas cabeças com óleo e compartilha uma taça convosco. Essa taça é a taça eterna, e essa taça é o amor eterno de Deus.

 

Certamente a bondade e o amor me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.” (Salmo 23:6)

 

Não é surpreendente? Ah, se Jacó tivesse clamado a este Deus, se Jacó tivesse invocado a este Deus apenas uma vez, como teria sido diferente a sua tristeza e a sua vida! Mas ele não tinha esperança; ele só pensava na morte.

 

A Confissão de Billy Graham

As palavras que o conhecido Pastor Billy Graham proferiu antes de morrer se tornaram famosas após o seu falecimento. A declaração que ele deixou à imprensa, quando a sua morte se aproximava, foi amplamente divulgada. Vou ler o conteúdo novamente.

 

Amigos, algum dia vocês lerão ou ouvirão que Billy Graham morreu. Não acreditem em uma só palavra. Estarei mais vivo do que estou agora. Apenas terei mudado meu endereço de Manhattan para o Céu.”

 

Como sabemos, figuras que lideraram grandes cruzadas e movimentos evangélicos trouxeram muito benefício para a igreja, mas também tiveram fraquezas em certas áreas, pode-se pensar. Não se pode afirmar que suas mega-campanades tenham trazido apenas benefícios para a igreja em todos os aspectos, e pode ter havido partes de sua postura teológica ou ensinamentos que nem sempre estiveram o mais próximo possível das Escrituras.

 

Mas esta confissão não é profundamente clara? Ele conhecia a Deus e confessou claramente que estaria com esse Deus. “Não acreditem em uma só palavra. Estou mais vivo do que estou agora.” Que declaração incrível!

 

Da Desesperança à Salvação: A Grande Reversão na História de José - O Início do Sonho Quebrado

A grande reversão no texto de hoje é exatamente essa história. Deus não simplesmente apaga a história de José, mas insere este versículo pouco antes da continuação da história de Judá no próximo capítulo:

 

Os midianitas, por sua vez, venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda.” (Referência ao final de 37:36)

 

José não morreu. José não morreu. A história de José não é como a de Jean Valjean, onde ele “se emendou e viveu diligentemente para sempre.” Não termina com "ele foi vendido." Isto é o começo. Este é o início. Ele não morreu. “Agora Minha obra está começando, e Minha obra para salvá-los está prestes a começar.”

 

Pensávamos que este sonho quebrado seria completamente destruído e desapareceria, mas o que Deus fará através desse sonho desfeito? Deus realizará a vossa salvação. Não é espantoso? Este é Deus. Por isso, não podemos deixar de nos maravilhar.

 

A Vestimenta da Desesperança Torna-se a Vestimenta da Salvação

Irmãos, Jacó perdeu tudo por causa da morte de José. Seu sonho foi quebrado, ele perdeu a esperança e sua fé estava tão enfraquecida que quase a perdeu completamente.

 

A túnica manchada com o sangue de José era a própria desesperança para Jacó. Mas para o Pai celestial que conhecemos, esta túnica ensanguentada se tornou a Vestimenta de Cristo que salvaria os outros filhos.

 

Era a única prova do pecado dos irmãos; era o testemunho da culpa deles. Aquela vestimenta, cheia de inveja, desespero, orgulho, egoísmo, ira, ganância e manchada de sangue, agora — por meio de Cristo Jesus — se torna a Vestimenta da Salvação para eles, permitindo-lhes serem revestidos da santidade e da justiça de Cristo. Isso acontece porque a vida de Jesus Cristo veio a eles e a nós.

 

Jacó parecia ter perdido tudo, mas, na verdade, Deus estava começando uma vida oposta, e nós lemos esta Escritura como testemunhas desse caminho.

 

Das Partes Quebradas, Algo Puro

O Pastor Ian Duguid, que apresentei anteriormente, diz isto em seu livro “The Gospel in Genesis” (O Evangelho em Gênesis):

 

Como pode o Pai, que governa todas as circunstâncias, não trabalhar para o bem, mesmo nas tempestades da vida? Como poderia Deus esquecer isso? Deus ama tanto a sua vida; você acha que Ele a trataria tão levianamente e a deixaria de lado com tanta facilidade?

 

Embora sua vida possa parecer ininteligível e ainda difícil de aceitar, como poderia Deus simplesmente abandoná-la?

 

Ele pode trabalhar de maneira dolorosa. O pecado dos outros que o aflige pode encurralá-lo. Deus pode permitir que seu próprio pecado, que fere os outros, não seja impedido à força e simplesmente continue. Nossos sonhos para este mundo podem ser feitos em pedaços. No entanto, tudo isso é simplesmente o que Deus faz para trazer algo mais puro e mais abundante desses fragmentos quebrados.

 

Através de nossas dolorosas provações, de nossos pecados e até mesmo dos pecados de outras pessoas, Deus revelará quem somos. Ele nos fará encontrar conosco mesmos. Ele nos fará perceber o quanto precisamos d'Ele, e através de todos aqueles momentos quebrados, Ele nos fará saber o quão desesperadamente a cruz é essencial para vocês.

 

O Senhor nos mostrará, através de tudo isso, o quão quebrado está o mundo caído em que vivemos. Por meio dessas provações, Deus nos refinará e santificará, e nos ensinará a nos concentrarmos mais no verdadeiro tesouro que devemos buscar: Deus mesmo e somente n'Ele.”

 

Oremos.

Senhor amado, confrontamos o profundo desespero de Jacó, que perdeu a esperança na sua dor e disse: ‘Descerei ao Sheol.’ Perdoa a nossa fraqueza por Te darmos as costas, aprisionados pela realidade visível. Concede-nos a coragem de enfrentar toda tristeza e sofrimento com a única verdade de que ‘somos Teus.’

 

Ajuda-nos a não buscar compreender todas as coisas do mundo, mas a confiar plenamente e somente em Ti, que jamais soltas a nossa mão na escuridão. Cremos na Tua surpreendente providência: que começas a história da salvação reunindo os fragmentos de um sonho quebrado, e que transformas a vestimenta ensanguentada do desespero na santa Vestimenta da justiça de Cristo.

 

Deus, que estás perto dos que têm o coração quebrantado, confessamos que temos esperança eterna no nome de Jesus Cristo, que caminhou conosco pelo vale da sombra da morte. Agora, permite-nos rejeitar a tristeza e desfrutar da bênção de morar em Tua casa para sempre. Oramos em nome de Jesus Cristo. Amém.

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