A Palavra de Deus está em Gênesis, Capítulo 41, Versículos 1 a 16.
"Aconteceu que, ao fim de dois anos inteiros, Faraó sonhou que estava em pé junto ao rio Nilo. E eis que subiam do rio sete vacas bonitas à vista e gordas de carne, e pastavam no carrizal. E eis que após elas subiam do rio outras sete vacas feias à vista e magras de carne, e paravam junto às vacas formosas, à beira do Nilo. E as vacas feias à vista e magras de carne devoravam as sete vacas formosas e gordas. Então Faraó despertou. Tornou a dormir e sonhou pela segunda vez: Sete espigas, cheias e boas, subiam de um só pé. E eis que após elas nasciam sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental. E as espigas miúdas devoravam as sete espigas cheias e gordas. Então Faraó despertou, e eis que era um sonho. Pela manhã, o seu espírito perturbou-se, e ele mandou chamar todos os magos e todos os sábios do Egito. Faraó lhes contou os seus sonhos, mas não havia quem lhos interpretasse. Então o copeiro-mor falou a Faraó, dizendo: 'Lembro-me hoje das minhas culpas. Estando Faraó muito indignado contra os seus servos, pôs-me em prisão na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mor. E eu e ele sonhamos um sonho na mesma noite, cada um sonhou conforme a interpretação do seu sonho. Estava ali conosco um moço hebreu, servo do capitão da guarda; e lhos contamos, e ele nos interpretou os sonhos, a cada um a sua interpretação. E como ele nos interpretou, assim aconteceu: eu fui restituído ao meu cargo, e o outro foi enforcado.' Então Faraó mandou chamar José, e o trouxeram apressadamente da masmorra. E ele se barbeou, e mudou de vestes, e apresentou-se a Faraó. E Faraó disse a José: 'Eu sonhei um sonho, e ninguém há que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho, podes interpretá-lo.' 'Isso não está em mim,' respondeu José a Faraó, 'Deus dará a Faraó uma resposta de paz.'" Amém.
O Coração de José na Aflição: A Palavra o Refinou
O período em que José ficou preso foi de, no máximo, cerca de 13 a 14 anos. Durante esse tempo em Canaã, um evento aconteceu: seu avô Isaque faleceu. Presume-se que Isaque tenha morrido pouco antes de José se tornar primeiro-ministro—o ano anterior à sua libertação da prisão—o que significa que José nem sequer pôde estar presente no leito de morte de seu avô.
O estado do coração de José está bem descrito no Salmo 105. Embora não possamos saber as condições específicas de sua vida na prisão, o texto sugere o quão difícil e dolorosa era sua situação. A Escritura registra que seus pés foram feridos com grilhões e seu pescoço foi preso com um colar de ferro (cadeias). Contudo, esta passagem provavelmente carrega um significado simbólico. Como José era confiado pelo carcereiro e administrava os negócios da prisão, é improvável que ele estivesse acorrentado fisicamente o tempo todo.
Em vez disso, este versículo aponta para as profundas feridas e a miséria infligidas não ao seu corpo, mas à sua alma e espírito, ao seu coração. O versículo seguinte afirma: "a palavra do Senhor o provou [ou o refinou]." Isso confirma que a questão era interna, centrada em sua vida interior. Em meio a uma desesperança profunda e sem perspectivas, o que sua alma estaria ponderando? Foi nesse momento que os dois altos oficiais foram aprisionados, e José interpretou seus sonhos, resultando na restauração de um e na execução do outro.
Buscando 'Hesed' do Copeiro-Mor
Após a concretização das interpretações dos sonhos, José fez um pedido ao copeiro-mor: "Quando você for restituído, por favor, fale a Faraó sobre a minha situação e tire-me desta prisão." O ato de fazer o pedido em si pode não ter sido um erro, mas o problema residia na atitude de José ao fazê-lo.
Não é errado usarmos nossa sabedoria para tentar resolver problemas. Contudo, quando José pediu ao copeiro que o "ajudasse," ele solicitou assistência com base no "seu Hesed (bondade ou misericórdia)" uma vez que o copeiro fosse bem-sucedido. Hesed é a palavra mais usada para descrever o amor pactual e fiel de Deus por Seus filhos. Aqui, vemos que José considerou o copeiro-mor quase como Deus. Ele depositou sua esperança em um homem, esperando que ele lhe concedesse "graça" para salvá-lo e conseguir sua libertação. No fim das contas, embora José tivesse dito que "as interpretações pertencem a Deus," na prática, ele estava confiando em um homem.
A Resposta Dois Anos Depois: O Esquecimento Humano e a Soberania de Deus
Dois anos se passaram após aquele incidente. Como o tempo costuma apagar as coisas, dois anos se esvaíram, e o copeiro esqueceu-se completamente de José.
Então, Faraó teve sonhos—a história das sete vacas e das sete espigas. As vacas feias e magras comiam as bonitas e gordas, e o grão fino e murcho engolia o grão saudável e cheio.
Isso poderia ter sido descartado como mero devaneio, mas o sonho perturbou Faraó. A lembrança persistiu, causando-lhe angústia. Como rei, Faraó convocou todos os magos e sábios do Egito, exigindo uma interpretação. Assim como na época de Daniel, os cortesãos interpretavam a ordem do Rei sob risco de vida. Por várias razões, ninguém conseguiu interpretar o sonho.
A Mudança Clara de José: 'Não eu, mas Deus'
Foi só então que o copeiro-mor finalmente se lembrou de sua situação. 'É verdade, José interpretou meu sonho exatamente como aconteceu!' Ele recomendou José ao Rei, e Faraó, ao ouvir a história, ordenou imediatamente que José fosse chamado. José foi rapidamente tirado da masmorra e se apresentou diante de Faraó.
A reação de José perante o Rei é crucial. Quando o copeiro-mor o recomendou, ele não mencionou Deus em momento algum. Ele apenas relatou: "Este homem é incrivelmente bom em desvendar sonhos. Ele é uma pessoa eficaz." Intrigado, Faraó perguntou a José: "Ouvi dizer que você pode interpretar bem os sonhos."
A isso, José respondeu firmemente:
“Isso não está em mim,” respondeu José a Faraó, “Deus dará a Faraó uma resposta de paz.”
Superficialmente, esta resposta não parece muito diferente do que ele havia dito ao copeiro: "Não são de Deus as interpretações? Por favor, conte-me."
No passado, quando ele afirmou que "as interpretações pertencem a Deus," o foco estava, de fato, em Deus. Contudo, ao fazer seu pedido, ele apelou ao 'homem' cujo futuro acabara de revelar, confiando na bondade desse homem, e não na graça de Deus, para sua libertação. A ênfase, na prática, estava em sua própria capacidade interpretativa, razão pela qual se seguiu o convite: "Conte-me o sonho."
No entanto, o que ele diz a Faraó agora é visivelmente diferente. Ele não pede ao Rei: "Conte-me o sonho." Ele nega incondicionalmente sua própria habilidade: "Eu não sou. Não sou eu a pessoa que pode resolver este sonho." Em vez disso, ele declara: "Deus dará a resposta." A atitude é semelhante, mas demonstra uma clara transformação. "Não sou eu" é agora sua verdadeira confissão, substituindo o anterior "Conte-me o sonho."
A Essência da Sabedoria: Deus é Quem Age
Alguns poderiam argumentar: "Ainda assim, ele ouviu o sonho e o interpretou. Qual é a diferença?" É diferente. José repetiu uma declaração central três vezes após ouvir o sonho, revelando como sua perspectiva havia mudado fundamentalmente.
No versículo 25, José declara: "José respondeu a Faraó: 'O sonho de Faraó é um só; Deus revelou a Faraó o que Ele está para fazer.'" No versículo 28, ele diz: "Eu disse a Faraó que Deus mostrou a Faraó o que Ele está para fazer," e no versículo 32, ele repete enfaticamente: "O fato de o sonho ter sido repetido a Faraó duas vezes significa que a questão está firmemente decidida por Deus, e Deus se apressa em executá-la."
O sujeito da ação permanece Deus, não ele mesmo. Sua própria interpretação não é mais o foco principal.
José foi altamente exaltado por Faraó e por todos os egípcios, sendo considerado um homem sábio e inteligente. Por ter interpretado o sonho perfeitamente e satisfeito Faraó, as pessoas o enalteceram por sua habilidade interpretativa.
No entanto, a sabedoria que José agora compreende, e a sabedoria de que a Bíblia fala, é fundamentalmente diferente. Sua habilidade em interpretar não é sua sabedoria. O conteúdo preciso e inteligente da interpretação também não é. Nem mesmo o cumprimento bem-sucedido da interpretação é o que ele considera sabedoria.
A Escritura registra claramente a confissão de José: "Deus decidiu firmemente este assunto, e Deus o levará a cabo." Esse é o foco de José. O sonho, o sonhador, o intérprete, sua interpretação ou sua habilidade—nada disso é o centro. Somente Deus planejou esse evento, o decidiu firmemente e o leva a efeito. É aí que a sabedoria se cumpre. Isso é sabedoria, e Deus deve receber toda a glória.
O Foco do Mundo e a Posição Humilde de José
Embora nem Faraó nem José soubessem totalmente, através deste evento, Deus estava claramente falando a mensagem do Evangelho: que Ele salvaria Israel e, finalmente, salvaria toda a humanidade através de Jesus Cristo. Mesmo que Faraó e José não tivessem entendido tudo, a história da salvação de Deus estava se cumprindo.
Faraó e todo o Egito ficaram maravilhados com José e o exaltaram. Isso é natural, mas devemos refletir profundamente sobre isso. O mundo sempre procura exaltar o homem, independentemente do que aconteça. José repetidamente disse: "Deus está fazendo isso," mas Faraó nunca disse: "Ah, deve ser esse Deus." Ele continuou exaltando José. Por mais que se fale de Deus, o mundo está mais interessado nas realizações humanas.
Não é assim com todos nós? Quando nos ensinam a não amar o mundo, muitas vezes respondemos: "Eu não amo o mundo; eu só gosto um pouco dele." Quando falamos dos nossos filhos, acabamos nos gabando de como nossos netos são inteligentes ou bem-sucedidos. Só ocasionalmente, talvez em oração, fazemos a confissão: "O Senhor criou esta criança até este ponto." É tão natural para nós admirar e exaltar a nós mesmos e aos outros. O mundo é assim. E como parece tão óbvio, muitas vezes ignoramos isso.
A Realidade de José: O Mais Baixo Estrato Social
Agora, precisamos considerar a verdadeira condição de José. Primeiro, José era o escravo mais humilde. O homem chamado à presença de Faraó era um escravo. Não apenas um escravo, mas um escravo-prisioneiro. Este já é o status mais baixo, mas ele era também um hebreu, um escravo estrangeiro, não um egípcio. Sua posição social era, literalmente, o fundo do poço.
Um Coração Quebrantado: O Preparado que Deus Usa
Além disso, qual era a condição de seu coração? Seu status era miserável, mas será que seu interior estava em paz? Gostaríamos que José tivesse deixado um Salmo, louvando ao Senhor com "Aleluia!" na prisão. Em vez disso, o Salmo retrata de forma muito mais crua e vívida como sua alma estava presa em cadeias, aprisionada na miséria, angústia e desespero.
A Escritura afirma claramente: "a palavra do Senhor o provou [refinou]." 'Refinar' é como aquecer e martelar o metal repetidamente para temperar o ferro e transformá-lo em uma espada. A Bíblia está essencialmente dizendo: "Estou colocando-o em grande sofrimento neste momento."
Portanto, embora José certamente tenha recebido conforto da Palavra de Deus, ele deve ter enfrentado uma imensa luta e um profundo conflito interno sob o peso dessa provação severa. Se pudéssemos ter visitado José na prisão, em vez de encontrá-lo orando devotamente, ele provavelmente estaria sentado e clamando: "Deus, o que está acontecendo? Teria sido melhor ser repreendido em casa! Eu usava uma túnica colorida, e aqui estou em um uniforme de prisioneiro!"
Qual era o estado de sua fé? Quanta preocupação e conflito ele enfrentou? O versículo do Salmo expressa isso como: "sua alma foi posta em ferro." Embora não diga que ele reclamou, ele deve ter meditado profundamente sobre quem é Deus, em meio a uma profunda dúvida e angústia.
Ele estava deprimido e quase sem esperança. Um homem preso por 13 a 14 anos sem ter como escapar, um pecador hebreu consumido pela dor e pelo conflito: este é o retrato exato de José.
Nós conhecemos a história de José como um homem fiel que perdoou seus irmãos e alcançou o sucesso como primeiro-ministro. Esse conhecimento pode confortar nosso coração, mas o coração de José na época não estava nada tranquilo. Ele provavelmente estava clamando: "Quem é mais fraco do que eu? Quem está em maior desespero?" No entanto, é exatamente esse homem que Deus chama para Se apresentar diante de Faraó e realizar Sua obra.
A Pessoa que Deus Usa: Não Condições Mundanas, mas Pobreza de Espírito
Quando perguntamos: "Que tipo de pessoa Deus usa?", a maioria responde: "Deus usa pessoas preparadas." Esta afirmação não está errada. Mas a questão é: o que significa 'preparado'?
Quando pensamos em uma pessoa 'preparada' como o Apóstolo Paulo, muitas vezes presumimos: 'Ele estudou com excelência sob Gamaliel, era hebreu de hebreus e possuía cidadania romana, e foi por isso que Deus pôde usá-lo tão amplamente para as missões.' Consequentemente, pensamos que nossos filhos precisam de boas escolas e empregos para estarem preparados para a obra de Deus, dizendo que todo esse esforço é para a glória de Deus.
Reconhecemos que a providência de Deus pode usar nossas circunstâncias e antecedentes. Mas será que esse é o significado completo de 'preparado' na Bíblia? O caso de José sugere algo diferente.
O Apóstolo Paulo nunca afirmou que sua cidadania romana era a razão pela qual ele era eficaz para Deus. Depois de listar todas as suas credenciais mundanas, o que ele disse? "Considero todas essas coisas como perda [lixo]." No entanto, não estamos nós tentando nos preparar para Deus com essas mesmas coisas que ele chamou de "lixo"? Claramente, estamos perdendo algo essencial.
A história de José está em sintonia com 1 Coríntios 1, que diz:
"Vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres; mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas vis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para anular as que são; para que nenhuma carne se glorie perante Deus."
Quem é, então, a pessoa verdadeiramente preparada?
José Se Apresentou a Faraó por Causa da Pobreza de Coração e Só por Deus
Você e eu preferimos os ricos, os famosos, os inteligentes e os que têm títulos. Quando pessoas que respeitamos socialmente se tornam cristãs, pensamos: "Até essa pessoa creu em Jesus." Isso é fundamentalmente antibíblico.
Embora sejamos gratos por sua conversão, nossa maneira de pensar está profundamente equivocada sobre quem Deus prepara e como Ele opera. Pensar: "Deus deve estar fazendo grandes coisas porque deu riqueza àquela pessoa," é um grande mal-entendido. Embora apreciemos que Deus trabalhe por meio delas, a Bíblia não diz que o que importa não é a carne ou o que possuem, mas se o coração é pobre?
Quem poderia ter um coração mais pobre do que José neste momento? Ele estava se agarrando a qualquer fio de esperança; não lhe restava absolutamente nada na vida para se apoiar. Ele tentou se agarrar ao copeiro, mas não deu certo. Até mesmo resistir à tentação e obedecer à Palavra de Deus não o salvou da prisão. Simplificando: nenhum de seus serviços zelosos, boas ações ou esforços para viver retamente pode fazer você se apresentar ousadamente diante de Deus. José não se apresentou a Faraó por causa dessas coisas.
José se apresentou a Faraó porque ele era um escravo hebreu, não tinha nada, e era uma pessoa com conflitos e lutas internas incessantes e estava profundamente deprimido. Ele estava sem esperança e não sabia como viver. É por isso que ele foi colocado diante de Faraó sob a mão de Deus.
Ele não teve escolha a não ser abandonar todos os seus próprios métodos e agarrar-se à percepção de que só Deus restava. Ele entendeu que a salvação e a entrada no reino de Deus são impossíveis, a menos que olhemos e nos agarremos a Deus somente. Não é por nada que ele possuía.
Deus Busca o Coração Quebrantado
Vejam, nós erroneamente pensamos que José se gabava de se tornar primeiro-ministro, de resistir à tentação, de administrar uma casa, de gerenciar uma prisão ou de interpretar sonhos. Nada disso o salvou. Ele foi salvo apenas porque começou a perceber quem ele era e, não podendo confiar em mais nada, buscou somente a Deus.
Olhem para a vida de Davi. O momento de sua maior glória foi talvez quando ele derrotou Golias com uma funda. Sua fé estava no auge quando a nação o aclamava? No entanto, nos Salmos, os muitos cânticos de Davi nunca contam a história da morte de Golias.
Mas que história aparece? A história de Bate-Seba. Quando ele estava quebrado, percebendo sua verdadeira identidade diante de Deus, ele confessou: "Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus."
Dizer: "Deus, eu estava um pouco melhor esta semana. Li um versículo, participei do culto e tentei perdoar quem me fez mal." Tais coisas não podem nos fazer estar diante de Deus. Em vez disso, devemos confessar: "Senhor, eu tentei, mas não tenho poder para fazer nada sozinho. É tão difícil amar alguém; é tão difícil viver o dia a dia; parece impossível lutar contra meus próprios desejos. É assim tão difícil lutar contra o meu coração que desesperadamente quer se gabar e ser reconhecido?" Senhor, na verdade, eu não consigo. Só o Pai pode. Por favor, ajude-me. Um coração quebrantado—essa é a pessoa que Deus usa. Essa é a pessoa preparada.
Pobreza de Espírito: Não Posso Viver Sem Deus
A pessoa que entende o coração quebrantado é a verdadeiramente preparada. Seu coração é (em um sentido negativo) demasiado rico. O coração deve ser pobre, o que significa que você não pode viver sem o Senhor. Mas sua vida é muito confortável sem Deus. Você pode viver sem Deus sem nenhum problema, então não há nada pelo que orar ou a que se agarrar. Este é o estado mais perigoso, mas achamos que é confortável—que ironia!
Não estou dizendo que você deva entrar em momentos difíceis. Mesmo quando você é próspero e tudo vai bem, seu coração deve permanecer pobre. Mesmo que seu negócio seja bem-sucedido, sua saúde esteja boa e você não tenha problemas, seu coração deve ser pobre. Você deve ter esta confissão: "Deus, eu vivo pela Tua graça. O abrir deste caminho, o fechar daquele, e a minha alegria, a minha dor, a minha luta—tudo é pela Tua graça."
A Audácia de Quem Se Aproxima do Senhor Sem Vergonha
Nós percebemos que nossas vidas são muito parecidas. Muitas vezes ficamos muito desapontados conosco mesmos. Pensamos: "Que tipo de trabalho uma pessoa como eu pode fazer? Será que eu consigo sequer orar direito?" Apelamos rapidamente para o recuo, pensando: "Para falar da minha fé, tenho muita vergonha de dizer que sou cristão." Esta é uma desculpa que usamos frequentemente.
Deixando a fé de lado, que trabalho você pode fazer na igreja? E quanto à sua personalidade? Poucos diriam: "Tenho uma personalidade perfeita para a igreja." Às vezes, a igreja parece exigir que os introvertidos vivam como extrovertidos. Os introvertidos ficam sem saber o que fazer, e alguns até oram: "Senhor, por favor, mude este aspecto da minha personalidade para que eu seja mais ativo."
Amigos, quando vocês estão fracos, quando estão com o coração quebrantado, é quando Deus os coloca diante d'Ele. É quando a obra de Deus acontece. É assim que Deus age. A obra de Deus não é Ele apenas adicionar uma colher de chá ao que eu já estou fazendo bem. É Deus quem faz a obra, e sou eu quem deveria apenas adicionar uma colher de chá. Mas pensamos o contrário.
Jeremias afirma claramente: "Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar, glorie-se nisto." E o que Ele diz? "Em me entender e me conhecer." A totalidade da riqueza que vocês e eu possuímos é conhecer a Deus.
Da próxima vez que pedirem para listar toda a sua riqueza, não escreva ações ou poupanças. Vá ao banco e escreva: "Toda a minha riqueza é DEUS." Se perguntarem, diga descaradamente: "Esta é a verdade." Não é essa a pessoa que somos?
Nós, que lutamos até para orar por estarmos cansados, que apenas derramamos lágrimas ao ler a Palavra. Mas por que continuamos a tentar? Por que nos esforçamos para orar e ler a Palavra? Porque conhecemos a Deus, conhecemos o Pai, e sabemos que só Ele é nosso ajudador, e não temos mais ninguém além d'Ele.
A Confissão de José: Deus Responderá o 'Shalom' de Faraó
Faraó tem dois sonhos semelhantes. A Bíblia diz que José também teve dois sonhos idênticos, mas na época não compreendeu o seu significado. Agora, com os dois sonhos de Faraó, José lhes dá o significado. Ao ouvir a história de José, sinto um alívio. Isso ocorre porque José está falando sobre sua própria vida.
José diz: "Faraó, o fato de o sonho ter sido repetido duas vezes significa que Deus decidiu firmemente este assunto, e Deus se apressa em executá-lo." O que significaram os dois sonhos repetidos na vida de José? Que Deus havia decidido o seu caminho e se apressou em começá-lo. Mas o que Ele fez? Ele não foi capturado, jogado na prisão, e agora está lutando entre a vida e a morte?
Ao contar sua própria história, ele deve ter percebido: "Isto foi o que Deus se apressou em fazer comigo." A história que ele contou a Faraó é uma história de 14 anos: de prosperidade seguida de ruína. Não é uma mensagem fundamentalmente diferente da de José. O que é diferente é que José nunca imaginou a profundidade da provação. Ele deve ter se maravilhado ao perceber, ao falar com Faraó: "Isto é o que Deus se apressou em fazer em minha vida, Ele me humilhou assim, me fez perceber quem eu sou diante d'Ele, e me permitiu conhecer a Deus." Quão espantado José deve ter ficado, pensando, "Esta é a minha história," enquanto falava com Faraó? Essa percepção adiciona uma camada fascinante à narrativa de José.
Não Eu, mas Cristo em Mim: Seu "Shalom"
Ele agora se tornou alguém que conhece a Deus. E ele diz a Faraó: A Bíblia em português por vezes traduz: "Deus dará uma resposta de paz" ou "Deus dará a Faraó a resposta que ele deseja." Embora essa tradução não seja ruim, creio que é melhor transmitir o significado literal do original:
"Deus responderá o Shalom de Faraó."
Ou seja, a resposta que Deus der será precisamente o seu Shalom (paz, bem-estar). Seja qual for a resposta, ela se tornará a sua paz.
Deus interpretará e responderá a vida de José, e essa resposta se tornará o Shalom de José. Até mesmo sua vida na prisão se tornaria o Shalom de José.
Até aqui, vocês concordarão. Agora, insiram seus nomes. Em sua vida, há momentos passados que vocês gostariam de apagar, momentos atuais de angústia, e momentos tão difíceis que vocês pensam: "Deus, por favor, me deixe respirar um pouco." No entanto, o que a Escritura diz agora? "Deus fará da sua vida Shalom. E Ele o tem feito, e o está fazendo agora." Deus dará uma resposta justa, uma resposta amorosa, uma resposta equitativa, e cumprirá Sua história de salvação. Porque não apenas o Shalom de Deus se cumprirá, mas também o seu Shalom.
Um Coração Quebrantado, Mas Fé Ousada
Portanto, meus amados, precisamos conhecer o coração quebrantado, e quando percebemos que somos indignos de estar diante de Deus, não devemos desmoronar. Em vez disso, devemos aprender, como José, que "é precisamente então que Deus me coloca diante d'Ele." É então que vocês, finalmente, se aproximam do Senhor sem vergonha.
Por favor, não tentem ser pessoas decentes e respeitáveis diante de Deus. Tornem-se uma pessoa quebrantada e miserável diante d'Ele. E, apesar disso, aproximem-se d'Ele sem vergonha. "Senhor, eu não sou nada. Sou um escravo entre hebreus, e não tenho nada para oferecer, mas o Senhor me permitiria dizer uma coisa que eu tenho? Eu creio em Deus. Eu conheço a cruz de Jesus."
Uma Vida Tão Preciosa e Bela Quanto Cristo
O título de um hino que cantamos juntos, "Yet Not I But Through Christ In Me" ("Não eu, mas Cristo em mim"), é um cântico que é como a confissão de José: "Não eu, mas através de Deus." A letra do hino diz:
O dom da graça é Jesus, meu Redentor, e o céu não pode me dar nada melhor.
Eu não sei que coisas boas acontecerão com vocês no futuro—se ganharão na loteria ou se seus filhos alcançarão grande sucesso. Nesse dia, por favor, lembrem-se desta humilde palavra: Não importa o quão grande seja o que vocês receberem depois, vocês já receberam Algo maior: Jesus Cristo. Vocês não receberão nada melhor do que isso pelo resto de suas vidas. Vocês o receberam.
Minha alegria, minha justiça, minha liberdade, e amor imutável, paz profunda e sem fim são meus. Em Cristo, a rocha firme, eu me apoiarei, minha esperança é só Jesus.
Minha vida é inteiramente Sua, Oh, que coisa maravilhosa e santa! Eu posso cantar que tudo é meu, por meio de Cristo que habita em mim.
O verso final conclui assim:
Em cada momento de respiração eu Te seguirei, Senhor, Tu prometeste me guiar para casa. Até que eu me apresente com alegria diante do Teu trono de glória, eu sei que Tu me renovas a cada dia. Eu me apoiarei, minha esperança é Jesus, toda a glória só a Ele darei. Quando a corrida da minha vida terminar, meus lábios clamarão: Não eu, mas Cristo em mim viveu, não eu, mas por Cristo em mim eu vivi, não eu, mas Cristo em mim habitou, assim cantarei.
Sua vida se tornou uma vida tão preciosa e bela quanto o próprio Cristo.
Oremos.
A noite é escura, mas eu não vacilarei. O Senhor está sempre ao meu lado. Ganharei força e me alegrarei quando eu estiver fraco, pois o Teu poder se aperfeiçoa na minha fraqueza. Oh, eu me apegarei a Jesus, meu Pastor que me guarda, que me guia mesmo no vale da sombra da morte. A noite escura desapareceu, e eu serei vitorioso, por meio de Cristo em mim. Oh, Senhor, ajuda-nos a reconhecer e até a nos gloriarmos em nossa fraqueza. Senhor, ensina-nos verdadeiramente o coração quebrantado. Oramos em nome de Jesus Cristo. Amém.
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